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Ataques à Manuela d’Ávila reacendem alerta sobre violência política e misoginia

Petistas denunciam ação contra a candidata aliada ao Senado e afirmam que o ódio às mulheres não pode ser normalizado

Parlamentares e lideranças do PT prestam solidariedade a ataques contra Manuela D'Ávila nas redes sociais.Foto: Divulgação

Na semana em que oficializou sua candidatura ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Manuela d’Ávila (PSOL) voltou a ser alvo de uma onda de ataques nas redes sociais e de um episódio que lideranças políticas classificam como violência política de gênero. A reação de parlamentares e dirigentes do PT reforça um alerta antigo: a misoginia, o ódio a mulheres, continua sendo usada como instrumento para intimidar mulheres que ocupam espaços de liderança na política.

O episódio ganhou repercussão após Manuela denunciar, na segunda-feira, 27, uma imagem em que o deputado federal Luciano Zucco (PL), candidato ao governo gaúcho, aparece usando um adesivo com o rosto da ex-deputada riscado em vermelho, como se fosse um alvo. A peça traz ainda a inscrição “Anti-Manu”, em referência direta à candidata. O adesivo foi elaborado pela candidata à deputada federal Júlia Zardo (Novo-RS), que os distribuiu a apoiadores e outros candidatos nos últimos dias.

Em suas redes, Manuela d’Ávila ressaltou a sua indignação com a postura do candidato ao governo estadual, relembrando que ataques como esse fizeram com que ela se afastasse da política em 2022.

“O adesivo fala por si. O sorriso do candidato fala por si. São tantas as violências presentes nessa imagem que me dou o direito de não descrevê-las. Vocês podem senti-las. Eu sei”, declarou.

A denúncia mobilizou parlamentares, dirigentes petistas e aliados, que classificaram a ação como uma manifestação de ódio político e de violência contra as mulheres, especialmente em um estado que convive com índices elevados de feminicídio.

Um histórico de perseguições e violência política

Os ataques sofridos por Manuela não são um fato isolado. Desde a campanha presidencial de 2018, quando foi candidata à Vice-Presidência da República na chapa com Fernando Haddad (PT), a ex-deputada tornou-se um dos principais alvos da máquina de desinformação da extrema direita.

Naquele ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de 33 links do Facebook que disseminavam notícias falsas contra Manuela. Juntas, as publicações ultrapassavam 5 milhões de visualizações e somavam mais de 146 mil compartilhamentos.

Os ataques persistiram nos anos seguintes. Um levantamento do MonitorA, projeto desenvolvido pela Revista AzMina em parceria com o InternetLab, apontou que, entre os dias 15 e 18 de novembro de 2020, Manuela foi a segunda mulher da política mais atacada nas redes sociais entre as lideranças analisadas, concentrando cerca de 90% das menções negativas.

Após enfrentar sucessivas campanhas de desinformação e violência política, Manuela decidiu não disputar cargos eletivos em 2022. Agora, de volta à vida pública, volta a enfrentar ataques semelhantes aos registrados ao longo de sua trajetória.

Solidariedade e denúncia da violência política

O deputado federal e também candidato ao Senado, Paulo Pimenta (PT-RS), também relacionou o episódio ao histórico de perseguições sofridas por Manuela desde 2018.

“A violência contra as mulheres sempre tem, na violência verbal, a primeira atitude, que normalmente serve como um estímulo para a violência das redes, para a violência física, para a violência contra as famílias, para a violência contra as mulheres de uma forma geral”, ressaltou. “A Manuela não está sozinha. Nós estamos todos juntos com ela e vamos denunciar todo tipo de ataque, todo tipo de perseguição, todo tipo de violência. A política deve ser feita com respeito, com tolerância, sem ódio e sem rancor”.

Já a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que o episódio representa uma agressão não apenas contra Manuela d’Ávila, mas contra todas as gaúchas. Para ela, transformar o rosto da única candidata ao Senado em um alvo, justamente em um estado marcado pelos altos índices de feminicídio, é uma demonstração de violência e desrespeito.

“Nesta hora, nós somos todas Manuela. Quando uma de nós é atingida, quando uma mãe como ela é atingida, como uma mulher que se destaca pela sua luta, pela sua crença, pelo que acredita, por se expor e colocar diante do mundo aquilo que propõe de melhor, colocando sua vida para defender a todas, é atacada, todas nós nos levantamos”, afirmou a parlamentar.

 

Outros parlamentares do Congresso Nacional também se manifestaram. Denise Pessôa (PT-RS) afirmou que a imagem utilizada pelo candidato bolsonarista transforma simbolicamente uma mulher em alvo e reforça a violência política de gênero. “Isso não atinge só a Manu, atinge todas nós. É violência política de gênero, é misoginia, é ódio contra nós mulheres”.

Na mesma linha, o deputado federal Marcon (PT-RS) declarou que o episódio não pode ser tratado como um caso isolado, mas como parte de uma estratégia recorrente de intimidação contra mulheres que exercem liderança política. “Faz parte de uma prática recorrente do bolsonarismo, que tenta intimidar, desrespeitar e silenciar mulheres que ocupam espaços de liderança na política. A democracia exige respeito. Não podemos normalizar a violência política, muito menos quando ela tem como alvo as mulheres”, disse o parlamentar em suas redes sociais.

Defesa da democracia e da participação das mulheres

O secretário-geral nacional do PT, Henrique Fontana (PT-RS),destacou que a democracia pressupõe respeito às diferenças e condenou o uso da intimidação como instrumento político. “A democracia se fortalece com respeito, coragem e diálogo, nunca com intimidação ou ataques contra mulheres que ocupam a política. Eles trabalham para eliminar o adversário, para transformar o adversário em inimigo. E por isso mais esse ato de agressão às mulheres”.

O candidato a vice-governador do Rio Grande do Sul, Edegar Pretto (PT-RS), também manifestou apoio à candidata ao Senado e afirmou que a extrema direita tenta esconder, durante a campanha, o machismo que demonstra na prática.

“De um lado, a coragem de mulheres que enfrentam o ódio sem baixar a cabeça, como a Manuela. Do outro, o machismo, a covardia e a violência de quem tenta calar mulheres por meio da intimidação. Estamos contigo, Manu. Nesta eleição, a extrema direita tem falado em combate aos feminicídios como tática eleitoral, mas não consegue esconder o machismo que carrega”, afirmou.