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Temer quer vender até o rio São Francisco, denuncia Humberto

Humberto Costa acusa Temer de exigir dos Estados beneficiados que paguem pela água da transposição

Golpista Michel Temer inaugura obra da Transposição do Rio São Francisco em Monteiro (PB), obra feita por Lula e Dilma

O anúncio do Ministério da Integração Nacional de que irá privatizar as operações da transposição do rio São Francisco, feito na quarta-feira (30), foi duramente atacado pelo líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), que vê a iniciativa como um crime de lesa-pátria.

O plano do governo do presidente não eleito Michel Temer é concluir o modelo do negócio em 2018 e fazer com que os Estados beneficiados pelo empreendimento (Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba) paguem pela água.

Para Humberto, a privatização da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) é um ato criminoso contra a população, que vai acabar arcando com os custos finais da operação e não deverá ser contemplada a contento.

“A privatização do rio São Francisco atenta contra os interesses da nação e da empresa, cuja democratização nos governos Lula e Dilma Rousseff minimizaram os efeitos da seca na região. Temer que recupere o Brasil e o tire do banco de feira em que foi colocado, a partir do desmonte, do patrimônio retalhado, das terras vilipendiadas e de tudo o mais colocado à venda a especuladores”, afirmou o senador.

O parlamentar avalia que a venda do patrimônio público feito pelo governo para pagar a dívida pública e fazer caixa é uma fórmula fracassada. Segundo ele, a Europa adotou mecanismo semelhante no fim da década de 70 e isso a levou, nos anos 2000, a uma das piores crises desde o início do Século 20.

“A privatização do setor se mostrou absolutamente desastrosa ao Brasil nos governos do PSDB e, em Pernambuco especificamente, nos governos do PMDB e do DEM. A venda da Celpe no nosso Estado não melhorou a rede nem baixou as tarifas. Ao contrário, aumentou o custo da energia e, ainda hoje, as pessoas morrem eletrocutadas nas ruas do Recife com fios soltos e expostos pelo desleixo da companhia que a comprou”, disparou.

O líder da Oposição entende que fato idêntico ocorrerá com a privatização da Eletrobrás, que “Temer chama graciosamente de descotização”. Humberto lembra que a empresa, que conta com 47 hidrelétricas, 32,2% da capacidade de geração de energia do país e 50% das linhas de transmissão, recebeu R$ 400 bilhões de investimentos e o governo espera receber pouco mais de R$ 20 bilhões com a venda de suas cotas.

“É mais um escândalo escabroso de um governo vendilhão, que está entregando o Estado à iniciativa privada, terceirizando o país para ser administrado por especuladores”, destacou. O senador acredita que o país só irá estancar a “dilapidação do patrimônio público em marcha” derrubando Temer.

O plano golpista

A informação de que o governo quer privatizar as operações da transposição do Rio Francisco é do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, em entrevista exclusiva ao site Poder360. “É possível que haja uma gestão privada. Hoje é pública”, respondeu o ministro à pergunta do site questionando se a transposição poderia ser prejudicada pela falta de recursos do governo. De acordo com o ministro, o BNDES já estuda a modelagem.

“A obra, não. Já foi licitada toda a construção, e está em fase final, de entrega” – continuou o ministro Helder Barbalho. “Mas a operação, que custa em torno de R$ 500 milhões ao ano para o governo, pode ser concedida”, sinaliza o ministro. “Mas é uma decisão que ainda está sendo analisada, não foi consolidada”, diz. O formato ainda não foi definido, devendo ser concluído em 2018, segundo Barbalho. No entanto, diz ele, os Estados envolvidos terão que pagar pela água.

História da obra

A ideia de levar a água do Velho Chico a áreas distantes de seu leito nasceu no Império, em 1847, mas o País teve que esperar 170 anos para ver essa aspiração virar realidade. Até 2003, a Transposição do São Francisco era apenas tema de promessas eleitorais, sem nenhum um projeto executivo apontando para sua construção. A partir da posse de Lula, a obra secular ganhou corpo e, nos governos Lula e Dilma, foram empenhados 92,40% dos recursos para a obra – e, até o golpe, pagos 87,50% da execução das obras do projeto.

*Do PT no Senado