As riquezas naturais do Brasil são consideradas a maior razão de orgulho para 58% dos brasileiros. É o que mostra uma pesquisa encomendada pela organização não-governamental internacional World Wide Fund for Nature (WWF) e realizada pelo Instituto Ibope, divulgada na terça-feira (18). A lista incluía a diversidade social e cultural brasileira, escolhida por 37% dos entrevistados; esporte, por 30%; qualidade de vida, por 28% e a característica pacífica do país, considerada por 19% dos brasileiros. O levantamento serviu para saber como o brasileiro pensa os recursos naturais do país e o quanto se preocupa com a forma como é gerenciado. O superintende de políticas públicas do WWF-Brasil, Jean-François Timmers, se diz bastante surpreso com o resultado da pesquisa. “Mais brasileiros do que se imaginava estão preocupados com a conservação do meio ambiente. E o melhor, mais da metade acredita que as Unidades de Conservação são responsáveis por garantir água potável e qualidade do ar para as regiões urbanas”, comemora. O Brasil é o país com a maior diversidade biológica do mundo e compreende mais de duas mil áreas protegidas, número considerável em comparação a outros países. Mas enquanto 74% dos entrevistados veem nos governos a responsabilidade por ações de desenvolvimento sustentável, o País ainda enfrenta dificuldade para aprovar projetos de criação de novas unidades de conservação, áreas de proteção ambiental delimitadas pelo poder público. Para Timmers, é preciso que os governantes reconheçam que a questão ambiental não está separada do desenvolvimento econômico e valorizem o poder de geração de emprego e renda de áreas protegidas. “A expectativa para o próximo governo é que a questão ambiental seja tratada de forma cada vez mais integrada com os projetos de desenvolvimento do País”, completa. Ocorre que nem mesmo a população acredita no potencial de atividades ligadas à ecologia e ao meio ambiente. Segundo a pesquisa, apenas 25% dos brasileiros acredita que as áreas verdes podem gerar renda para a população local. Fato veementemente combatido pelo representante do WWF-Brasil. Segundo Timmers, essas áreas geram impacto econômico direto tão grande quanto um projeto de desenvolvimento industrial ou agropecuário. “Para o setor de serviços é fonte infinita de recursos. Em vários locais, observamos que multiplicam o número de pousadas, restaurantes e toda cadeira que é gerada a partir disso”, explica. Crise ambiental – Timmers cita um exemplo prático: diante do colapso no abastecimento de água em São Paulo nos últimos meses, a população local se viu obrigada a adotar medidas de economia de recursos naturais. Assim, a mudança de atitude mostra que grande parte das pessoas somente se preocupa com o meio ambiente quando algo afeta diretamente a rotina e, economicamente, o estado. “O que está acontecendo em São Paulo prova que, infelizmente, as pessoas só passam a se engajar quando começam a sentir os efeitos”, explica o superintende de políticas públicas do WWF-Brasil. Entretanto, apenas 46% veem nos próprios cidadãos a responsabilidade da preservação ambiental. Mesmo assim, a pesquisa revela grande apreço do brasileiro pelas áreas naturais. Metade dos entrevistados disse realizar atividades junto à natureza nos momentos de lazer e 62% afirmam dar prioridade a áreas com paisagens naturais quando pensam em viajar. A pesquisa foi realizada em outubro e ouviu a opinião de 2002 pessoas, entre homens e mulheres acima de 16 anos, de diferentes faixas de renda. Por Flávia Umpierre, da Agência PT de Notícias.
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