Fórum de Conjuntura apresenta desafios e propostas para estado de São Paulo voltar a ser ‘locomotiva’ do país

Márcio Pochmann e Artur Henrique destacam que Partido dos Trabalhadores precisa se impor como alternativa ao modelo desgastado de gestão tucana

Com cerca de cem pessoas no auditório do PT Paulista e dois mil internautas acompanhado a transmissão online, a 15ª edição do Fórum de Conjuntura Eleitoral do GTE PT-SP, em parceria com o Projeto SP, realizada na noite de quarta-feira (04/11), reforçou a necessidade de o Partido dos Trabalhadores elaborar propostas como alternativa ao projeto tucano, na retomada do desenvolvimento econômico sustentável do estado de São Paulo.

Com mediação do coordenador estadual do GTE PT-SP, Rodrigo Funchal, a mesa composta pelo presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann, e o secretário municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo, Artur Henrique, foi responsável por destacar ações de políticas públicas como alternativas para a locomotiva paulista retornar ao eixos do progresso econômico.

Prestigiaram o debate lideranças como secretários e secretárias da executiva estadual do PT-SP, Martinha (Mulheres), Antonio dos Santos (Finanças), Silvana Donatti (Assuntos Institucionais), Cidão (Comunicação) e Vivian Mendes; o coordenador da Macro Assis, Marília e Ourinhos, Toninho do PT; a secretária municipal de Políticas Para Mulheres de São Paulo, Denise Motta Dau; vereadores Lineu Navarro (São Carlos) e Amélia Naomi (São José dos Campos); ex-deputados Francisco Chagas e Roberto Felício; a dirigente nacional da CUT, Virginia Berriel; o professor Luís Vita (Curso de Difusão do Conhecimento/ Fundação Perseu Abramo); o técnico em Planejamento e Pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Miguel Matteo, além de presidentes de diretórios, assessorias parlamentares e militantes.

Audiência e Reprise – Com transmissão ao vivo pelos Portais Linha Direta e Fundação Perseu Abramo, o evento ultrapassou 1,8 mil acessos. Para quem não pôde comparecer ao Fórum, a Rádio Linha Direta reprisa o debate, na íntegra, no próximo domingo (08/11), às 20h. Para ouvir, basta acessar http://www.radiolinhadireta.org.br/

Por outro lado, a Tevê Fundação Perseu Abramo disponibiliza, nesta sexta-feira (06/11), a gravação em vídeo no site http://novo.fpabramo.org.br/

Freio na ‘locomotiva’ – Logo no início do encontro, Artur Henrique expôs que a disputa do modelo de desenvolvimento econômico e a tentativa, por parte da direita conservadora e dos governos do PSDB, de retrocederem as conquistas sociais, da Constituição Brasileira de 1988, são os principais focos do debate no estado de São Paulo. Nas palavras dele, os governos paulistas das últimas três décadas representam o retrocesso do padrão de vida.

Segundo o ex-presidente nacional da CUT, a apresentação de propostas de políticas públicas pelo PT deve se basear em quatro pilares: construção coletiva, mobilização, participação social e política, principalmente, nas áreas de saúde, educação, trabalho e assistência social.

Para Artur, a empreitada seria um contraponto ao padrão tucano de gerenciar o estado, que representa uma progressiva perda de importância da economia paulista nos últimos vinte anos, como a letargia na extensão da malha ferroviária, a política privatista e a desigual distribuição de renda.

“Friso que a crescente redução da competitividade da economia paulista, o fim do ideal de São Paulo como locomotiva do país, que fica claro na queda de participação do estado no PIB Nacional, além da falta de integração com o governo federal, são marcas de uma gestão ultrapassada liderada pelo PSDB e que o Partido dos Trabalhadores precisa apresentar um modelo de retomada de crescimento sustentável, que privilegie meios como a economia solidária, ao implementado pelos tucanos nas últimas décadas”, explica Artur Henrique.

Retomada do crescimento – Nos últimos 12 anos, o Partido dos Trabalhadores, por meio dos Governos Lula e Dilma, implementou uma série de iniciativas exitosas como a criação de programas de redução da desigualdade social, da geração de empregos, de acesso às universidades e aumento do consumo, como o ‘Bolsa Família’, ‘Prouni’, ‘Fies’, ‘Brasil Sem Miséria’, ‘Pronatec’,‘Minha Casa Minha Vida’, dentre outros, que elevaram o Brasil ao crescimento econômico e a um novo padrão de vida da população brasileira.

Para Márcio Pochmann, o PT deveria se apropriar mais incisivamente destas conquistas sociais para qualificar o debate no estado paulista e contribuir na retomada do protagonismo de São Paulo, ou seja, fazer valer a ‘alcunha’ de locomotiva do país.

“É inegável o êxito que tivemos, do ponto de vista econômico, na ascensão social da população, sendo que as reformas fundamentais pouco foram viabilizadas, ao passo que os trabalhadores e movimentos sociais imaginaram que um governo de esquerda seria suficiente para dar continuidade às mudanças no país”, pondera.

Segundo o professor da Unicamp, o ‘freio’ decorre do ciclo de expansão de desenvolvimento de São Paulo, principalmente da transição da sociedade agrária para a urbana e industrial, em meados da primeira metade do século XX, sendo que o protagonismo paulista começa a se perder nas duas últimas décadas.

“O freio, hoje, ocorre em outra transição: da sociedade industrial para a sociedade de serviços. De cinco empregos gerados, quatro são de serviços. E São Paulo não é protagonista desta transição, e sim um freio… O que São Paulo lidera hoje é a regressão e o conservadorismo deste processo de desindustrialização, que significou a queda da classe média assalariada e a ascensão da classe média proprietária”, comenta.

Ainda segundo ele, a força econômica de São Paulo se resume ao agronegócio, que emprega pouco, e aos mercados especulativos e financeiros da Bolsa de Valores, fatos que significaram a perda de aliança do estado paulista com o Brasil.

Propostas – A combinação de políticas públicas de enfrentamento do desemprego e da pobreza, com políticas voltadas para o mercado de trabalho; educação e formação profissional para inclusão social dos trabalhadores, por meio de programas como “De Braços Abertos” e “Praças Mais Cuidadas”, integração dos jovens, por meio do Bolsa Trabalho Juventude Viva, ambos da gestão Fernando Haddad, além do fomento ao microempreendedores e incentivos à economia solidária, são algumas das propostas defendidas pelo modo petista de governar.

Na visão de Márcio Pochmann, o desafio é dialogar com as novas demandas dos trabalhadores e trabalhadoras, além da necessidade política de tornar relevante os atores que saíram da miséria e ascenderam à classe média (42 milhões de pessoas), por meio dos programas sociais dos governos Lula e Dilma.

“Se nós não conseguirmos mobilizar essa nova classe trabalhadora, não teremos uma coesão suficientemente para enfrentar a paralisia que resulta da ascensão da classe média proprietária com o mercado especulativo dos bancos e o agronegócio. Não é impossível, mas é um primeiro passo para reconhecermos a situação vivida atualmente e resultar em ações concretas”, elucida.

Para Artur Henrique, o PT só conseguirá disputar a hegemonia no estado de São Paulo se apoiar em pontos como mobilização, comunicação, educação e formação. “A disputa tem que ser na construção coletiva e no relacionamento com as pessoas. Se não fizermos isso, não vamos a lugar algum”, revela.

Dia Mensal de Mobilização – Os resultados do debate serão encaminhados para os dirigentes, parlamentares e militantes, como ferramenta de discussão para a 6ª edição do Dia Mensal de Mobilização do PT-SP, a ser realizada no próximo dia 14 de novembro, em todo o estado paulista.

Próxima edição – O Fórum de Conjuntura Eleitoral do GTE PT-SP realiza a 16ª Edição no próximo dia 18 de novembro (quarta-feira), às 19h, na sede do PT-SP.

O espaço é aberto para a participação dos militantes, dirigentes, parlamentares, prefeitos, prefeitas e vices, coordenadores e coordenadoras de Macros, representantes dos movimentos sociais e entidades da sociedade civil.

Por Fábio Sales, do PT-SP

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