O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 25, que lideranças da extrema direita, em diferentes partes do mundo, veem a educação como uma ameaça justamente por seu potencial transformador.
“Em várias partes do mundo, a extrema direita não tolera a autonomia das universidades. Querem calar professores e estudantes e coibir a diversidade. Negam a ciência, censuram as artes e transformam as salas de aula em instrumento de dominação”, declarou Lula durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado em Brasília (DF).
O evento, que acontece entre os dias 25 e 27 de maio, reúne representantes de universidades brasileiras e africanas com o objetivo de fortalecer a cooperação no ensino superior e ampliar as oportunidades de integração acadêmica, científica e tecnológica entre o Brasil e países do continente africano.
“A extrema direita teme a educação porque sabe que é onde nasce a consciência. O pensamento crítico caminha lado-a-lado com a luta anticolonial e o combate ao racismo, à misoginia, à xenofobia e todas as formas de discriminação”, ressaltou o presidente.
Lula também afirmou que desigualdades sociais e econômicas são consequência de escolhas políticas e não apenas de fatores naturais. “A fome e a pobreza não são apenas resultado da escassez ou de fenômenos naturais. São produtos, sobretudo, de decisões políticas, que perpetuam a exclusão de grande parte da humanidade”, declarou.
Ao defender a valorização do ensino e da cultura africana, o presidente destacou a importância da continuidade da troca de experiências e conhecimentos. “O Brasil tem o que ensinar, mas o Brasil também tem o que aprender. Da mesma forma que nós temos a ideia de levar cursos à distância para formar profissionais africanos, nós temos interesse de que a África venha para cá com cursos à distância para nos ensinar sobre o que acontece na África e sobretudo a história e a grandeza do continente africano, tantas vezes esquecido pelos seus invasores”.
“Educação é ferramenta para a superação”
Além de defender a educação como instrumento de emancipação social, Lula afirmou que o fortalecimento da cooperação entre países do Sul Global pode transformar realidades marcadas pela desigualdade e pelo colonialismo. Segundo o presidente, o Brasil possui uma dívida histórica com o continente africano e precisa aprofundar os compromissos de integração nas áreas da ciência, tecnologia e formação acadêmica.
“Essa reunião está acontecendo tardiamente. O Brasil jamais deveria deixar de assumir seus compromissos com o continente africano”, declarou. Lula também ressaltou que a África representa “juventude, inovação e diversidade” e elogiou o papel da União Africana na construção de uma trajetória de “resistência, soberania e afirmação internacional”.
Durante a cerimônia de abertura, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, e o presidente substituto da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Antonio de Souza Filho, assinaram o termo de compromisso do programa CAPES Move África. A iniciativa do Governo Federal prevê investimento de até R$ 47,4 milhões para trazer 2,6 mil pós-graduandos africanos ao Brasil até 2027, por meio de bolsas de mestrado e doutorado sanduíche.
Lula classificou a iniciativa como uma ação de “reparação histórica” e destacou que o intercâmbio educacional é estratégico para o desenvolvimento conjunto entre Brasil e África. Atualmente, segundo o Governo Federal, já existem 235 acordos de cooperação entre universidades brasileiras e africanas, envolvendo instituições de 38 países.
“Menos de 7% terminavam o ensino superior”
Ao abordar os avanços no acesso ao ensino superior no Brasil, o presidente relembrou a expansão universitária promovida nos governos petistas e a criação de políticas de inclusão, como as cotas raciais e sociais. “Menos de 7% da população terminava o ensino superior. Foi preciso que um metalúrgico, sem diploma universitário, chegasse ao poder para mudar esse cenário de esquecimento”, afirmou.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, reforçou que a aproximação entre Brasil e África representa um novo momento nas relações internacionais voltadas ao ensino e à produção científica. “O conhecimento é o caminho seguro para a redução das desigualdades, não apenas locais, mas também globais”, afirmou. “A cooperação entre Brasil e África não é de hoje, mas hoje ela ganha um novo impulso.”
Em sua fala, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, ressaltou que o acesso e permanência no ensino deve ser para todos e que investir nessa frente cria um futuro de dignidade para a população. “Sabemos que a educação superior tem um papel estratégico na construção de soluções compartilhadas para os desafios globais”, disse.