Edinho reforça diferenças com Bolsonaro: ‘Quem pediu apuração de fraudes foi Lula’

Em entrevista, presidente do PT fala dos casos Master e INSS e destaca iniciativas do petista para investigar e combater corrupção

Reprodução/Site PT

Presidente do PT, Edinho Silva, fala da importância das eleições 2026 para a democracia brasileira.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reiterou, em entrevista à TV Record, que o chamado “caso Banco Master” deve ser investigado com rigor e atribuiu sua origem a decisões tomadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e à gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central.

“Se o Banco Master existe, a responsabilidade é do governo Bolsonaro e do Campos Neto e a Polícia Federal precisa investigar”, declarou. Segundo ele, a apuração dos fatos foi uma iniciativa do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também determinou as investigações sobre fraudes no INSS.

“Quem pediu para que todas as fraudes fossem apuradas foi o presidente Lula”, reforçou, ao defender que há uma diferença de postura entre o atual governo e o anterior no combate à corrupção.

Edinho também comentou as tentativas de associar o nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, às denúncias, afirmando que não houve comprovação de irregularidades. “O sigilo bancário foi quebrado e nenhum vínculo foi confirmado”, disse, acrescentando que o mais importante é o fato de o próprio presidente ter solicitado a apuração. Para ele, esse movimento demonstra compromisso com transparência e fortalece a narrativa de que o governo busca esclarecer os fatos.

Postura de democrata

Ao longo da entrevista, o dirigente petista destacou que a candidatura de Lula à reeleição em 2026 seguirá os ritos partidários. “Ele tem a postura de um democrata, de alguém que respeita a convenção partidária. Vai oficializar a candidatura na convenção do PT e dos partidos aliados”, afirmou.

Edinho defendeu que Lula é hoje a principal liderança brasileira com capacidade de interlocução internacional em um cenário global instável. “Na nossa avaliação, ele é a única liderança, neste momento de tamanha turbulência, de conduzir o Brasil, num ambiente internacional que exige alguém com condições de dialogar com outros líderes mundiais”, disse, citando o respeito ao presidente na ONU e sua capacidade de negociação num cenário global de tensões, disputas comerciais e econômicas.

O presidente nacional do PT também criticou setores ligados ao bolsonarismo ao abordar temas estratégicos, como a exploração de terras raras. “A família Bolsonaro defende entregar as terras raras para o Trump. Qual é a liderança mais preparada para manter o Brasil na reconstrução das políticas públicas e levar o país para o futuro?”, questionou, ao defender que esses recursos devem ser utilizados como base para o desenvolvimento tecnológico nacional.

No campo político, Edinho afirmou que o PT está disposto a construir alianças amplas nos estados, inclusive abrindo mão de candidaturas próprias para fortalecer a reeleição presidencial. Segundo ele, partidos de centro como MDB, PSD e União Brasil podem compor palanques regionais, mesmo sem alinhamento nacional.

“Estamos diante da eleição mais importante da nossa história. Precisamos derrotar o pensamento autoritário que está presente no Brasil e no mundo”, declarou, associando o pleito de 2026 à defesa da democracia e à continuidade de políticas públicas que, segundo ele, retiraram o país do mapa da fome, reduziram o desemprego e melhoraram a renda.

Reformas estruturais

Sobre o Supremo Tribunal Federal, Edinho defendeu a relação institucional entre o Executivo e a Corte e elogiou a atuação do ministro Alexandre de Moraes durante os atos de 8 de janeiro. “Cumpriu um papel fundamental na defesa da democracia. Se aquilo tivesse avançado, havia previsão de assassinato de lideranças da República”, afirmou. Ele também mencionou que o próprio Lula tem defendido que episódios como o caso Master não comprometam a imagem do Judiciário.

Ao projetar um eventual quarto mandato de Lula, o presidente do PT destacou a necessidade de reformas estruturais. Defendeu mudanças no sistema eleitoral, com adoção do voto em lista, e uma reforma no Judiciário para “acabar com privilégios e penduricalhos” e aproximar o sistema da sociedade. Na economia, criticou a taxa de juros elevada. “Precisamos caminhar de forma responsável para a redução da taxa de juros. Ela está prejudicando a vida do povo brasileiro”, afirmou, defendendo também melhoria na qualidade do gasto público.

Entre as prioridades, Edinho citou a continuidade da geração de emprego e distribuição de renda, programas de combate à violência e à corrupção, e investimentos em áreas estratégicas como transição energética e tecnologia. “Queremos que a família brasileira recupere sua capacidade de consumo e que o Brasil seja um país respeitado mundialmente”, concluiu.

Assista à entrevista na íntegra:

Rede PT de Comunicação.

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