A Juventude Negra Petista (JN13), anuncia a volta de suas atividades durante plenária realizada no 8º Encontro Nacional de Negras e Negros da União Nacional dos Estudantes (UNE), e no 3º Encontro de Negras e Negros Pesquisadoras(es) da ANPG, realizados entre os dias 10 e 12 de julho, em Salvador (BA). O espaço reuniu jovens militantes, estudantes e pesquisadores de todo o país para debater os desafios do enfrentamento ao racismo, a ampliação da participação política da juventude negra e a construção de uma agenda nacional em defesa da igualdade racial.
O coletivo, que estava inativo há uma década, destaca, por meio de uma carta-manifesto, o compromisso com o enfrentamento ao racismo estrutural, a defesa da reparação histórica e a organização política da juventude negra brasileira. O texto ainda ressalta que é urgente fortalecer a luta diante das desigualdades que seguem atingindo a população negra, especialmente os jovens, que enfrentam maiores índices de violência, evasão escolar, desemprego e exclusão social.
A carta defende o fortalecimento de políticas públicas permanentes, com destaque para o Plano Juventude Negra Viva, investimentos em educação, permanência estudantil, geração de emprego, cultura, saúde mental e participação política. Também reivindica que a juventude negra esteja no centro das prioridades orçamentárias do Estado brasileiro, compreendendo que o combate ao racismo depende de financiamento público e de ações estruturantes.
“O Brasil foi construído sobre a exploração do povo negro, sobre a escravização, a negação da cidadania, a exclusão da terra, da educação, do trabalho digno e dos espaços de poder. A abolição formal da escravidão não foi acompanhada de políticas capazes de reparar os séculos de violência, exploração e desumanização impostos à população negra. Ao contrário, o Estado brasileiro seguiu reproduzindo mecanismos de exclusão que empurraram gerações negras para a pobreza, para a informalidade, para a violência e para a ausência de direitos“, declara o documento.
Militância histórica
O manifesto ainda resgata a trajetória da organização da juventude negra no Partido dos Trabalhadores desde o fim da década de 1990, culminando na fundação da JN13 em 2007, e reafirma a importância do diálogo com o Movimento Negro brasileiro. Mais do que retomar uma organização, a reativação da JN13 representa o compromisso de formar novas lideranças, disputar espaços de poder e construir um projeto de país baseado na justiça racial, na democracia e na garantia de direitos para a juventude negra.