Para João Pedro Stédile, golpe afetou duramente os camponeses

Liderança do MST diz que golpistas defendem interesses da burguesia financeira, do capital internacional e das multinacionais, desnacionalizando a agricultura

Paulo Pinto/Agência PT

João Pedro Stédile no Barão de Itararé

Para a liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, a questão da agricultura familiar e camponesa foi duramente afetada com o golpe à democracia.

Em debate realizado na noite de sexta-feira (10) no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo, Stédile também fez uma avaliação da conjuntura política que levou ao golpe e afirmou que o governo do usurpador Michel Temer não deve se sustentar.

Segundo ele, os principais ataques aos camponeses vieram com o fechamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), transformado em uma secretaria da casa civil, e o esvaziamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), criados no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apesar de não terem sido oficialmente descontinuados, pararam de receber verbas federais.

“Este governo está comprometido com o agronegócio como modelo de aliança entre a burguesia financeira, o capital internacional e as multinacionais”, avalia.

Para o líder do MST, existe um claro movimento de desnacionalização dá agricultura. “Há uma ofensiva enorme porque há um capital financeiro sobrando no mundo e querem transformar o papel em patrimônio”.

Exemplo desse movimento é o projeto que autoriza a venda de terras brasileiras para o capital estrangeiro com limite de até 200 mil hectares.

Como outros movimentos sociais, Stédile diz que para o MST “o fator fundamental para o golpe do ano passado foi a crise de 2010”. Ele afirma que “a crise tem fatores externos, ligados ao capital estrangeiro, somados a política econômica equivocada do governo Dilma”, e o “golpe veio para a burguesia salvar sua classe, para isso precisavam controlar o governo”.

Ele valia que basicamente eram quatro os objetivos dos golpistas: aumentar a exploração do trabalhador brasileiro para recuperar o lucro; aumentar a apropriação privada dos bens da natureza; entregar recursos públicos ao capital privado; e subordinar a economia brasileira aos Estados Unidos. Este último objetivo já foi frustrado pela eleição de Donald Trump, que apresenta uma política nacionalista e economicamente fechada.

Stédile diz acreditar que o governo ilegítimo de Temer é instável, pois a burguesia está dividida, a economia segue em crise e a impopularidade do golpista é gritante. Além disso, foram anos de ataques da imprensa ao ex-presidente Lula e nas últimas pesquisas a intenção de voto sobre o petista só crescem. “Ninguém sabe a vida útil desse governo”, avalia o líder do MST.

Por Pedro Sibahi, da Agência PT de Notícias

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