Desafios inéditos não são novidade na trajetória política da senadora Teresa Leitão (PT-PE). Primeira deputada estadual eleita pelo PT em Pernambuco e, anos depois, primeira mulher eleita para representar o estado no Senado Federal, a parlamentar volta a fazer história ao assumir a liderança do governo na Casa.
O novo desafio é encarado por ela como mais um passo para o fortalecimento da democracia e da participação feminina nos espaços de poder. Pernambucana de Olinda, Teresa está há mais de 30 anos na política e reconhece que uma das maiores missões é inserir as mulheres na engrenagem política brasileira.
“O fato de ser a primeira mulher tem um simbolismo muito grande. Eu não encaro isso apenas como algo para mim. É um símbolo que questiona a política masculina e abre caminho para outras mulheres“, afirma.
Escolhida pelo presidente Lula para a função, ela afirma que a nomeação vai além de uma conquista individual e representa um passo importante para romper uma tradição de exclusão feminina nos espaços de poder. Ela conta que recebeu o convite de Lula com surpresa, mas sem hesitar. “Não tem como dizer não. É um convite do presidente, é uma convocação.”
À frente da articulação política no Senado, Teresa Leitão recebeu a missão de garantir o avanço das pautas consideradas prioritárias pelo governo. Em entrevista à Rede PT de Comunicação, ela conta que Lula definiu três frentes estratégicas para este período: a PEC que extingue a jornada de trabalho 6×1, a proposta de reforma da segurança pública e o projeto que regulamenta a extração de minerais críticos e terras raras.
A prioridade imediata, entretanto, é a PEC do fim da escala 6×1, que já foi aprovada na Câmara e aguarda votação no Senado.
“Ela [a PEC], já chegou ao Senado com plenas condições de ser aprovada. O que estamos tentando é desatar os nós políticos para que essa votação aconteça”, explica, reforçando que essa é uma agenda política histórica do partido.
“Quem foi que lutou pela diminuição da jornada na Constituição de 48 para 44 [horas semanais] que queríamos já naquela ocasião? Fomos nós, os constituintes do PT. O presidente Lula, inclusive, era deputado federal. Senador Paim e a deputada Benedita da Silva também. Todos esses defenderam isto naquela época. Então não é uma coisa nova pra o PT”, relembra.
Em relação à PEC da Segurança Pública, a líder ressalta que a tarefa é reorganizar estruturalmente o sistema nacional de segurança, criando inclusive um Ministério específico para gerir o tema. Já o projeto sobre minerais críticos e terras raras busca estabelecer regras para a exploração de recursos estratégicos, conciliando desenvolvimento econômico, preservação ambiental e soberania nacional.
“O Brasil quer explorar essas riquezas, mas com responsabilidade, respeitando o meio ambiente, os povos dos territórios e, principalmente, garantindo a soberania brasileira.”
Trajetória sindical
Antes de chegar ao Senado, Teresa Leitão construiu uma longa trajetória na educação pública e no movimento sindical. Professora por 30 anos, iniciou a carreira aos 18 anos e afirma que foi na sala de aula que descobriu a política.
Fundadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), ela considera que a experiência nas negociações sindicais foi decisiva para sua atuação parlamentar.
Teresa foi dirigente nacional da área da educação, integrou o Conselho Estadual de Educação de Pernambuco e cumpriu cinco mandatos consecutivos como deputada estadual — marca inédita entre as mulheres do estado.