5 razões para Lula e o PT defenderem o fim da escala 6×1

Impactos diretos na saúde, estímulo à geração de empregos e resposta às demandas de mulheres e jovens estão entre os argumentos para a mudança na jornada

Letycia Bond/Agência Brasil

O envio, em regime de urgência, do projeto de lei que reduz a jornada de trabalho no Brasil recoloca no centro do debate nacional uma mudança histórica: o fim da escala 6×1, modelo que impõe ao trabalhador seis dias seguidos de esforço para apenas um de descanso. Defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), a proposta enfrenta uma lógica que, há décadas, prioriza o lucro em detrimento da qualidade de vida de milhões de brasileiros.

Encaminhado ao Congresso na terça-feira, 15, o texto propõe a substituição da atual jornada pelo modelo 5×2, garantindo dois dias de descanso semanal e reduzindo a carga horária de 44 para 40 horas semanais, sem qualquer redução de salários, pisos ou direitos. Trata-se de uma medida concreta para redistribuir ganhos de produtividade e valorizar quem move a economia no dia a dia.

A proposta também assegura ao menos 48 horas de descanso remunerado por semana e estabelece folga aos finais de semana ao menos uma vez a cada três semanas. Regimes especiais, como o 12×36, seguem permitidos, desde que respeitada a média de 40 horas semanais, preservando especificidades sem abrir mão de direitos.

Para tornar mais claro o debate, a Rede PT de Comunicação reuniu cinco pontos centrais que explicam por que o Brasil precisa virar essa página.

1. Trabalho digno é ter tempo para viver

A proposta parte de uma concepção defendida por Lula: o crescimento do país precisa se traduzir em melhores condições de vida para quem trabalha. “O trabalho dignifica e constrói o país, mas não pode separar mães e filhos”, afirmou o presidente em suas redes sociais.

Na prática, o fim da escala 6×1 busca devolver tempo aos trabalhadores para descansar, estudar e conviver com a família. A medida é apresentada como essencial para garantir qualidade de vida e fortalecer os vínculos sociais. Para Lula, a proposta é “um passo para um país mais justo e com mais qualidade de vida para todos”.

2. Mais descanso, menos exaustão

Dados reunidos pelo governo mostram que o atual modelo de jornada contribui para o adoecimento da população trabalhadora. De acordo com o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, o maior número em dez anos. Além disso, jornadas longas e com pouco descanso estão associadas a 745 mil mortes por ano no mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho.

A proposta também dialoga com a realidade de trabalhadores submetidos à escala 6×1: 67% deles afirmam não vislumbrar possibilidade de progresso profissional. O dado, do Observatório do Estado Social, evidencia um cenário de desgaste e falta de perspectiva para esse público. 

3. Economia forte com jornada justa 

O governo defende que o Brasil vive um momento favorável para avançar na redução da jornada. Em 2025, o país registrou taxa de desemprego de 5,6%,  a menor desde o início da série histórica da PNAD Contínua. Também foi registrado o aumento de 5,7% na renda média do brasileiro, que chegou a R$ 3.560 no fim de 2025.

O desenvolvimento da economia nacional dirante o Governo Lula também reforça a viabilidade da proposta. A prévia de crescimento do PIB em 2,5%, a inflação controlada em 4,26% e recorde de exportações, que atingiram US$ 349 bilhões trazem um cenário em que é possível equilibrar desenvolvimento econômico e ampliação de direitos, consolidando uma jornada de trabalho mais justa sem comprometer a atividade produtiva.

4. Redução da jornada pode gerar empregos

Apesar das críticas de setores contrários ao projeto, que apontam possíveis impactos negativos na economia, estudos técnicos indicam o contrário. A redução da jornada pode impulsionar a geração de empregos e dinamizar a atividade econômica no país.

Pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que a diminuição de 44 para 40 horas semanais pode gerar até 3,5 milhões de empregos no Brasil. Um levantamento da Unicamp sugere que uma redução ainda maior das jornadas poderia criar até 4,5 milhões de vagas e ampliar a atividade econômica em 4%

De acordo com uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de fevereiro, o impacto da aprovação da medida nos custos das empresas seria limitado, com efeito real inferior a 1%, sem impacto relevante sobre o emprego.

5. Demanda das mulheres, dos jovens e da sociedade

A redução da jornada de trabalho permeia os diversos grupos da sociedade, como as mulheres, que acumulam múltiplas jornadas entre trabalho formal, tarefas domésticas e cuidados familiares. O presidente Lula indica que a diminuição proposta tende a aliviar essa sobrecarga histórica.

No Brasil, muitas mães saem de casa para trabalhar cedo, com os filhos ainda dormindo. E voltam tarde com os filhos já na cama. Elas só têm 1 dia para descansar e cuidar da família. Isso não é justo. Por isso, estamos propondo um fim da escala 6 X 1, sem corte de salário. Vamos juntos. O Brasil é mais forte com as famílias unidas“.

Segundo levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da jornada de trabalho atual. A porcentagem se assemelha aos resultados do Datafolha, que apontam 71% de aprovação da população sobre a redução da escala de trabalho semanal.

Para apoiar o projeto e ajudar que ele seja aprovado, assine: www.brasilquermaistempo.com.br.

Da Rede PT de Comunicação.

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