Com desemprego e corte do auxílio, alta do custo de vida massacra os mais pobres

“O governo poderia usar estoques estratégicos de alimentos para segurar a alta dos preços e investir na agricultura familiar”, defende a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann. “Sem renda do trabalho, com auxílio pela metade e com alimentos subindo, o impacto na vida das pessoas mais pobres é muito forte”, adverte o economista Bruno Moretti

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Alta do custo de vida atinge os mais pobres

Divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA de agosto, o índice oficial de inflação no país, é o maior para o mês desde 2016. Os indicadores desdobrados mostram que os alimentos sofreram os maiores aumentos de preços. De acordo com o próprio IBGE, as famílias de baixa renda são as mais atingidas com as altas das tarifas. Um retrato esperado da administração do presidente Jair Bolsonaro, que governa para os bancos e para o agronegócio.

As maiores altas atingiram exatamente os alimentos básicos mais consumidos pelos brasileiros. A tradicional dobradinha arroz e feijão acumula aumentos, respectivamente, de 19,25% (arroz) e até 30% (feijão), dependendo da região do país. O tomate subiu 12,98%; o óleo de soja, 9,48%; e o leite longa vida, 4,84%. A carne, a gasolina e o transporte também pesaram no bolso dos trabalhadores e do povo.

Diante do quadro, sem alternativa para conter a alta dos preços, o governo se limita a tentar se explicar em lives e discursos vazios. Nesta terça-feira, 8 de setembro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, apelou para Deus e sugeriu que o povo espere por uma solução em 2021. “Se Deus quiser, vamos ter uma super safra no ano que vem”, disse a ministra. Na semana passada, Bolsonaro recorreu ao “patriotismo” dos grandes donos de supermercados para baixar os preços. Para o vice-presidente, general Hamilton Mourão, a culpa do aumento dos preços é do povo, que está comendo demais durante a pandemia.

O povo não tá conseguindo comprar 1 kg de arroz. O preço não para de subir. Enquanto isso a prioridade do governo são os grandes fazendeiros que recebem subsídio pra exportar soja e milho.

Lula

Sem renda e auxílio pela metade

O aumento dos preços dos alimentos ocorre em um cenário de brutal desemprego e perda de renda dos trabalhadores. No momento, são 40 milhões de pessoas desempregadas ou que não procuraram trabalho, mas gostariam de ter algum tipo de ocupação ou emprego. No segundo trimestre, a taxa de desemprego atingiu 13,3%, a maior para o período, sinalizando piora do mercado de trabalho neste segundo semestre. Para piorar a situação, o governo cortou o auxílio emergencial, reduzindo de R$ 600 para apenas R$ 300.

O descontrole e desabastecimento é resultado da falta de políticas do atual governo que prioriza as exportações e ataca a agricultura famíliar. Abandonada pelo governo, a agricultura familiar é responsável por 70% da produção de alimentos no país. “O governo poderia usar estoques estratégicos de alimentos para segurar a alta dos preços e investir na agricultura familiar”, defende a presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR).

Durante os governos petistas, o Ministério da Agricultura, por meio da Conab, comprava cereais na safra e vendia na entressafra, regulando os preços mínimos e máximos. “Agora, em vez disso, o governo usa medida paliativa como se o problema fosse a importação. E Guedes ignora necessidade do povo, cortando auxílio enquanto o arroz sobe quase 20%”, critica. “Sem renda do trabalho, com auxílio pela metade e alimentos subindo, o impacto na vida das pessoas mais pobres é muito forte”, adverte o economista Bruno Moretti, da liderança do PT no Senado. “O povo não quer comprar revólver. O povo quer comprar comida”, sintetizou o ex-presidente Lula, em pronunciamento histórico, em 7 de Setembro.

Da Redação

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