10 respostas sobre o preço de combustíveis: o que Lula fez e quem apoia a guerra

Entenda as diferenças de atuação dos governos de Lula e Bolsonaro no mercado de combustíveis; litro da gasolina bateu quase R$ 9 na gestão anterior

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A resolução política da Comissão Executiva Nacional do PT, aprovada na segunda-feira, 16, destaca um ponto importante sobre a instabilidade no preço dos combustíveis que não pode ser esquecido pela população brasileira. Foi na gestão ineficiente do ex-presidente Jair Bolsonaro que o Brasil assistiu à maior explosão de preços já vista no país, quando o litro da gasolina chegou a quase R$ 9 em várias regiões do país. Agora, mais uma vez, a família Bolsonaro se recusa a proteger o povo brasileiro e se mantém alinhada à extrema-direita internacional, cujo projeto político alimenta uma escalada de conflitos e tensões.

Em contraste, o governo do presidente Lula tem adotado medidas concretas para impedir que as guerras e a especulação internacional recaiam diretamente sobre o bolso dos brasileiros.

A Rede PT de Comunicação destaca aqui 10 pontos, com perguntas e respostas, para você entender melhor a situação dos preços dos combustíveis.

Veja 10 pontos sobre o preço dos combustíveis:

1) O que está causando a instabilidade do preço de combustíveis no mundo?

A instabilidade atual tem origem principalmente na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que desestabilizou o Oriente Médio, região vital para a produção global de petróleo. O conflito direto e os ataques a infraestruturas estratégicas, como o Estreito de Ormuz e o terminal de Kharg, interromperam o fluxo de cerca de 20% do petróleo mundial. Esse risco real de desabastecimento faz o preço do barril disparar, abrindo espaço para forte especulação financeira e volatilidade no setor.

Esse cenário global afeta todos os países, mas seus impactos dependem das políticas adotadas por cada governo. Países que deixam o mercado agir sozinho tendem a repassar imediatamente os aumentos para a população. Já governos comprometidos com a proteção social buscam mecanismos para amortecer essas oscilações e evitar que crises internacionais penalizem os trabalhadores.

2) Quem promove a guerra e quem está ao lado dessa política da força?

Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no dia 28 de fevereiro. A partir daí, o conflito se escalou pelo Oriente Médio, com graves consequências econômicas e sociais. A família Bolsonaro sempre esteve alinhada politicamente ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump e ao primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, figuras centrais de um bloco político internacional que aposta na confrontação e na militarização da política global, ignorando o direito internacional e apelando para o uso da força.

O bolsonarismo apoia a escalada de tensões e guerras responsáveis por pressionar o preço do petróleo no mundo. Já o presidente Lula defende a paz mundial e o multilateralismo.

Flávio Bolsonaro com o Benjamin Netanyahu,
primeiro-ministro de Israel

Esse alinhamento ideológico conecta os Bolsonaro a uma agenda marcada por guerras e tensões em regiões estratégicas que elevam o preço do petróleo e acabam pressionando os combustíveis em todo o mundo. Esse cenário exige governos comprometidos em proteger a população, o que faltou ao Brasil na gestão de Jair Bolsonaro.

3) O que Lula faz para segurar o preço da gasolina e proteger o bolso do povo?

O governo Lula adotou uma série de medidas emergenciais para impedir que a alta internacional do petróleo seja automaticamente transferida para os consumidores brasileiros. Entre elas estão a zeragem de tributos federais como PIS e Cofins sobre o diesel e mecanismos de subsídio temporário para garantir estabilidade no abastecimento.

Além disso, o governo criou instrumentos fiscais para compensar perdas de arrecadação e evitar impactos nas contas públicas. A estratégia é clara: proteger o poder de compra da população, impedir que a inflação energética se espalhe pela economia e garantir que crises internacionais não sejam pagas pelos trabalhadores brasileiros.

Lula durante anúncio para zerar PIS/Cofins dos combustíveis

4) O que a privatização da BR Distribuidora no governo Bolsonaro tem a ver com isso?

Durante o governo de Jair Bolsonaro, a BR Distribuidora foi privatizada, retirando do Estado um instrumento estratégico de regulação do mercado de combustíveis. A empresa era um dos principais braços de distribuição da Petrobras e ajudava a garantir presença estatal em toda a cadeia de abastecimento. Ao abrir mão desse ativo, o governo Bolsonaro reduziu a capacidade do país de influenciar preços e políticas de abastecimento. Na prática, isso deixou o mercado mais exposto à lógica da especulação e diminuiu a capacidade do Estado de proteger consumidores em momentos de crise internacional.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a venda da empresa enfraqueceu a capacidade do país de regular o mercado e proteger o consumidor. “Foi um crime de lesa-pátria ao Brasil, aos brasileiros, desfazer da nossa BR Distribuidora”, afirmou. Já o ministro da Casa Civil, Rui Costa, tem destacado que a ausência de uma estatal na distribuição retirou do mercado uma referência importante para a formação de preços. “Mesmo com uma parcela menor do mercado, tínhamos uma referência de preço. Hoje não temos mais isso e o que percebemos em muitas cidades e capitais é abuso na prática de preços”, disse.

5) Qual é a diferença entre a política de Lula e a de Bolsonaro para os combustíveis?

A diferença está na postura diante da crise. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o extremista de direita chegou a afirmar que não interferiria na política de preços da Petrobras, mesmo quando a gasolina disparava e pressionava o custo de vida da população.

Já o governo Lula entende que uma empresa estratégica como a Petrobras precisa atuar em favor do país. Isso significa usar instrumentos de política pública para reduzir impactos das crises externas, garantir estabilidade econômica e proteger o bolso de quem vive do próprio trabalho.

6) Por que o preço da gasolina chegou a quase R$ 9 no governo Bolsonaro?

O preço disparou porque Bolsonaro adotou uma política que repassava automaticamente para o Brasil qualquer aumento do petróleo no mercado internacional, mesmo quando o país tinha capacidade de produção própria. Na prática, isso significou dolarizar o preço da gasolina para os brasileiros.

Sem medidas de proteção e sem vontade política para agir, Bolsonaro permitiu que a população arcasse sozinha com os efeitos da crise internacional. O resultado foi gasolina nas alturas, inflação pressionando alimentos e transporte e milhões de brasileiros vendo seu poder de compra despencar.

Donald Trump lado a lado com Jair Bolsonaro

7) Por que o governo Lula fala em soberania energética?

Soberania energética significa garantir que um país tenha capacidade de produzir, refinar e distribuir sua própria energia sem depender totalmente das oscilações do mercado internacional. Isso permite proteger a economia e evitar choques inflacionários provocados por crises externas. Ao adotar políticas de estabilidade de preços, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca justamente garantir que o Brasil utilize suas riquezas naturais para beneficiar a população, e não apenas para atender interesses especulativos.

Além disso, o Governo Lula também está empenhado em garantir uma transição energética, com uso de energia limpa. Na COP30, o presidente Lula defendeu um mapa do caminho para que o mundo possa eliminar, gradualmente, o uso de combustíveis fósseis, protegendo o meio ambiente.

8) Quem paga a conta quando um governo não protege o mercado de combustíveis?

Quando o governo se omite e deixa o mercado agir sozinho, quem paga a conta é a população. O aumento da gasolina encarece o transporte, pressiona o preço dos alimentos e acaba afetando toda a economia.

Foi o que aconteceu no período de Jair Bolsonaro, quando a política de preços da Petrobras foi mantida sem qualquer proteção social. O resultado foi um efeito em cascata no custo de vida dos brasileiros. A atual política do governo Lula busca justamente evitar que isso se repita.

9) Por que o governo Lula quer vigiar o preço nas bombas?

O governo ampliou a ofensiva contra cartéis para garantir que as quedas de preços cheguem efetivamente ao bolso do trabalhador. A ideia é evitar que o setor privado não utilize crises internacionais como pretexto para aumentar preços e penalizar a sociedade, sem ao menos respeitar a cadeia de consumo.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que o objetivo é proteger a soberania econômica e o consumidor: “O produtor que mantém seus custos de produção não pode, em virtude de um conflito externo que nada tem a ver com a economia brasileira, começar a auferir lucros extraordinários abusivos”.

10) O Brasil poderia ficar imune às crises internacionais de petróleo?

O governo deve adotar políticas para reduzir o impacto dessas crises, como o presidente Lula tem feito, a fim de evitar repasses automáticos da alta internacional ao consumidor final. No entanto, nenhum país está completamente imune às oscilações do mercado internacional de petróleo. Por se tratar de uma commodity global, o preço pode ser influenciado não só por guerras, mas por decisões dos grandes produtores. Apesar de ser produtor, o Brasil também importa petróleo e derivados, então este é um dos motivos também para que os efeitos do mercado internacional sejam sentidos aqui.

Da Rede PT de Comunicação.

Tópicos: