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Na ONU, Lula defenderá a democracia e rejeitará interferências em assuntos internos

Presidente chega a Nova York dia 20, domingo, e fará discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Ele vai reiterar compromisso com multilateralismo e a paz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca rumo a Nova York, onde participará da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente chega à cidade na noite do dia 20, domingo. Na terça-feira, 22, Lula será o primeiro a discursar entre todos os representantes e chefes de Estado presentes, uma honra concedida ao Brasil há quase 80 anos e que se tornou tradição na ONU.

Com o país em pleno período eleitoral, Lula vai reafirmar a democracia e a soberania nacional, sem interferência externa em assuntos internos de outros países, como princípios diante do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. Referência da extrema direita global, Trump, além de apoiar abertamente o bolsonarismo, dá claros sinais de interferências políticas na América Latina, inclusive no Brasil, que é vítima do tarifaço estadunidense.

“No domingo, eu vou para a reunião da ONU para ter um bate-papo com o Trump e dizer: não se meta nas eleições do Brasil. O Brasil só tem um dono, que é o povo brasileiro”, avisou o presidente, na quarta, 16, durante ato de campanha em Ceilândia, Distrito Federal (DF).

No discurso, deve defender a importância do multilateralismo e pedir novamente a reforma urgente do Conselho de Segurança da ONU. O presidente tem dito que as grandes nações do mundo não podem ser omissas neste cenário de multiplicação de conflitos internacionais. Lula também deverá ressaltar que as nações devem respeito ao direito internacional humanitário.

Em relação à governança global, Lula e o Brasil defendem há anos a atualização da composição e do funcionamento do Conselho de Segurança.

Interferências de Trump nas eleições

É notório que o clã Bolsonaro tem agido para que os EUA interfiram no Brasil durante o processo eleitoral. As principais investidas partiram do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão mais novo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da ultradireita à Presidência da República. Eduardo se mudou para o Texas em março de 2025 e passou a trabalhar contra os interesses nacionais, na tentativa de favorecer a própria família.

Mais recentemente, na quinta, 18, o deputado cassado insinuou que Trump pode não aceitar o resultado das eleições no caso de uma eventual vitória de Lula. Em coletiva a jornalistas na porta do Departamento de Estado dos EUA, em Washington, onde teria se reunido com autoridades estadunidenses, Eduardo ainda disse que o republicano pode sancionar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Eduardo teve o mandato cassado em dezembro do ano passado por excesso de faltas na Câmara dos Deputados. Em junho, foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses em regime semi-aberto, por coação do curso do processo que apurou a trama golpista e condenou Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão.

A mistura do Supremo com as urnas

O deputado estadunidense Chris Smith, do Partido Republicano e aliado de Trump, enviou uma carta à Organização dos Estados Americanos (OEA) na terça, 15, cobrando ações da entidade em relação às eleições no Brasil e mencionando a crise no STF, o ministro Moraes e o escândalo do Banco Master. As informações foram reveladas pelo UOL.

Smith fez referência ao pleito de outubro para solicitar que sejam tomadas “as medidas adequadas para proteger os direitos do povo do Brasil à liberdade de expressão e a participar de eleições livres e autênticas”.

Tradição diplomática

Segundo a obra “O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011”, publicado pela Fundação Alexandre de Gusmão (FGA) no aniversário de 50 anos da ONU, a abertura dos discursos na Assembleia Geral cabe ao Brasil desde 1949, quando a intenção era evitar dar primazia a alguma das duas superpotências do período da Guerra Fria, EUA e União Soviética.

Desde então, tornou-se praxe o secretário-geral do ONU enviar uma nota à missão brasileira, antes de abrir a lista de oradores, perguntando se o país deseja manter a tradição.

A sessão da ONU é presidida pelo ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman. O presidente Lula se reunirá com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que tem mandato até 31 de dezembro de 2026.