(*) Janaína Barbosa de Oliveira
No dia 29 de agosto, Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, é importante começar por uma pergunta: por que, ainda hoje, precisamos lutar para sermos vistas? A resposta está na vida cotidiana.
Mesmo quando conquistamos direitos, nós, mulheres lésbicas, continuamos invisibilizadas nas políticas públicas, nos espaços de poder, no mundo do trabalho, na saúde e, muitas vezes, até dentro dos próprios movimentos sociais. Mas, também, é importante reconhecer: o Brasil voltou a ter um governo que dialoga com a diversidade e que recolocou os direitos humanos e a participação social no centro da agenda pública.
Com o governo do presidente Lula, retomamos espaços institucionais, conferências, políticas de participação e a possibilidade de reconstruir uma agenda de direitos para a população LGBTQIA+ depois de anos de retrocessos, perseguição e abandono.
Isso importa.
Nenhuma democracia é completa quando parte da sua população precisa lutar diariamente para existir com dignidade. Mas não podemos nos acomodar. Avançamos, sim. Mas ainda estamos longe de onde precisamos chegar.
As mulheres lésbicas continuam enfrentando violência, discriminação, apagamento e desigualdades que muitas vezes nem aparecem nas estatísticas. Precisamos falar sobre acesso à saúde, autonomia econômica, violência, envelhecimento, maternidade, educação e, principalmente, sobre a nossa presença nos espaços onde as decisões são tomadas.
Visibilidade não pode ser apenas aparecer. Visibilidade precisa significar poder para decidir, formular políticas, disputar recursos e para ocupar os espaços da política e da sociedade.
E é exatamente nessa direção que a Secretaria Nacional LGBTQIA+ do Partido dos Trabalhadores vem atuando. Temos trabalhado para fortalecer a organização política da nossa comunidade, ampliar a participação LGBTQIA+ dentro do partido, dialogar com os movimentos sociais e contribuir para que a diversidade esteja presente não apenas nos discursos, mas também nas decisões e nos projetos para o futuro do Brasil.
A nossa tarefa é grande. É garantir que a população LGBTQIA+ seja reconhecida como sujeito político. É disputar políticas públicas. É ampliar nossa representação. É enfrentar todas as formas de violência e discriminação.
E, neste Dia da Visibilidade Lésbica, quero reafirmar: Nós não queremos ser lembradas apenas no dia 29 de agosto. Queremos estar presentes todos os dias, em todos os espaços onde o futuro do Brasil está sendo decidido.
Porque, quando uma mulher lésbica ocupa um espaço de poder, ela não chega sozinha. Ela abre caminho, questiona silêncios e ajuda a construir um país mais democrático e mais justo. A nossa visibilidade é resistência. A nossa organização é força. E a nossa participação na política é fundamental para transformar o Brasil.
Neste 29 de agosto, celebramos as nossas histórias, honramos as mulheres que vieram antes de nós e reafirmamos o nosso compromisso com o futuro. Um futuro em que nenhuma lésbica precise pedir licença para existir, amar, ocupar espaços e exercer plenamente os seus direitos.
Porque visibilidade é existir com direitos, representação, poder, e transformação.
(*) Secretária Nacional LGBT do PT