À medida que avançam as investigações da Polícia Federal (PF) sobre as fraudes do Banco Master, ficam mais claros os vínculos de Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde março, com políticos bolsonaristas. Esse é o caso do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Ele foi alvo da 8ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, 26, para investigar aportes de mais de R$ 3,6 bilhões do estado, via Rioprevidência, em fundos ligados ao Master.
Por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio e no Distrito Federal (DF). Também foram alvos integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência.
“As investigações revelam alterações deliberadas nos procedimentos internos, credenciamentos meramente formais, ausência de análises técnicas, concentração excessiva de risco e uso de intermediários para elevação de comissões e ocultação do pagamento de vantagens indevidas”, diz um trecho da decisão de Mendonça.
De acordo com a PF, os encontros entre Castro e Vorcaro coincidiram com as aplicações do Rioprevidência no Master. O relatório da investigação detalha a relação entre os dois e a condução política até a liberação dos investimentos, “mesmo diante de alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis”.
“Segundo a representação, a atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do Rioprevidência”, descreve a PF.
A procedimento desta terça, 26, é consequência da Operação Barco de Papel, que identificou aplicações suspeitas do Rioprevidência em letras financeiras do Master que totalizaram R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Há 11 dias, Castro foi alvo de outra operação da PF, a Sem Refino, que apura um suposto esquema de fraudes fiscais, evasão de recursos públicos e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos, considerado um dos maiores devedores de impostos do país.
Flávio Bolsonaro encurralado
O senador Flávio Bolsonaro, (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu R$ 134 milhões ao banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, para bancar o longa “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, conforme áudios divulgados pelo site Intercept Brasil.
Um dos argumentos usados por ele é que se trata de dinheiro privado. O fato de o Banco Master utilizar recursos de aposentados desbanca essa tese. O comentarista Otávio Guedes, da GloboNews, em coluna publicada nesta terça, 26, aponta a coincidência cronológica entre as aplicações do Rioprevidência no Master e as conversas de Flávio Bolsonaro com Vorcaro.
“A investigação não relaciona os fatos, mas a cronologia desmonta a versão de Flávio de que ele desconhecia haver dinheiro público no escândalo do Master, já que, entre os entes federativos, o governo do PL do Rio foi quem mais deu dinheiro a Vorcaro”, afirma Guedes. O comentarista aponta que não há como o senador argumentar que desconhecia as condutas ilícitas de Vorcaro quando foi procurá-lo no intuito de conseguir dinheiro para o filme.
“Flávio diz que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024. Em 14 de outubro do mesmo ano, portanto dois meses antes, a conselheira do Tribunal de Contas do estado, Mariana Montebello, deu ciência ao governador Cláudio Castro das suspeitas de irregularidades”, pontua Guedes.
O bolsonarista Cláudio Castro
Castro venceu a corrida ao Palácio da Guanabara em 2022, aos 43 anos, com apoio da família Bolsonaro e obteve mais de 58% dos votos, tornando-se o mais jovem governador da história e o mais jovem pós-redemocratização. Antes disso, ele havia sido vice do ex-governador Wilson Witzel, que foi afastado por processo de impeachment devido a suspeitas de fraude, desvios e corrupção em contratos públicos de saúde durante a pandemia de covid-19. Castro assumiu o cargo no lugar de Witsel em maio de 2021.
Depois da 8ª fase da Operação Compliance Zero, a cúpula do PL avalia que as pretensões do ex-governador ao Senado naufragaram de vez.
Para não ter o mandato formalmente cassado por abuso de poder econômico e político, o aliado da família Bolsonaro renunciou ao cargo antes de ser julgado por utilização ilegal da estrutura da Fundação Ceperj e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) para financiar cabos eleitorais e ampliar seu apoio em meio à disputa. Por cinco votos a dois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a ineligibilidade de Castro por oito anos, em julgamento ocorrido em março de 2026.
As ligações do ex-governador do Rio com a família Bolsonaro se caracterizam por uma aliança política histórica e uma parceria institucional próxima. Essa relação se consolidou quando ele assumiu o governo do Rio e se tornou um dos principais aliados do bolsonarismo no estado.
Da Rede PT de Comunicação, com informações da Polícia Federal.