Depois de um fim de semana marcado por trocas de experiências, formação política e construção coletiva, o Curso Nacional de Comunicadoras Populares 2026 encerrou sua primeira etapa, em São Paulo, reunindo 54 mulheres de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. A iniciativa é promovida pela Secretaria Nacional de Mulheres do PT (SNMPT), em parceria com a Secretaria Nacional de Comunicação, a Secretaria Nacional de Formação e a Fundação Perseu Abramo, entre outras instâncias do partido, e fortalece uma rede nacional de comunicadoras comprometidas com a defesa da democracia, da justiça social e com a ampliação da participação política das mulheres em todo o país.
Mais do que uma formação técnica, o encontro reafirmou a comunicação popular como ferramenta de organização política, enfrentamento à desinformação e defesa dos direitos das mulheres. Ao longo da programação, as participantes compartilharam experiências, conheceram novas ferramentas digitais e debateram estratégias para enfrentar os ataques virtuais que atingem, principalmente, mulheres que ocupam espaços de liderança política.
O curso também reiterou o compromisso do PT com a diversidade ao reunir mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, do campo, das águas e da comunidade LBTQIA+. Para a secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, investir na formação plural de comunicadoras é fortalecer a democracia pela base e garantir que mais mulheres ocupem espaços de poder também por meio da palavra.
“A comunicação é um território de disputa política. A extrema direita investiu na desinformação para espalhar medo e tentar silenciar mulheres. Nossa resposta é formar comunicadoras populares capazes de construir narrativas comprometidas com a verdade, com a democracia e com a vida. Quando uma mulher ocupa os espaços da comunicação, ela fortalece outras mulheres, amplia direitos e transforma seu território”, destacou.
Da fake news ao ciberativismo
A programação abordou temas como violência política de gênero nas redes sociais, inteligência artificial, combate às fake news e ciberativismo. Especialistas em direitos digitais e comunicação estratégica apresentaram caminhos para ampliar a presença feminina no ambiente digital e responder aos discursos de ódio que tentam silenciar mulheres na política.
Doutora e pesquisadora em gênero e misoginia, Bruna Camilo, do PT de Minas Gerais, ressaltou a importância de criar espaços permanentes de formação para que o conhecimento circule pelos territórios e alcance ainda mais mulheres.
“Quando reunimos mulheres de todas as regiões para pensar estratégias de comunicação, elas voltam para suas comunidades preparadas para multiplicar esse conhecimento. Essa metodologia fortalece uma rede que cresce coletivamente. Mais do que ensinar ferramentas, criamos um espaço de troca, de escuta e de fortalecimento entre mulheres que já fazem comunicação em seus territórios”, afirmou.
Mobilização digital
Entre os momentos mais marcantes da formação, destaque para o debate sobre violência política de gênero no ambiente digital que apresentou estratégias de mobilização, monitoramento de ataques coordenados e produção de conteúdo para as redes sociais. A comunicadora popular do Mato Grosso, Rapha Padilha, reforçou que quem atua nos territórios sente a necessidade de dominar ferramentas digitais para se comunicar com a população, especialmente com os jovens, que estão cada vez mais conectados.
“Este curso foi uma grande oportunidade, porque nos deu técnicas e estratégias para ampliar esse diálogo, fortalecer nossa comunicação e mostrar à sociedade quem realmente trabalha em defesa do povo.”
A jovem cineasta e comunicadora popular Indiara Castro afirmou acreditar na comunicação como instrumento de transformação social, consolidação da democracia e ampliação da participação popular. Para ela, o curso foi uma experiência de aprendizado, troca e coletividade.
“A comunicação é uma ferramenta essencial para a luta das mulheres, pois amplia vozes, disputa narrativas e fortalece a participação política feminina. Sair desse encontro com novas estratégias e aprendizados nos dá mais segurança para comunicar com propósito e construir um Brasil mais justo e democrático”, destacou.