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Parlamentares criticam hipocrisia e oportunismo do PL, que muda discurso sobre 6×1

Partido de Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, que trabalhou para bloquear a votação da redução da jornada de trabalho, agora diz que é a favor da 4x3

Foto: Site PT

A mudança de última hora do PL e de parlamentares bolsonaristas sobre o fim da jornada de trabalho no esquema 6×1 (com apenas um dia de folga na semana) foi criticada por parlamentares da base governista nesta quarta-feira, 27, na comissão especial da Câmara que analisa a redução da jornada de trabalho.

 Pressionado pelo forte apoio da sociedade brasileira à redução da jornada, o partido do senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência, e do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentou um destaque ao texto que está sendo apreciado, e passou a defender uma jornada 4×3. A estratégia do partido é encontrar um discurso para a candidatura de Flávio Bolsonaro e evitar o desgaste de votar abertamente contra o tema.

 “O povo brasileiro não acredita em tanta mentira. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está fazendo escola com vocês”, ironizou o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC). 

 Os bolsonaristas já tinham tentado, inclusive, apresentar uma emenda que previa uma transição de 10 anos para a redução da jornada passar de 44 horas semanais para 40 horas semanais. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, deu várias declarações dizendo que o partido trabalharia para barrar a votação da redução da jornada de trabalho.

 “Eles [do PL] estão igual biruta de aeroporto”, ironizou o deputado Fernando Mineiro (PT-RN), que lembrou as tentativas do partido de Bolsonaro de obstruir a votação. “É uma manobra para tentar dividir os votos que estão consolidados”, criticou Mineiro.

 O deputado federal Chico Alencar (PSOL/RJ) destacou “o cinismo, a hipocrisia e o oportunismo” do PL. “Pediram vistas, propuseram a transição de 10 anos, sempre falaram contra a redução, e ao fim propõem a 4×3”, disse Alencar. Ele fez uma comparação da postura dos parlamentares da extrema direita bolsonarista com os cafeicultores monaquistas que, no século 19, “subitamente viraram republicanos”.

 “Ora, o povo não é trouxa, o povo não é bobo. Nós queremos o fim da jornada 6×1 com a adoção da 5×2, para que os trabalhadores possam descansar e ficar com suas famílias”, afirmou Uczai, acrescentando que 77% dos jovens brasileiros apoiam o fim da escala atual. “A extrema direita é inimiga dos jovens que querem 5×2 para trabalhar e estudar”, disse o líder.

 O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi vaiado por colegas ao tentar defender, na comissão especial, a mudança repetina do partido. Ele afirmou que nunca deu nem uma declaração contra a redução da jornada.