Resolução política da reunião da Comissão Executiva Nacional do PT em 17 de novembro de 2025
PT convoca Congresso Nacional para abril de 2026 e defende redução dos juros: “devemos fortalecer a mobilização pela redução dos juros, condição decisiva para sustentar o crescimento, ampliar empregos e aumentar investimentos produtivos e sociais” diz resolução
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Resolução política da reunião da Comissão Executiva Nacional do PT em 17 de novembro de 2025
1. A realização da COP 30 na Amazônia brasileira marca um momento histórico para o Brasil e para o mundo. Pela primeira vez, a principal conferência climática global ocorre no coração da maior floresta tropical do planeta, uma opção política consciente e estratégica do presidente Lula, afirmando que a resposta à crise climática deve nascer dos territórios que mais protegem a floresta e mais sofrem com seus impactos.
2. A COP 30 é também o reconhecimento da centralidade dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e demais populações tradicionais, guardiões da floresta e protagonistas das soluções socioambientais. É com esses povos, suas culturas, seus saberes e suas formas de resistência que o Brasil projeta ao mundo um novo paradigma de combate à crise climática, baseado em justiça, participação popular e proteção dos territórios.
3. O PT tem contribuído de forma decisiva para recolocar o Brasil na liderança ambiental. A participação ativa do partido na COP e na Cúpula dos Povos reafirma nosso compromisso com a transição justa, o combate às desigualdades e a defesa da democracia, pilares indissociáveis do enfrentamento à emergência climática.
4. O cenário internacional continua marcado por forte polarização, com tensões geopolíticas profundas, a crise climática se agravando e disputas por hegemonia entre modelos autoritários e democráticos. Nesse contexto, lamentamos que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha se ausentado da COP 30 e, em vez de cooperar, tenha reiterado gestos imperialistas e ameaças à soberania latino-americana justamente quando o mundo deveria estar unido pela vida.
5. Enfrentar esse projeto militar-imperialista e o negacionismo climático, que não é ignorância, mas uma estratégia global da extrema direita para proteger interesses que lucram com a destruição da natureza e desmobilizar a sociedade é defender a ciência, a verdade e a democracia. Derrotar o fascismo e o negacionismo climático é tarefa de toda a sociedade.
6. Saudamos a vitória do novo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, uma conquista simbólica e estratégica. Nova York é uma metrópole global, palco de influência nas finanças, cultura e poder político internacional. Ter lideranças progressistas à frente de cidades como Nova York significa projetar valores democráticos, de justiça social e de solidariedade global para além das fronteiras nacionais. Essa vitória reforça que a esquerda pode e deve disputar os grandes centros de poder mundial, defendendo políticas de direitos urbanos, igualdade social, transição ecológica, inclusão e participação social.
7. Da mesma forma, celebramos a ida da esquerda ao segundo turno no Chile com Jeannette Jara. O resultado ocorre em um cenário de forte polarização e reafirma que os projetos democráticos-populares na América Latina seguem vivos e capazes de reconquistar respaldo nas urnas. A força desse movimento latino-americano também evidencia a importância da nossa articulação internacional, que une as lutas por justiça social, soberania e sustentabilidade.
8. Por outro lado, a extrema direita global tenta se legitimar por meio da insegurança, da desordem e do medo. Sua narrativa autoritária busca naturalizar intervenções, políticas de exceção e discursos de “guerra” contra seus inimigos internos. Essa estratégia, porém, esbarra na resistência dos povos e das democracias vivas.
9. Para enfrentar esse desafio, é fundamental que o PT combine seu compromisso internacional com uma agenda nacional forte: reafirmar a soberania brasileira, fortalecer a cooperação no Sul Global, apoiar a institucionalidade democrática e mobilizar o mundo em torno dos valores da justiça social, da participação popular, da transição ecológica e da paz. Ao mesmo tempo, seguimos atentos ao crescimento de forças autoritárias que instrumentalizam a insegurança para impor retrocessos sociais e democráticos.
10. A extrema direita tenta disputar o imaginário social a partir do debate da segurança pública de forma irresponsável e sem apresentar soluções concretas, mobilizando termos como “narcoterrorismo”, conceito importado a partir de narrativas do Governo de Donald Trump, que serve para justificar políticas de exceção, militarização permanente e intervenções que corroem a democracia. Essa narrativa, que opera pelo medo, reforça ações autoritárias e oferece respostas simplistas para problemas complexos, explorando a sensação de falta de segurança vivida pela população. Para compreender por que tais discursos ganham adesão, é necessário reconhecer que a política também se disputa no campo da mobilização de sentimentos: o medo opera hoje como força estruturante da política global, simplificando o mundo, reforçando soluções autoritárias, gerando demanda por ordem imediata e criando terreno fértil para práticas de exceção, militarização da vida, supressão de direitos e criminalização de territórios populares. No Brasil, visões semelhantes resultam em operações sem inteligência, sem coordenação federativa e que transformam bairros inteiros em zonas de conflito, produzindo letalidade, interrompendo serviços essenciais, expondo moradores e policiais e sem verdadeiramente desarticular o crime organizado, que se mantém estruturado. A experiência nacional e internacional comprova que encarceramento em massa, flexibilização irresponsável de armas, políticas de guerra e extermínio de jovens negros não reduzem criminalidade.
11. O que funciona é uma política de segurança pública baseada em inteligência, na coordenação, na prevenção e na proteção da vida. Nesse sentido, é fundamental reafirmar a importância de fortalecer a Polícia Federal e a ação interfederativa, o uso da inteligência com valorização dos profissionais da segurança. Temos boas políticas que precisam ser reforçadas como o PRONASCI e Operações como a Carbono Oculto, que chegou na cabeça e desmontou o financiamento do crime organizado sem mortos.
12. Apresentamos a PEC da Segurança Pública para estruturar a atuação, a coordenação e a governança do tema da segurança e o PL Anti Facção. O relatório do Derrite tenta, na contramão do que propomos, proteger as facções, evidenciando o uso político de uma pauta vital para nosso país.
13. Acreditamos que é urgente criar as condições para que o governo federal aprofunde a coordenação, em parceria com estados e municípios, de iniciativas permanentes para o combate à criminalidade e ao crime organizado. Somente com integração, inteligência e continuidade institucional será possível garantir segurança pública democrática e eficaz.
14. Fruto das políticas bem-sucedidas do Governo Lula, o Brasil voltou a crescer acima de 3%, com desemprego na mínima histórica, renda em alta, queda da desigualdade, inflação sob controle, câmbio mais estável e o menor número de jovens “nem-nem” da história. Acreditamos que é justamente nesse momento que devemos fortalecer a mobilização pela redução dos juros, condição decisiva para sustentar o crescimento, ampliar empregos e aumentar investimentos produtivos e sociais, como expressou o próprio presidente Lula ao cobrar publicamente o Banco Central durante o lançamento do Reforma Casa Brasil. Reduzir os juros é defender o desenvolvimento, a soberania econômica e o poder de compra do povo brasileiro.
15. As grandes empresas de tecnologia, as Big Techs, controlam fluxos de informação, algoritmos e conteúdos que influenciam diretamente o debate público e até processos eleitorais, frequentemente impondo lógicas privadas em detrimento da soberania e do interesse público. Diante desse cenário, evidenciado inclusive pelo recente “caso Felca”, que recolocou a regulação digital no centro do debate público, torna-se imperativo avançar em uma legislação que organize o ambiente digital, garanta proteção de crianças e adolescentes, fortaleça a comunicação pública, valorize comunicadores populares e assegure mecanismos de responsabilização das plataformas. Por isso, o PT atuará para que o Parlamento priorize a regulação democrática da atuação das big techs como passo essencial para enfrentar a violência digital, defender a soberania nacional e proteger a democracia.
16. Criamos hoje a Secretaria do Congresso Nacional do PT e três Subsecretarias que serão responsáveis por conduzir a atualização estatutária, o Programa partidário, conjuntura política e tática eleitoral, entre 23 e 26 de abril de 2026.
17. Instalamos também o Grupo de Trabalho Eleitoral, encarregado de coordenar a estratégia eleitoral nacional do partido, orientar direções estaduais e organizar debates programáticos para as eleições de 2026, em um contexto em que reeleger o presidente Lula é uma necessidade histórica: garantir a continuidade do projeto democrático popular é proteger o país da extrema direita, aprofundar a reconstrução do Estado, consolidar direitos, promover um novo ciclo de desenvolvimento sustentável.
18. O PT é um dos pilares da democracia brasileira, responsável por conquistas históricas como eleger o primeiro presidente operário e a primeira mulher presidenta do país, e segue sendo instrumento essencial para a organização dos trabalhadores, a defesa dos direitos sociais e a construção de um país mais justo, soberano e solidário, tendo plena consciência dos desafios de estimular as lutas sociais por direitos, fortalecer o enraizamento partidário, ampliar nossas bancadas, consolidar a esquerda e o campo democrático e assegurar a reeleição do presidente Lula, condição central para dar continuidade ao projeto de desenvolvimento, justiça social, reforma tributária progressiva e soberania nacional.
