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‘Tenho convicção de que o Senado vai priorizar fim da 6×1’, diz presidente do PT

Edinho Silva afirma que redução da jornada de trabalho é correção de injustiça histórica. Importância da PEC, avalia, vai convencer senadores

Presidente do PT, Edinho Silva concedeu entrevista à CNN Brasil Foto: Reprodução/CNN

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta quinta-feira, 28, que tem “convicção” de que o Senado dará prioridade à votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho no Brasil para 40 horas semanais. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil, um dia depois de a Câmara dos Deputados aprovar a proposta em dois turnos, abrindo caminho para a análise dos senadores.

A PEC aprovada pela Câmara estabelece jornada de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso, em substituição ao modelo atual de até 44 horas semanais e apenas um dia de folga em muitos setores. O texto prevê uma curta transição: dois meses após a promulgação, já valerão os dois dias de descanso remunerado por semana e a jornada cairá para 42 horas; depois de 12 meses, chegará a 40 horas semanais.

“Eu tenho convicção que o Senado vai dar prioridade a essa aprovação pela importância que ela tem para as trabalhadoras, trabalhadores brasileiros”, disse Edinho. Para o dirigente petista, a proposta não trata apenas de redução de jornada, mas de “uma correção de uma injustiça histórica”.

Segundo ele, o Brasil ainda convive com uma carga horária considerada pesada por entidades que acompanham a saúde do trabalhador.

“Estamos falando de uma justiça que significa o trabalhador e a trabalhadora ter mais tempo para a sua família, para cuidar da sua saúde e para estudar, porque sabemos o quanto a juventude sofre para conciliar trabalho e estudo”, afirmou.

Edinho destacou que a aprovação expressiva na Câmara demonstra que a pauta ganhou força na sociedade e no Congresso. No segundo turno, a proposta passou por 461 votos a 19; no primeiro, havia sido aprovada por 472 votos a 22.

Para o presidente do PT, o resultado foi construído com participação decisiva do presidente Lula e de parlamentares comprometidos com a pauta dos trabalhadores.

“Por ser uma pauta importante para a sociedade, aprovada de forma surpreendente na Câmara com o empenho do presidente Lula e sensibilização das bancadas, penso que o mesmo ambiente se transfere para o Senado Federal”, avaliou.

Tramitação deve ocorrer de forma natural

Edinho lembrou que o debate sobre a redução da jornada não é novo no Brasil. Segundo ele, a luta pelas 40 horas semanais atravessa décadas e já estava presente desde o período da Assembleia Nacional Constituinte.

“É um anseio antigo; se voltarmos na reforma constitucional de 88, a questão das 40 horas semanais já estava pautada. Estamos falando de décadas de espera para que a gente caminhe para uma jornada mais equilibrada e para as 40 horas semanais, que é um sonho antigo”, afirmou.

Questionado se Lula pretende conversar com o presidente do Senado para tratar da PEC, Edinho disse que o presidente tem trajetória marcada pelo diálogo e pela construção de saídas políticas. Para ele, no entanto, a proposta deveria avançar naturalmente na Casa.

“O presidente Lula tem uma trajetória pautada pelo diálogo e pela construção de saídas políticas. Nunca faltou vontade política dele em dialogar. Essa é uma pauta que deveria ser aprovada naturalmente pelo Senado, sem exigência de negociação enfática”, disse.

Governo Lula, entregas e combate à corrupção

Na entrevista, Edinho também defendeu o conjunto de entregas do Governo Lula e afirmou que o país vive um ciclo de reconstrução depois dos quatro anos de Jair Bolsonaro.

“O governo do presidente Lula é o governo com maior volume de entregas desde a redemocratização”, afirmou. Edinho citou a previsão de o país virar o semestre com R$ 1 trilhão em investimentos no PAC, além de 3 milhões de moradias no Minha Casa, Minha Vida e do reconhecimento internacional do Brasil como referência em inclusão social.

O dirigente também afirmou que parte da dificuldade de comunicação sobre as entregas do governo ocorre em meio ao volume de denúncias de corrupção herdadas ou originadas em estruturas do período Bolsonaro. Ele citou os casos do INSS, do Banco Master e das emendas parlamentares.

“O escândalo do INSS foi uma organização criminosa durante o governo Bolsonaro. O Banco Master é uma criação do governo Bolsonaro com aprovação de Campos Neto no Banco Central”, disse.

Edinho ressaltou que, diante das denúncias, Lula tem defendido apuração rigorosa e autonomia dos órgãos de fiscalização.

“Quem tem criticado essa execução orçamentária e pediu a apuração sobre o INSS e o Banco Master foi o presidente Lula, dando total autonomia aos órgãos de fiscalização”, afirmou.

Diferença entre encontros com Trump

Edinho também comentou a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e a foto do senador com Donald Trump. Para o dirigente petista, a agenda teve caráter de marketing político e não se compara à atuação internacional de Lula como chefe de Estado.

Segundo ele, Lula esteve com Trump para defender interesses concretos do Brasil, como a soberania nacional e o debate sobre terras raras.

“É muito diferente da ida do presidente Lula, que foi como chefe de Estado, teve três horas de reunião e almoçou com o presidente Trump para tratar de interesses do povo brasileiro”, afirmou.

Edinho disse ainda que Lula é hoje uma liderança respeitada internacionalmente e preparada para defender o Brasil em um cenário global instável.

“Temos no Brasil uma liderança preparada para tirar o país dessa confusão internacional e ser tratado com respeito pelo Governo Trump, graças ao presidente Lula”, afirmou.