Secretaria de Mulheres do PT reafirma luta por paridade e contra a violência política
Durante encontro, foi aprovado plano de enfrentamento à violência de gênero e raça. Presidente do PT defende ações para construir, de fato, um PT democrático
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Durante este último final de semana, o Conselho Político da Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores (SNMPT) esteve reunido em Brasília para traçar as diretrizes estratégicas que nortearão a atuação das mulheres petistas nos próximos meses. A atividade teve o apoio da Fundação Perseu Abramo (FPA).
O encontro, que contou com a presença de secretárias estaduais e integrantes do Coletivo Nacional, consolidou unidade em torno de pautas estruturantes como a paridade total nas instâncias partidárias, a autonomia financeira e o combate rigoroso à Violência Política de Gênero e Raça (VPGR).
Rumo ao 8º Congresso Nacional do PT: paridade e autonomia
Uma das principais ferramentas para superar a sub-representação feminina na política passa pela garantia de acesso a recursos financeiros e também pelo apoio ao combate à violência política contra as mulheres.
Por isso, tendo em vista a realização do 8º Congresso Nacional do PT, que acontecerá no final do mês, as dirigentes reafirmaram que o feminismo deve ser o horizonte estratégico do partido.
Entre as principais deliberações, destacam-se a elaboração de sugestões que serão apresentadas para o novo programa partidário e também o programa de governo do presidente Lula, com foco na sua reeleição.
Enfrentamento à Violência Política contra as mulheres
O encontro trouxe dados alarmantes: um crescimento de 160% nos casos de violência política contra candidatas entre 2020 e 2024. Diante disso, a SNMPT aprovou a sistematização de um Plano Interno de Enfrentamento à Violência Política de Gênero e Raça.
O plano prevê a criação de protocolos para denúncia, acolhimento das vítimas e a defesa na “guerra digital”. Uma das propostas centrais é que agressores condenados por violência contra a mulher sejam impedidos de ocupar cargos de direção ou candidaturas pelo partido.
Formação e mobilização: “Elas por Elas” e Porta-Vozes do Lula
Dando seguimento ao modelo de formação política que resultou na ampliação das bancadas femininas do partido – tanto no Congresso Nacional, quanto em estados e municípios – o projeto Elas por Elas está de volta. A estratégia para as eleições de 2026 passará também pelo fortalecimento das bases e pela qualificação das candidaturas.
O objetivo, de acordo com a coordenadora do Projeto, Thatiane Nicácio, é preparar a base de mulheres do Partido dos Trabalhadores para a disputa eleitoral de 2026 por meio de oficinas de comunicação, tática eleitoral, pautas das mulheres e demandas da sociedade. A proposta apresentada prevê que a trilha de formação para 2026 atuará em duas frentes:
Formação de base: Mobilizar territórios, valorizar saberes feministas e fornecer instrumentos argumentativos e tecnológicos para a organização da base, com a participação das lideranças femininas do partido.
Formação de lideranças: Garantir visibilidade de lideranças políticas com conteúdos sobre diretrizes partidárias, regras jurídicas, comunicação, mobilização, planejamento, media training, entre outros.
Outras ações que foram debatidas foram a realização de Caravanas das Mulheres nos estados para dar visibilidade às mulheres do PT e fortalecer a defesa do presidente Lula. A secretária adjunta de Comunicação do PT, Camila Moreno, destacou a iniciativa da Rede de Porta-Vozes, ação que prevê o estímulo ao uso das plataformas Comunica.br e Pode Espalhar para combater fake news e massificar as entregas do governo federal.
Presenças e mensagens de apoio
Em compromisso fora de Brasília, o presidente do PT, Edinho Silva, gravou mensagem para as companheiras, onde destacou o compromisso com o protagonismo feminino dentro da legenda. Ele pontuou a centralidade das mulheres na construção do futuro do partido e do país, e no projeto nacional de reeleição do presidente Lula.
“Estamos agora às vésperas do nosso congresso. Queremos que as mulheres sejam protagonistas no debate sobre o modelo de construção partidária e que tenham o direito de oferecer as propostas que desejarem, defendendo o modelo de construção que quiserem. A defesa de cotas é insuficiente; precisamos defender a paridade — no mínimo, a paridade — para que possamos construir, de fato, um PT democrático. Queremos, portanto, que as mulheres tenham uma longa jornada pela frente; uma jornada em que tenham protagonismo no debate sobre qual Brasil e qual partido queremos construir, seguindo firmes nas lutas pela igualdade de direitos”, afirmou o presidente.
Edinho também reforçou que o Brasil vive um momento de reconstrução de políticas públicas como o Minha Casa Minha Vida, o Pé-de-Meia e ações de promoção de igualdade racial. e de enfrentamento ao fascismo e à extrema-direita, posicionando as mulheres petistas como as principais “porta-vozes” dessa narrativa nos territórios.
A atividade contou ainda com a visita da Ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, que destacou o compromisso com as mulheres rurais e o Plano Safra. Em mensagens de vídeo, o presidente do PT, Edinho Silva, parabenizou a organização das mulheres e reforçou que elas devem ser protagonistas na construção do novo programa de governo.
A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros; a senadora Teresa Leitão (PT-PE); e a deputada federal e coordenadora da Bancada Feminina, Jack Rocha, também enviaram vídeos de apoio e saudação ao encontro.
Pesquisas para conhecer as mulheres
As pesquisadoras Ana Clara Ferrari e Sofia Toledo, representantes da FPA, apresentaram pesquisas que revelaram importantes diagnósticos sobre o perfil das brasileiras, e também sobre o papel das mulheres a partir da perspectiva da formação política.
Momento de escuta e conhecimento interno
O encontro encerrou-se com um “Momento de Escuta”, onde as dirigentes territoriais compartilharam vivências e desafios locais, fortalecendo a coesão do coletivo que agora segue unificado para os debates do Congresso e as batalhas eleitorais que virão.
Da Redação do Elas por Elas.
