Siga nossas redes

Lula diz que mundo poderá viver sem petróleo e volta a criticar guerra dos EUA com Irã

Presidente defende que Brasil lidere transição energética global com biocombustíveis e tecnologia limpa e afirma que país não aceita impactos de conflito criado por Trump

Em visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, Lula falou sobre o papel do Brasil na transição energética global.Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira ,13, que o Brasil lidere a transição energética global com investimentos em biocombustíveis e tecnologias limpas. “O petróleo é importante para nós. Nós vamos continuar pesquisando, nós vamos continuar usando, mas ao longo do tempo a gente vai preparando o Brasil e a humanidade de que a gente pode viver sem combustível fóssil (…) O que a gente está fazendo é dizendo ao mundo: ‘Não se preocupem porque o mundo pode viver sem petróleo'”, afirmou o presidente.

Lula destacou o potencial brasileiro para produzir combustíveis renováveis e desenvolver veículos híbridos movidos a eletricidade e etanol. A declaração foi feita após visita ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) e aos laboratórios de testes em etanol e biodiesel do complexo educacional, em São Caetano do Sul (SP). Durante o discurso, o presidente criticou os impactos econômicos da escalada do conflito no Oriente Médio e afirmou que o governo federal adotou medidas para proteger a população brasileira da alta internacional dos combustíveis.

Em alusão à uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em rede social, em que ele afirma que irá desobstruir o Estreito de Ormuz e passar a cobrar 20% de taxa sobre cargas transportadas por embarcações que passam pelo local, Lula ponderou sobre a legitimidade da medida, já que os EUA não são donos do canal.

“Preço da guerra está chegando no preço do feijão”

Segundo o presidente, o Brasil não pode aceitar essa guerra promovida pelos EUA e tampouco as consequências de um conflito internacional para a vida dos brasileiros. “O preço da guerra está chegando no preço do feijão aqui no Brasil. Está chegando no preço do arroz, do tomate e da cebola, porque tornou o combustível mais caro”, afirmou.

Lula destacou que o governo decidiu aumentar a tributação sobre o petróleo exportado pelo Brasil para reduzir os impactos da alta internacional sobre os consumidores brasileiros. “O Brasil exporta quase um milhão de barris de petróleo por dia. Então nós aumentamos em 12% o imposto para subsidiar os brasileiros, para que o preço do feijão não suba por causa da guerra”, explicou.

Ao analisar o impacto global da guerra, por conta do petróleo, Lula defendeu uma mudança estrutural na matriz energética e afirmou que o país reúne condições únicas para liderar esse processo. “A gente pode produzir biocombustível de macaúba, dendê, mamona, peão-manso, soja e muitas outras oleaginosas. O Brasil é a mais importante promessa de que é possível viver sem combustível fóssil”, ressaltou.

Lula também destacou que, além dos carros elétricos, o Brasil pode assumir protagonismo mundial com a produção de veículos híbridos abastecidos com etanol. “Esse carro vai dar mais autonomia, mais conforto e mais segurança. O Brasil pode oferecer ao mundo uma solução ainda melhor”, afirmou.

Educação como instrumento de desenvolvimento

Durante a cerimônia, o presidente Lula salienou que estava muito feliz por conhecer de perto o Instituto Mauá, em São Caetano (SP), “um instituto tecnológico de muita representatividade para o nosso país”.  O presidente relembrou o período da colonização e a demora de mais de quatro séculos para a abertura de uma universidade no Brasil, e também relembrou os impactos estruturais da escravidão de indígenas e negros na educação brasileira e no desenvolvimento do país. 

Lula reforçou que o fortalecimento da educação é condição essencial para o desenvolvimento e lembrou os investimentos realizados pelo governo federal para ampliar o acesso ao ensino superior. “O Brasil, há muitos anos, depende da sua criatividade e da sua coragem para se transformar numa nação representativa de verdade”, afirmou.

“Se demorou demais para se fazer aquilo que é obrigação do Estado: cuidar da educação do seu povo”, avaliou o presidente. “O Estado tem como obrigação garantir que todas as pessoas, independentemente da religião, da cor, do berço em que nasceram ou do time para o qual torcem, tenham direito de disputar uma vaga em uma universidade, partindo do pressuposto de que ninguém é melhor do que ninguém”, declarou.

Lula também lembrou que começam na terça-feira, 14, as inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do Ministério da Educação que financia cursos de graduação em instituições privadas para estudantes de baixa renda.

Lula com estudantes do Instituto Mauá reforça a importância das pesquisas e da educação para o desenvolvimento. Foto: Ricardo StuckertFoto: Ricardo Stucket

Pesquisas para reduzir emissão de carbono

Classificado pelo presidente como “instituto tecnológico de referência”, o IMT foi escolhido pelo governo federal para conduzir pesquisas que avaliarão a viabilidade técnica da mistura de óleo diesel com biodiesel em percentuais mais altos, chegando a 25%, em vez dos 15% atualmente obrigatórios.

Tal iniciativa visa não apenas modernizar o setor energético, mas impactar diretamente na redução de emissão de carbono e melhoria da qualidade do ar. A proposta, que já foi divulgada pelo Ministério de Minas e Energia no mês passado, estabelece diretrizes técnicas que fundamentarão futuras decisões sobre o aumento na mistura obrigatória do biodiesel no Brasil.

Ao fazer um breve balanço sobre as conquistas do governo nos últimos três anos, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, também abordou as inovações energéticas do país. “O Brasil é o maior exportador de alimentos do mundo e de energia limpa. Nenhum país do mundo tem 32% de etanol na gasolina. Então, o Brasil dando um exemplo para o mundo. E, com os testes aqui, nós vamos poder avançar ainda mais”.

Fazendo alusão ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), lançado em 2004 por Lula, o ministro de Minas e Energias, Alexandre Silveira, destacou os avanços alcançados. “Hoje, o Brasil é o protagonista da transição energética e da descarbonização, graças àquela visão que o senhor teve”, disse Silveira, lembrando que no governo Lula 3 foi aprovada a Lei do Combustível do Futuro. 

“O Brasil se orgulha, presidente, de ter um líder como o senhor, que vê lá na frente, que vê a importância do fortalecimento da nossa indústria, da nossa economia e da nossa inclusão social”, ressaltou Silveira.

A guerra promovida pelos Estados Unidos com o Irã provoca impactos no preço dos alimentos, alerta Lula. Foto: Ricardo StuckertFoto: Ricardo Stuckert