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Fortalecimento do BRICs e integração da América Latina: saídas para a crise geopolítica

Durante 8º Congresso Nacional, seminário debateu crise do multilateralismo e enfatizou papel do Governo Lula na construção de uma cultura de paz e diálogo

O desafio de encontrar caminhos para fortalecer o multilateralismo foi tema de debate no segundo dia do 8º Congresso Nacional do PT, neste sábado, 25. Os dirigentes discutiram o cenário geopolítico contemporâneo, a nova ordem mundial e as ameaças atuais ao sistema multilateral. O Seminário Internacional sobre a Crise do Multilateralismo, promovido pela secretaria de Relações Internacionais do PT, reafirmou o compromisso do Partido dos Trabalhadores com a construção de uma ordem mundial multipolar, baseada na paz, na integração regional e na reforma das instituições globais.

O senador Humberto Costa, secretário de Relações Internacionais do PT, abriu as discussões destacando que o fortalecimento do BRICs [o bloco de 11 países emergente, incluindo Brasil, Rússia, China e África do Sul]  é o caminho fundamental para consolidar o multilateralismo. Para o senador, o bloco deixou de ser apenas uma sigla de potencial econômico para se tornar um ator político decisivo.

“O BRICs se ampliou para admitir estados associados e observadores, mostrando o caminho para uma instituição que hoje representa 40% da população mundial e 35% do PIB global. Não se trata apenas de economia, mas de soberania, com discussões sobre o uso de moedas locais e a consolidação de um grande banco internacional de desenvolvimento”, afirmou Costa.

Além da esfera global, o senador analisou a retomada da integração na América Latina, citando a revitalização da Unasul, e o novo papel do Mercosul, que expandiu suas fronteiras para além do Cone Sul, integrando países como a Bolívia e estabelecendo acordos estratégicos com a União Europeia voltados para a complementariedade industrial e tecnológica.

Reconstrução da ordem internacional

Representando o Chile, Heraldo Munhoz , ex-ministro de Relações Exteriores do país, trouxe uma análise sobre o “caos e desregramento” causado pela ascensão de políticas unilaterais, especialmente as herdadas do período Trump. Munhoz alertou para o atropelo das regras internacionais e o desrespeito ao artigo 51 da Carta da ONU, que restringe o uso da força.

Ao falar sobre os desafios para restaurar o multilateralismo global,  defendeu que a prioridade absoluta deve ser a reconstrução de uma ordem baseada em regras. Ele criticou o abandono de espaços como a Unesco e a ONU Mulheres por potências globais, ressaltando que o desprezo pelo multilateralismo ameaça a paz mundial.

Na ocasião, Munhoz, que também é representante da candidatura de Michelle Bachelet para Secretária-Geral da ONU,  agradeceu o apoio do PT e do presidente Lula. “Ela pode ser a primeira mulher latino-americana a ocupar o cargo estratégico global”, disse. Ele enfatizou que a candidatura da ex-presidente do Chile é símbolo de respeito aos direitos humanos e competência no sistema internacional.

África, voz ativa

Mario Pinto de Andrade, deputado e secretário de Assunto Políticos e Eleitorais do MPLA, de Angola, representou as aspirações do continente africano no seminário. Ele destacou que a África está em plena transição histórica no cenário global, apresentando uma perspectiva de protagonismo no cenário contemporâneo.

“África já foi uma voz morna quando fomos colonizados, mas queremos ser uma voz ativa nesse cenário complexo”, afirmou.

O seminário contou também com a participação de delegações da China, Vietnã , Alemanha, Portugal e Israel, além de lideranças indígenas brasileiras.