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PT rebate argumentos alarmistas de empresários sobre o fim da escala 6×1

Entidades empresariais preveem cenários econômicos catastróficos caso a proposta seja aprovada e deputados fazem contraponto

Os deputados Reginaldo Lopes e Alencar Santana, ambos do PT, fizeram poderações em audiência.

Deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) reagiram às previsões alarmistas apresentadas por entidades empresariais durante a última audiência da Comissão Especial da Câmara que aprecia a proposta de emenda constitucional sobre o fim da escala 6×1, na segunda-feira, 18. Os empresários presentes apontaram riscos de aumento do desemprego, repasse de custos ao consumidor e dificuldades de adaptação do setor produtivo.

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) rebateu os argumentos pessimistas. Na avaliação do parlamentar, autor de proposta que versa sobre a redução da jornada de trabalho, o Brasil reúne plenas condições para avançar na mudança.

“Eu acredito mesmo que a sociedade brasileira e todos os setores econômicos estão preparados, em especial, para o fim da escala 6×1 e também para a redução da jornada”, defendeu.

Reginaldo disse que o texto em debate mantém espaço para negociações coletivas e permite adequações entre trabalhadores e empresas. Ele observou que os acordos coletivos continuarão sendo instrumentos importantes para organizar diferentes formatos de jornada.

“O fortalecimento dos acordos coletivos também nós vamos colocar expresso na Constituição. Os acordos poderão, sim, combinar as escalas, dentro do novo preceito de 40 horas e do direito aos dois dias de descanso”, explicou o parlamentar.

Qualidade de vida

Aos empresários, Reginaldo afirmou que a redução da jornada de trabalho vai impactar diretamente a realidade das mulheres. Segundo o petista, trata-se de uma demanda social ligada à qualidade de vida e ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

“Essa é uma matéria onde a sociedade está pedindo mais um tempo para a vida pessoal, mais um dia para resolver as questões, seja no banco, seja na vida pessoal, seja familiar, seja nas escolas dos filhos. É uma matéria muito feminista. É uma matéria que ajuda as mulheres que são as mais prejudicadas pela estrutura machista da sociedade brasileira. Nós, homens, precisamos fazer uma ampla reflexão sobre isso”, considerou Reginaldo.

O parlamentar alertou também para os custos sociais do atual modelo de trabalho. O aumento dos afastamentos relacionados à saúde mental e doenças ligadas ao trabalho, ponderou, pressiona o sistema previdenciário e pode comprometer a força de trabalho no futuro.

“Esse déficit previdenciário tem ampliado pelo adoecimento do trabalhador brasileiro. Tivemos um afastamento psicossocial de 474 mil trabalhadores em 2024 e agora mais de 540 mil. Se isso continuar, podemos ter um apagão de mão de obra”, contabilizou o deputado do PT.

Debate antigo

O presidente da Comissão Especial, deputado federal Alencar Santana (PT-SP), foi outra liderança do partido que se encarregou de rechaçar o cenário alarmista antevisto pelos empresários. Alencar lembrou a todos que o debate sobre a redução da jornada de trabalho não é recente. “A primeira proposta é de 2019. No Senado, há proposta desde 2015. Esse debate já vem sendo realizado há bastante tempo”, afirmou.

O deputado ainda sustentou que a redução da jornada foi adotada em outros países sem os efeitos negativos anunciados na reunião. “Não é uma mudança tão drástica e tão dura, e não é algo radical garantir esse direito a mais ao trabalhador. A sociedade brasileira terá reflexos positivos e o mundo econômico vai conseguir se adaptar”, declarou Alencar.

Da Rede PT de Comunicação.