“Foi exatamente aqui, neste mesmo lugar, que as nossas vozes se levantaram em defesa das 40 horas semanais, pois os trabalhadores tinham 48 horas de trabalho. Não foi possível chegarmos até as 40 horas semanais, mas aqui trabalhamos a possibilidade de 44 horas semanais. Então, a nossa luta em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras não começa aqui, no dia de hoje”.
A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) resgatou, em plenário, na quarta-feira, 27, a trajetória histórica do movimento sindical e do Partido dos Trabalhadores na defesa dos direitos no Brasil. Benedita, que foi constituinte em 1988, lembrou que a luta pela dignidade dos trabalhadores brasileiros começou muito antes do debate atual sobre o fim da escala 6×1.
Ao recuperar a memória da resistência dos trabalhadores, Benedita destacou a presença histórica de lideranças do PT na construção da garantia de direitos sociais. Ela citou nomes como Luiz Inácio Lula da Silva e Lídice da Mata, que estiveram ao lado dos trabalhadores naquele momento decisivo da história do país.
“Foi no processo constitucional que garantimos outros direitos além da jornada de trabalho. Mas hoje o que nós defendemos, porque achamos um absurdo, 38 anos para que nós pudéssemos chegar aqui e conseguir, no dia de hoje, votar essa matéria tão importante para a mente do trabalhador, para o descanso do trabalhador e da trabalhadora”.
Segundo a parlamentar, a luta travada naquela época abriu caminho para conquistas fundamentais, como a redução da jornada de trabalho, o descanso semanal remunerado, o direito às férias e a valorização da carteira assinada.
Em defesa da família
A deputada chamou atenção para a realidade dura enfrentada por milhões de brasileiros e brasileiras submetidos à escala 6×1, modelo que sacrifica o convívio familiar e o tempo de descanso e denunciou a desumanização imposta pela lógica do excesso de trabalho. Em seu discurso, a deputada disse que, quem defende a família precisa apoiar medidas concretas que garantam dignidade e qualidade de vida para os trabalhadores.
“Os trabalhadores saem de madrugada e voltam tarde da noite e não têm tempo. Nem saber como [os filhos] vão na escola, nem poder participar de um momento em que a escola chama os pais para ali estarem. Aqueles que defendem a família devem votar para que a escala 6×1 nunca mais seja um problema na vida do trabalhador e da trabalhadora. Digno é o obreiro do seu salário”.
A parlamentar criticou setores da oposição que historicamente resistem ao avanço dos direitos trabalhistas e repetem o discurso de que ampliar direitos quebraria o Brasil. Ela lembrou que o mesmo argumento foi utilizado contra todas as conquistas sociais do povo brasileiro.
“Não vai quebrar. Foi assim a nossa luta para que nós tivéssemos o direito da carteira assinada, do salário pelo Getúlio Vargas e os direitos aqui nessa casa, os direitos de creche, o direito do descanso semanal. Acharam um absurdo que o trabalhador tivesse um mês de férias. Imaginem, mas quem nunca pegou no pensado não pode de forma nenhuma compreender que são dessas mesmas mãos que levantaram esse país”, concluiu a parlamentar.