As vozes femininas foram protagonistas neste sábado, 29, em Belo Horizonte (MG), no Ato Nacional Mulheres com Lula, que reuniu 7 mil participantes. Ministras, secretárias, parlamentares, militantes e beneficiárias de políticas públicas, reafirmaram o apoio à candidatura do presidente Lula, para que os avanços sigam em frente. Em diferentes falas, as participantes destacaram uma mesma perspectiva: políticas públicas transformam concretamente a vida das mulheres, quando o Estado assume a responsabilidade de garantir proteção e oportunidades.
“O Brasil quer as mulheres vivas, livres e sem medo”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes. Para ela, a criação do Ministério das Mulheres, em 2023, representa “o reconhecimento de que as mulheres são protagonistas da democracia, do desenvolvimento e da construção do futuro”.
Márcia também declarou que mais de 80 leis em defesa dos direitos das mulheres foram sancionadas por Lula e que o Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos em 2025.
Proteção para as mulheres
A secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, apresentou os resultados do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Segundo ela, em quase 200 dias de vigência, a medida reduziu em 15% os casos de feminicídio no país. Sheila ressaltou ainda que 80% das medidas protetivas de urgência são concedidas em menos de 24 horas e que quase 40 mil agressores foram presos nos últimos três meses.
Primeira mulher negra a comandar uma pasta no Ministério da Justiça em 203 anos de história, Sheila também destacou sua própria trajetória como resultado de políticas públicas. “Sou fruto de políticas públicas como o ProUni”, afirmou.
A presença do Estado na proteção às mulheres também foi destacada pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. Ela citou terrenos destinados à construção de mais de dez unidades da Casa da Mulher Brasileira, além de 30 creches e áreas para o Minha Casa, Minha Vida.
A ministra também destacou a reserva de 8% para mulheres em situação de violência em contratos terceirizados do governo, o incentivo a mulheres empreendedoras nas compras públicas e o crescimento da participação feminina na liderança do serviço público, que chegou a 42%.
Moradia para garantir autonomia
A política habitacional foi apresentada como parte de uma agenda mais ampla de autonomia das mulheres. A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que 2,1 milhões de casas foram entregues pelo Minha Casa, Minha Vida, com os imóveis no nome das mulheres.
Ela também citou mais de 3,5 mil creches e escolas em construção pelo Novo PAC e relacionou essas políticas à necessidade de reduzir a sobrecarga feminina.
“Nós estamos falando também de devolver tempo, tranquilidade, segurança e liberdade para todas as mulheres”, afirmou.
A discussão sobre tempo e trabalho apareceu também na fala da ministra da Cultura, Margareth Menezes, que se posicionou contra a escala 6×1 e chamou atenção para a dimensão da dupla jornada feminina.
“As mulheres chegam a trabalhar quase 64 horas por semana somando o trabalho remunerado aos afazeres domésticos e de cuidado”, afirmou. Margareth também destacou o impacto da economia criativa e afirmou que cada R$ 1 investido por meio da Lei Rouanet gera quase R$ 8 para a economia do país.
Saúde não é privilégio
Na saúde, a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, apresentou ações voltadas às mulheres, como o teleatendimento para vítimas de violência, a ampliação das cirurgias de reconstrução mamária pós-mastectomia, o Brasil Sorridente e a oferta gratuita do implante contraceptivo Implanon pelo SUS.
A força dessas políticas apareceu também no depoimento da professora Lua, que fez tratamento de câncer do colo do útero pelo SUS depois de ser identificada por uma agente comunitária de saúde. Ao falar com Lula, ela afirmou estar ao lado do presidente “por causa do seu olhar diferenciado” sobre as mulheres.
Igualdade para transformar vidas
O ato também deu visibilidade às desigualdades que atingem mulheres negras e outros grupos. A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros de Oliveira, destacou que mulheres negras representam mais de 60% das vítimas de feminicídio no país e citou a criação das futuras Casas da Igualdade Racial.
“Nunca se fez tanto pela igualdade racial neste Brasil como se fez nestes últimos anos”, afirmou.
A ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, destacou ações destinadas a mulheres idosas, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+ e pessoas em situação de rua, citando o Viver sem Limite, a Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ e o plano Ruas Visíveis. Também ressaltou o ECA Digital, voltado à proteção de crianças e adolescentes contra riscos e exploração no ambiente virtual.
Na ciência, a ministra Luciana Santos celebrou o fato de que meninas já são maioria nas bolsas de iniciação científica do CNPq e que cientistas-mães passaram a contar com prazos estendidos para concluir seus trabalhos em razão da parentalidade.
“Ciência é substantivo feminino!”, afirmou.
Na educação, a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba, lembrou a retomada de mais de 1,7 mil creches e 800 escolas de tempo integral que estavam paralisadas.
“Ninguém na história deste país fez mais do que Luiz Inácio Lula da Silva pela educação”, declarou.
Mulheres do campo: crédito, produção e terra
A agenda das mulheres rurais também foi apresentada como parte da transformação promovida pelas políticas públicas. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, anunciou a entrega de 132 mil quintais produtivos, a duplicação do crédito rural acessado por mulheres e a titulação de 57% das terras quilombolas no atual mandato. A fala da ministra resumiu a reivindicação das mulheres do campo e a resposta das políticas públicas:
“Mas as mulheres rurais não queriam só crédito, elas queriam terra! E foi terra que a gente entregou”, afirmou.
Ao final, a defesa da continuidade das políticas para as mulheres veio também de quem vive diretamente seus resultados. Maria, beneficiária do programa Asas do Futuro e mestranda na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), fez um pedido pela permanência das ações voltadas às mulheres na ciência:
“Eu quero a continuidade deste ministério e a continuidade desta política!”