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Lei sancionada por Lula pode salvar vidas de mulheres vítimas de infarto

Mulheres negras, pobres e moradoras de regiões com menor IDH estão entre as mais afetadas pela mortalidade cardiovascular no país

Foto: freepik

A lei sancionada pelo presidente Lula nesta semana, com protocolos padronizados para o atendimento de urgências cardiovasculares no Sistema Único de Saúde (SUS). tem impacto sobretudo na vida das mulheres, mais vulneráveis ao risco de morte após complicações cardiovasculares.

Segundo dados do DataSUS, uma mulher morre a cada 11 minutos por infarto no país, o que equivale a cerca de 130 óbitos diários. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o infarto mata mais mulheres do que o câncer de mama. Estima-se que ocorram em média 200 mortes diárias de mulheres devido a doenças cardiovasculares, sendo o infarto agudo do miocárdio uma das principais causas.

Outro dado relevante é que, quando analisado o fator financeiro, o impacto é desigual. Mulheres que vivem em regiões periféricas ou de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) sofrem e morrem mais por problemas vasculares do que as mulheres de alta renda. As estatísticas do Ministério da Saúde indicam, ainda, que as mulheres negras e pardas são as maiores vítimas de AVC e infarto. O risco de morte chega a ser consideravelmente maior para mulheres negras em idade fértil, evidenciando o impacto do racismo estrutural no acesso à saúde de qualidade.

SUS melhor para todos

Os serviços de urgência e emergência, incluindo as UPAs, já previam o uso de trombolíticos para realizar esse primeiro socorro quando necessário, no entanto, a aquisição desses medicamentos era somente realizada pelos gestores locais. Com a sanção, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou a portaria que institui um Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes que irá ampliar a disponibilidade desses medicamentos na rede, nacionalmente.

A medida também prevê o aprimoramento da infraestrutura diagnóstica da rede de urgência, com melhorias na realização e interpretação de eletrocardiogramas e na padronização de exames de enzimas cardíacas. A aplicação dos medicamentos, no entanto, dependerá de critérios técnicos que serão regulamentados pelo Ministério da Saúde.

A lei entra em vigor 180 dias após sua publicação oficial.

Da Redação do Elas por Elas.