PT deve ser instrumento de organização do povo, defende Quaquá

Para presidente do PT-RJ, partido deve trabalhar pelas eleições Diretas Já e na elaboração de programa de reformas, com a construção de uma frente

Fernando Frazão/Agência Brasil

Washington Quaquá, ex prefeito de Maricá e vice presidente (eleito) nacional do PT.

“O fundamental é construir as diretas e construir um programa mais avançado, um programa mais reformista, que toque nas grandes questões”. Essa é a avaliação do presidente do PT-RJ, Washington Luiz Cardoso Siqueira, mais conhecido como Quaquá, sobre a atual situação do País. “Precisamos tocar em alguns fundamentos da dominação burguesa no Brasil”, defende.

“Mesmo com o golpe, que foi muito duro contra nós, todo o movimento é contraditório, e há uma positividade. O PT retomou uma tradição de mobilização popular e de confronto, estamos nos retemperando na luta, o que é muito importante na história do PT”.

Militante do partido desde 1985, quando tinha apenas 14 anos de idade, Quaquá participou ativamente do movimento estudantil e foi prefeito de Maricá por dois mandatos consecutivos (2008 e 2012). Em 2013, se tornou presidente do diretório estadual do Rio de Janeiro e no, PED 2017, foi reeleito por unanimidade.

Para Quaquá, o foco de atuação do partido no estado será a eleição de Lula e a elaboração de um projeto de governo. “Nós temos construído uma frente com o PCdoB, com o PDT, com o MST, com os movimentos sociais, CUT, CTB, em torno das diretas e, ao mesmo tempo, discutido um programa de reformas para o Brasil e para o Rio de Janeiro”.

“Vamos garantir a volta do Lula com um programa que aprofunde as reformas que Brasil precisa. Sem loucura, porque há uma correlação de forças, mas a correlação de forças também é a gente que constrói. Se a gente não se movimentar, não agilizar o povo – e o PT precisa ser um partido mais desburocratizado, mais presente nas favelas, nos bairros populares, para alterar a correlação de forças a favor de um programa de reformas”.

O presidente do PT-RJ afirma que o Brasil ainda não conseguiu implementar um projeto popular de nação que inclua, de fato, o povo, por mais que os governos de Lula e Dilma tenham avançado nessa direção. “Se quisemos um processo extenso de inclusão do povo na economia, na sociedade brasileira precisamos tocar nos fundamentos da dominação”.

Para Quaquá, é preciso trabalhar questões como a reforma tributária, taxando mais dos ricos e melhorando a distribuição de renda, além da reforma agrária, urbana, da regulação dos meios de comunicação e de uma reforma educacional que seja de qualidade e emancipadora.

“Todo esse conjunto de reformas que o PT precisa propor, que depende da nossa vontade, mas também depende da mobilização do povo. É preciso que o PT seja um instrumento de organização do povo e construção de uma frente popular de aliança”.

Governo estadual

“Somos oposição ao Pezão (PMDB-RJ)”, declara Quaquá. Para ele, o governo do estado foi desastroso nos últimos anos. “Não só pela situação do petróleo, que contribuiu, mas tiveram política irresponsável de isenção fiscal para empresários. A prisão do Cabral, no que pese a ilegalidade das prisões no Brasil, mas com ele é histórico o desmando no estado”.

O presidente do PT fluminense diz que está discutindo um programa para enfrentar a crise que não penalize os servidores públicos, os trabalhadores e o povo. “Que por exemplo se retire as isenções fiscais dadas a joalherias, restaurantes, grandes empresas. Por exemplo, a terra para a construção do porto do Açu, que foi doada, não precisava ter sido feita. O governo do PMDB acaba virando do compadrio”.

Ele também reforça a importância da atuação conjunta com outros partidos e, sobretudo, com movimentos sociais. “Temos aliança forte com o MST, com o Fora do Eixo e Mídia Ninja, com a CUT, a CTB, o PCdoB, com a juventude do PT e a UJS. No Rio, temos trabalhado muito a a construção de uma frente popular, com as diversas juventudes”.

Quaquá e Lula

Eleições 2018

“Primeiro queremos consolidar o campo de esquerda”, defende Quaquá. Ele afirma que, caso Ciro Gomes não saia candidato pelo PDT, existe a possibilidade de uma aliança com o partido no estado. “Se ele for candidato, vamos buscar outra alternativa, pode até ser candidatura petista, mas buscamos candidatura que amplie base de aliança do Lula no Estado”.

Quaquá ainda defende um programa amplo, que atraia não só a esquerda, mas também o centro. “Importante frisar que, para o debate nacional, não convém Lula disputar a eleição só com a esquerda. Precisa disputar o centro, com um programa amplo de reformas, um programa claro, mas que atraia o centro político do Brasil”.

Por Pedro Sibahi, da Agência PT de Notícias

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