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PT cobra CPI diante de evidências da conexão dos bolsonaristas com Master

Senador Ciro Nogueira, que recebia mesada do banqueiro Daniel Vorcaro, foi apontado por Flávio Bolsonaro como "vice dos sonhos"

Operação da Polícia Federal revelou que Ciro Nogueira, ex-ministro de Bolsonaro, recebia meio milhão de mesada de Vorcaro.

A Bancada do PT na Câmara assinou o requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, com deputados e senadores, para apurar o escândalo financeiro do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso. Para o PT, o elo de Vorcaro com bolsonaristas, o que o partido chama de escândalo BolsoMaster, está cada vez mais evidente e precisa ser apurado.

O requerimento de criação da CPI Mista foi apresentado pelas deputadas Fernanda Melchiona e Heloísa Helena. Com número suficiente de assinaturas para a abertura da comissão – 181 deputados e 35 senadores –, o requerimento já foi protocolado e está sob análise da Mesa Diretora do Congresso. Para que uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito seja instalada, é preciso que o presidente do Congresso faça a leitura do requerimento, em sessão conjunta das duas Casas. Até que isso ocorra, novas assinaturas podem ser acrescentadas e/ou retiradas.

Além do apoio integral do PT da Câmara ao requerimento de Melchiona, o partido também assinou o requerimento do senador Rogério Carvalho (PT-SE) para apurar o caso do Banco Master em uma CPI. Esse requerimento está com 18 assinaturas. Portanto, é mentira o argumento da extrema direita que o PT não quer investigar o Banco Master. Reiteradas vezes, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o presidente Lula defenderam a investigação da fraude financeira do Master, doa a quem doer, e sem perseguições políticas.

Mesada de Ciro Nogueira, vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro

O líder do Governo Lula na Câmara, deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), voltou a cobrar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso do Banco Master após a Polícia Federal (PF) apontar que o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, recebia mesadas de até R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro.

Nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 7, mirou o senador bolsonarista, que acumula evidências de envolvimento no esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Em vídeo compartilhado no Instagram, Pimenta associa o escândalo do Banco Master ao governo de Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, disse que Ciro Nogueira, que preside o PP seria um “vice dos sonhos”.

“Eu acho que essa operação da Polícia Federal, ela acabou evidenciando, ainda mais, que esse ‘BolsoMaster’, ele tem conexões no coração do governo Bolsonaro. Afinal de contas, nós estamos falando do chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro. Nós estamos falando do presidente do Banco Central do governo Bolsonaro”, observa Pimenta. 

O deputado do PT afirma que o próprio ex-presidente Bolsonaro está enrolado no escândalo Master, assim como no assalto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e defende a instalação da CPI em “reposta à sociedade brasileira”.

“Para que, efetivamente, toda essa conexão política que envolve o Vorcaro e o ‘BolsoMaster’ possa vir a público e todos os envolvidos sejam identificados e possam ser, exemplarmente, punidos”, justifica Pimenta.

A chapa de Flávio Bolsonaro

Outros integrantes da Bancada do PT na Câmara também se manifestaram em relação à nova fase da Operação Compliance Zero. O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) publicou um vídeo, na rede social X, em que o pré-candidato à Presidência da República e senador, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixa claro que Nogueira seria um vice ideal na chapa dele.

“O ‘vice dos sonhos’ de Flávio Bolsonaro, o senador Ciro Nogueira, agora é alvo da PF no caso Banco Master. Mesada de R$ 300 mil, casa, cartão de crédito e banqueiro suspeito. O ‘BolsoMaster’ está mostrando o que havia por trás do discurso moralista do bolsonarismo”, expõe Zarattini

Grande acordão

Já o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) falou em “cheiro de um grande acordão” na rejeição pelo Senado do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) e na aprovação do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria pela Câmara.

“E aqui, nós denunciávamos, entre outros, nesse acordão, a presença de Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro e representação do Senado Federal, com a Presidência do Senado. Rejeitar o nome de Messias porque Messias poderia ser ministro que continuaria ou apoiaria as investigações contra o Banco Master”, declarou o líder do PT na Câmara dos Deputados.

Uczai prossegue: “Quando Ciro Nogueira apresentou a emenda para ampliar de R$ 250 mil, do FGC [Fundo Garantidor de Crédito], para R$ 1 milhão, para dar garantia a essa organização criminosa. Para ter mais investimentos no Banco Master, ele começou a receber até R$ 500 mil por mês de propina de Vorcaro. Olha aí os paladinos da moralidade: extrema direita corrupta, mercenária e golpista”, disparou.

Esquema do Centrão

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) destacou as mesadas vultosas recebidas por Nogueira. “A PF fez busca e apreensão na casa de Ciro Nogueira após mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro revelarem pagamentos de até R$ 500 mil por mês. André Mendonça [ministro do STF] foi claro: o mandato teria sido usado para atender aos interesses do Banco Master”, publicou o petista, no X.

“É o velho esquema do Centrão funcionando a pleno vapor: política a serviço do sistema financeiro enquanto o povo segue pagando juros, impostos e a conta da corrupção deles”, condenou Correia.

Da Rede PT de Comunicação