‘Brasil cansou de ser tratado como invisível’, diz Lula na Alemanha

O presidente afirma que país está pronto para liderar a transição energética e a produção de alimentos com sustentabilidade e paz

Ricardo Stuckert/PR

Lula, na Feira Industrial de Hannover, Alemanha, comemora uso de biocombustíveis por caminhões.

“O Brasil é um país que cansou de ser pequeno. Cansou de ser tratado como um país do terceiro mundo ou como um país invisível.” Esse foi o tom que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva imprimiu ao seu discurso nesta segunda-feira, 20, ao inaugurar o pavilhão brasileiro da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha. Lula defendeu o protagonismo brasileiro em energia limpa, inovação industrial e cooperação tecnológica com a Alemanha. 

“Nós, no Brasil, estamos dispostos a deixar de ser um país em vias de desenvolvimento e queremos nos tornar um país desenvolvido. E não jogaremos fora as oportunidades da transição energética que está colocada para o mundo”, afirmou.

Durante intervenção na 42.ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, Lula destacou exemplos da Petrobras e Embraer como empresas de potencial, com base intelectual e tecnológica, com capacidade de produzir inovação de forma competitiva para o mundo, afirmando que  o Brasil busca parcerias estratégicas que respeitem sua soberania e sua capacidade de produção.

“Temos uma boa base intelectual, nós temos uma boa base tecnológica, nós temos empresas extraordinárias como a Petrobras, nós temos empresas como a Embraer, que é a terceira maior produtora de avião do mundo. E nós temos a capacidade de compartilhar com a Alemanha coisas em toda a América do Sul. E por que não dizer, a gente começar a olhar para o continente africano”, prosseguiu.

O presidente também indicou a área da saúde como outra importante via de cooperação empresarial entre os países, lembrando que o Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes a manter rede de atendimento de saúde gratuita para toda a população, o SUS. 

“O Brasil é o primeiro país do mundo, é o único país do mundo, com mais de 100 milhões de habitantes, que tem um sistema de saúde universal, em que é gratuito para 215 milhões de brasileiros. É um exemplo para o mundo. E o poder de compra desse sistema de saúde pode ser trabalhado muito conjuntamente com as empresas alemãs”, declarou.

Lula discursa na Hannover Messe: “Brasil não quer ser invisível”

“Ninguém come gasolina”

O Brasil tem, de acordo com o presidente, condições de colaborar com o fim da insegurança alimentar global, sem perder a capacidade de produzir combustíveis limpos. 

Lula enfatizou o protagonismo brasileiro na produção de biocombustíveis e citou demonstrações realizadas durante a Feira Industrial de Hannover, incluindo o desempenho de caminhões movidos a biodiesel brasileiro, que combinam potência com redução expressiva de emissões.

“Os brasileiros construíram, desde os anos 70, uma trajetória pioneira em biocombustíveis. O nosso etanol, de cana-de-açúcar, produz mais energia por hectare plantado, tem uma das menores pegadas de carbono do mundo e reduz emissões de até 90% em relação à gasolina. Hoje, na Feira de Hanôver, vimos na prática a força do biocombustível brasileiro”, destacou.

O compromisso do Brasil, afirmou o presidente, é recuperar 40 milhões de hectares de terras degradadas até 2030, que serão utilizadas para o plantio de alimentos. “Os alemães não podem acreditar na mitologia dita por alguns que são contra a inovação tecnológica na área de combustível, de que o combustível brasileiro atrapalha a produção de alimentos”, alertou.

“Ninguém seria louco de substituir a produção de comida por produção de biodiesel. Ninguém come biodiesel. Ninguém come gasolina; as pessoas comem comida. O Brasil tem 40 milhões de hectares de terras degradadas que podem ser recuperadas para plantar o que quiser”.

Após a abertura do pavilhão brasileiro, Lula visitou estandes de empresas brasileiras como WEG, BE8, Vale, Volkswagen Brasil, Embraer e Bayer Brasil.

Paz: uma urgência

Em um cenário global de fragmentação e conflitos armados que desestabilizam a economia e os fluxos comerciais, Lula reiterou, ainda,que o Brasil é um porto seguro para quem defende a estabilidade. O presidente vinculou o crescimento econômico à defesa de valores fundamentais, como a manutenção da paz mundial.

“Sejam bem-vindos aqueles que querem defender a democracia e sejam bem-vindos aqueles que querem defender o multilateralismo e a paz”, convidou.

Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Gov.

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