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Dark Horse: Flávio Bolsonaro diz de novo que prestou contas, mas nunca mostra documentos

Candidato pergunta se jornalistas pararam no tempo, mas esquece que o tempo não para e as investigações avançam, agora com autorização do STF para a PF acessar provas em SP

Flávio Bolsonaro já havia chamado Dark Horse de “página virada”, apesar de não apresentar os contratos, extratos, comprovantes de pagamento e beneficiários dos recursosFoto: Site do PT / IA

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) se irritou ao ser novamente questionado sobre as contas de Dark Horse, na segunda-feira, 24, e perguntou aos jornalistas: “Vocês vão parar no tempo?”. Depois, insistiu que a prestação de contas teria sido realizada dentro de uma investigação em São Paulo, mas o material citado não é a prestação de contas transparente que ele prometeu. No mesmo dia, veio a público que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Polícia Federal a acessar novas provas relacionadas à produtora do filme de propaganda sobre Jair Bolsonaro.

O tempo não para, senador. E as investigações também não.

A declaração representa mais uma tentativa de Flávio de encerrar por conta própria um caso que continua avançando nos órgãos de investigação. Na semana passada, ele já havia chamado Dark Horse de “página virada”, apesar de não apresentar os contratos, extratos, comprovantes de pagamento e beneficiários dos recursos.

Enquanto o candidato da extrema direita tenta apressar o relógio, as cobranças aumentam. A líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), acionou a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal para obter informações sobre as investigações envolvendo os repasses milionários de Daniel Vorcaro.

Laudo privado não cumpre promessa

O documento mencionado pelo candidato é um laudo privado contratado pela defesa da dona da Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse. Anexado a um inquérito policial, o relatório declara que cerca de R$ 75 milhões teriam sido gastos na produção.

O laudo, porém, não identifica nominalmente quem financiou o filme, não apresenta as notas fiscais emitidas pelos fornecedores e não permite conferir detalhadamente os serviços contratados e os pagamentos realizados. Também não substitui o contrato que Flávio afirmou estar “100% disposto” a divulgar.

Em maio, o candidato prometeu uma prestação de contas transparente e deu prazo de 30 dias para que a produtora organizasse a documentação. O prazo terminou em junho. Até agora, não foram publicados os contratos, extratos, comprovantes de pagamento ou a relação completa de quem recebeu o dinheiro.

Foi o próprio Flávio quem negociou com Daniel Vorcaro um aporte de quase US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época. Pelo menos US$ 10,6 milhões, em torno de R$ 61 milhões, foram efetivamente transferidos em seis operações. Inicialmente, o senador negou a negociação. Só admitiu a participação depois da divulgação de áudios, mensagens e documentos bancários.

Provas da Polícia de São Paulo com a PF

A nova decisão do ministro Flávio Dino, do STF, acolheu um pedido da Polícia Federal e autorizou o compartilhamento e o uso de provas obtidas pela Polícia Civil de São Paulo em uma operação realizada em junho.

A investigação paulista apura suspeitas de fraude e desvio de recursos em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes, e o Instituto Conhecer Brasil. A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, e deveria instalar pontos gratuitos de internet em comunidades da capital paulista.

Na operação, a Polícia Civil realizou buscas nas sedes do instituto e da produtora, além de endereços ligados a Karina. Agora, as informações extraídas do material apreendido poderão abastecer a investigação federal sobre possível uso irregular de emendas parlamentares destinadas à entidade.

As apurações possuem objetos diferentes. A Polícia Civil mira o contrato com a Prefeitura de São Paulo, enquanto o inquérito sob relatoria de Dino investiga a destinação de emendas parlamentares. Uma delas, de R$ 2 milhões, foi indicada pelo deputado bolsonarista Mário Frias (PL-SP).

Há ainda uma terceira frente. Em outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, a Polícia Federal investiga especificamente os repasses de Vorcaro ao filme, o destino dos R$ 61 milhões e a existência de possíveis irregularidades ou contrapartidas na negociação conduzida por Flávio Bolsonaro.