No “Bom dia, Ministra”, Márcia Lopes detalha ações da pasta na COP30
Segundo a ministra das Mulheres, jovens de outros países veem o Brasil como liderança mundial no debate sobre gênero e clima
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Direto da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta quarta-feira (19) do programa “Bom dia, Ministra”. Na conversa com jornalistas de todo o país, Lopes destacou os trabalhos da pasta durante o evento e explicou que o Gender Day, ato que ocorre hoje e amanhã, é uma ação dedicada a reconhecer e discutir como as mudanças climáticas afetam pessoas de diferentes gêneros de maneira desigual.
Ela ressaltou também a campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Meninas e Mulheres, que tem início na quinta-feira (20), além de abordar ações do MMulheres para combater a violência doméstica no Rio Grande do Sul e os 20 anos do Ligue 180.
Para a ministra, as mulheres estão ocupando um espaço fundamental na COP, e a Conferência tem se mostrado um ambiente que valoriza o papel feminino como agente de mudança, impulsionando políticas climáticas mais justas e inclusivas. “Não existirá justiça climática sem justiça de gênero”, disse. Ela detalhou que entre hoje e amanhã serão realizadas muitas mesas de debates sobre o plano climático e a participação das mulheres no mundo, com protagonismo de jovens de diversos países.
Gender Day
Acerca dos desafios para integrar o debate de gênero à agenda climática, Lopes reforçou que as mulheres vivem essa ambivalência: estão tão presentes nas redes de mobilização e resistência, mas ainda enfrentam barreiras sociais em países que ainda não admitem o uso da palavra ‘gênero’ em documentos.
Por isso, ela explicou, “muitos países ficam em dúvida se a questão de gênero na transição climática deve ter ou não a presença forte das mulheres, se isso tem que ser evidenciado ou não nos documentos.”
Diálogos com a juventude sobre gênero, clima e violência
De acordo com a ministra, jovens mulheres de países como Bolívia, Colômbia, Estados Unidos e Nigéria manifestam forte expectativa de que a COP produza uma carta ou documento que consolide diretrizes claras de justiça climática e reafirme a participação das mulheres na transição climática. “E elas nos dizem que o Brasil é uma referência para elas. Que agora o Brasil voltou a ser uma referência no debate em gênero e clima”.
Houve ainda debates para a elaboração de um protocolo internacional para o fortalecimento de mulheres e meninas em situações de emergências climáticas e desastres. A iniciativa é desenvolvida em parceria com organismos internacionais no âmbito do Plano de Aceleração de Soluções (PAS) da COP30. A Cartilha Mulheres e Clima, elaborada pela pasta, vem sendo muito bem aceita e necessária durante o evento, revelou Lopes.
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O Pós-COP30
Questionada quais as transformações a Conferência deve deixar para as mulheres brasileiras, especialmente nos territórios mais vulneráveis, a ministra Márcia Lopes compartilhou que o Ministério das Mulheres preparou um plano de 10 ações, além de parcerias com os Ministérios da Cultura, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.
“Por exemplo, nós implantamos um curso de formação para o trabalho junto com as mulheres em todas as dimensões das suas vidas, que se chama Diplomacia Popular. Nós iniciamos com 100 pessoas e vamos agora avaliar e continuar esse curso para que, de fato, as mulheres se sintam protagonistas e nos ajudem a reverberar, reproduzir todos os parâmetros, todos os princípios, participando de todos os estados, de toda a rede de serviço. Vamos levar a Cartilha Ações Climáticas para todas as escolas do país, para que as professoras e os professores possam inserir esse conteúdo. Nada melhor do que a educação, do que a formação, do que a mudança de rumo das visões em cada geração”, observou.
Alta nos feminicídios no Rio Grande do Sul
Questionada sobre as ações que o MMulheres está realizando para enfrentar a alta nos casos de feminicídios que vêm ocorrendo no Rio Grande do Sul, a ministra informou que, além das visitas realizadas ao estado, está no aguardo de que o governo local e a prefeitura de Porto Alegre apresentem indicações de terreno para construir a Casa da Mulher Brasileira na cidade.
“Nós já temos a liberação de R$ 19 milhões e temos também outras possibilidades de centros de referência pelo Estado, além de uma outra Casa da Mulher Brasileira em Caxias do Sul. Os equipamentos públicos são essenciais, pois integram Ministério Público, Defensoria, Delegacia Especializada, Patrulha Maria da Penha, Serviços de Atenção Psicossocial”, esclareceu.
21 dias de campanha
Nesta quinta-feira (20), inicia-se a campanha “21 dias de ativismo pelo fim da violência e racismo”, data em que também se celebra o Dia da Consciência Negra. A ação segue até 10 de dezembro, quando é comemorado o Dia dos Direitos Humanos. Segundo a ministra, houve reunião no começo da semana com assessorias de comunicação das secretarias de estado do Brasil mobilizando estados e municípios para a realização de atos territoriais alertando a sociedade sobre o assunto. Foi anunciado também o Dia M – Mulheres, Mobilização e Mais Respeito – contra todo tipo de importunação sexual nos transportes públicos.
“Fizemos um apelo para que não só Brasília e o Ministério das Mulheres coordenem atividades neste período, mas que todos os estados falem sobre o tema de acordo com as realidades locais.”
20 anos do Ligue 180
Ao término da entrevista, a ministra observou que o Ligue 180 completa 20 anos no dia 25 deste mês. O serviço, que funciona 7 dias por semana e 24 horas por dia, conta com uma equipe de atendimento de 350 mulheres, que recebem denúncias de violência e esclarecem dúvidas.
“Elas ficam recebendo as ligações às vezes de uma vizinha, de uma parente, de uma amiga. Isso é muito importante, não só a denúncia, mas porque o Ligue 180 também aprimorou o seu atendimento nos encaminhamentos, nas orientações, na articulação dos estados e municípios de uma forma direta. Junto à Patrulha Maria da Penha, junto às delegacias especializadas, nós temos agora também um sistema de tecnologia aprimorado do Ligue 180. Então, nós estamos continuando aquele nosso lema, não deixe chegar ao fim da linha, Ligue 180”, defendeu a ministra.
Da Redação do Elas por Elas
