Confrontado com as evidências de seu golpismo, Bolsonaro adota silêncio covarde na PF

“Bolsonaro tentou fugir de depoimentos na PF e ficou em silêncio porque não tem o que dizer diante das investigações”, afirmou Gleisi Hoffmann, sobre inquérito que apura a tentativa de golpe Estado orquestrada pelo extremista

Marcelo Camargo / Agência Brasil - Site do PT

Falastrão, Bolsonaro ficou calado no interrogatório da PF

Jair Bolsonaro preferiu o silêncio conveniente e covarde durante depoimento em Brasília nesta quinta-feira, 22, na sede da Polícia Federal (PF), em inquérito que apura tentativa de golpe de Estado para impedir o presidente Lula de tomar posse. As investigações apontam para o envolvimento do ex-presidente como líder de uma organização criminosa que culminou com os atos terroristas em 8 de janeiro de 2023.

“Bolsonaro tentou fugir de depoimentos na PF e ficou em silêncio porque não tem o que dizer diante das investigações. Lula, mesmo diante do cerceamento de defesa e das arbitrariedades da Lava Jato, compareceu a todas as audiências levando as provas da sua inocência. Nunca se calou! É a diferença entre um líder e um farsante”, postou a presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) na rede X, onde também comentou o senador Humberto Costa (PT-PE).

“Já diz o ditado: quem cala consente”, escreveu ele junto com manchete da Folha de São Paulo sobre o silêncio de Bolsonaro “sobre trama golpista”.

Optaram pelo silêncio outros investigados tão encrencados como Bolsonaro, como o ex-ministro e candidato a vice-presidente pelo PL nas eleições de 2022, general Walter Braga Netto; o ex-ministro de Segurança Institucional general Augusto Heleno; o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ministro substituto da Secretaria-Geral da Presidência Mário Fernandes, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o oficial do Exército Ronald Ferreira de Araújo Junior, segundo o site G1.

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O ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, responderam às perguntas da PF.

Ao sonegar informações à PF, Bolsonaro busca identificar o comportamento dos demais para então fazer seu jogo, o que evidencia também a ruptura do ex-presidente com seus ex-ministros e assessores, a exemplo do que aconteceu com o tenente-coronel Mauro Cid.

O ex-ajudante de ordens virou um importante delator após Bolsonaro afirmar que Cid fez tudo por conta própria. Além da delação, as mensagens, vídeos e documentos descobertos pela PF com Cid escancararam para o país a trama de um verdadeira organização criminosa que mirou a abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Oitivas simultâneas em diversos estados

Para evitar combinação de versões, a PF fez oitivas simultâneas e, ao fazer as mesmas perguntas, ter a chance de captar eventuais divergências e contradições.

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Em Brasília também depuseram Marcelo Costa Câmara, coronel do Exército; Tércio Arnaud, ex-assessor de Bolsonaro; Cleverson Ney Magalhães, coronel, ex-oficial do Comando de Operações Terrestres; Bernardo Romão Correia Neto, coronel do Exército e Bernardo Ferreira de Araújo Júnior.

Segundo o site G1, no Rio de Janeiro foram marcadas oitivas de Hélio Ferreira Lima, ⁠Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, ⁠Ailton Gonçalves Moraes de Barros e ⁠Rafael Martins Oliveira.

Em São Paulo foram ouvidos Amauri Feres Saad e ⁠José Eduardo de Oliveira; no Paraná foi a vez de Filipe Garcia Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência. Em Minas Gerais a PF ouviu Éder Balbino; no Mato Grosso do Sul, Laércio Virgílio e no Espírito Santo, Ângelo Martins Denicoli. Nesta sexta-feira, 23, no Ceará, a PF colhe o depoimento do coronel do Exército Estevam Theophilo.

Tigrão na rua, tchutchuca com a PF

Enquanto sonega informações à PF, Bolsonaro insiste no golpismo ao chamar ato para se defender das acusações. O senador Humberto Costa (PT-PE) publicou no X:

“Essa manifestação do domingo (25/2) é coisa de quem está com medo da justiça. E, sem citar o crime durante o ato, já se antecipa, e vai preso em flagrante. Sem anistia para golpista!”.

Para o comentarista do site Uol, Tales Faria, a estratégia traçada pelo ministro Alexandre de Morais tem tudo para dar certo e vai terminar com a condenação de toda a turma que conspirou contra a democracia e tentou impedir Lula de governar.

“Bolsonaro não gera confiança nem na turma dele. Eles tinham um chefe e o chefe os abandona…Não tem como dar certo pro Bolsonaro, ele vai acabar se enrolando mais ainda e também os militares, porque foi um urdimento golpista juntando todos eles. Todos eles vão acabar sendo condenados”, analisou Faria.

Ao denominar os depoentes como “cavaleiros do apocalipse golpista”, o deputado Rogério Correia (PT-MG), escreveu em seu perfil no X que Bolsonaro “criou todo um sistema de desinformação que culminou na quebradeira de 8 de janeiro. Que seja feita Justiça”. Ele compartilhou o documentário A Cara do Golpe, produzido pela TvPT (assista no final da matéria).

 

Tempo da verdade

Os depoimentos coletados pela PF foram mais uma etapa da operação Tempus Veritatis, deflagrada há duas semanas e autorizada pelo ministro do STF Alexandre Moraes no âmbito do inquérito que apura a existência das milícias digitais e seu financiamento, os atos golpistas do 8 de janeiro, que culminaram na invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes.

De acordo com a PF, os investigados se organizaram em grupos para organizar os acampamentos golpistas, espionar os ministros do STF, preparar os atos do 8 de janeiro e disseminar informações falsas. A PF tem evidências de que a minuta de decreto golpista encontrada na casa de Anderson Torres foi revisada por Bolsonaro, que manteve a prisão de Alexandre de Moraes e definia a realização de novas eleições.

Da Redação

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