Foco da guerra religiosa imposta por Jair Bolsonaro (PL) e a extrema-direita conservadora ao Brasil – a exemplo do que acontece nos EUA – o eleitorado evangélico é, na véspera da eleição mais importante desde a redemocratização do país, a base que dá sobrevida ao atual presidente em meio a uma tentativa desesperada de evitar uma vitória de Lula (PT) já no primeiro turno da disputa presidencial, que acontece neste domingo (2).
Em entrevista à Fórum, Luís Sabanay, pastor e uma das lideranças cristãs mais próximos da campanha de Lula, diz que “os evangélicos foram, sem dúvida, o nosso maior desafio, sabendo do investimento e mobilizações massivas em torno deste segmento pela campanha de Bolsonaro”.
O Datafolha projeta que 26% dos eleitores brasileiros sejam evangélicos – ante 52% de católicos, onde Lula lidera. Não há, no entanto, uma estimativa oficial diante do apagão do Censo promovido por Bolsonaro. A influência desses votos será conhecida nas urnas neste domingo.
O esforço hercúleo da campanha petista para explicar a avalanche de fake news e discurso de ódio imposto pelos pastores midiáticos, comandados por Silas Malafaia, garantiu o voto de 30% desse eleitorado – frente a cerca de 50% de Bolsonaro – segundo as mais recentes pesquisas.
“A estratégia de não entrar na “guerra religiosa” e na “instrumentalização da religião” com fins eleitorais, além do caminho do debate político e de propostas econômicas e sociais, com frentes de comunicação nas redes e a mobilização da base social, militante no segmento evangélico, associado às denúncias de violência, combate às mentiras e publicação de panfletos, foi acertada”, avalia Sabanay, que destaca ainda o encontro de Lula com lideranças evangélicas no dia 9 de setembro “em local público com representação da diversidade evangélica e de periferia no município de São Gonçalo”, no Rio de Janeiro.
Para ele, a estratégia, juntamente com testemunhos públicos de fiéis, pastoras, pastores e ministros das igrejas, fez com que Lula conseguisse barrar o avanço de Bolsonaro entre os evangélicos.