Tereza Campello: Programa Cisternas na Amazônia vai beneficiar mais de 4.600 famílias

Ao Jornal PT Brasil, diretora Socioambiental do BNDES falou sobre o projeto, que vai receber mais de R$ 150 milhões de investimento do governo Lula

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Campello: o projeto vai beneficiar as populações das unidades de conservação de uso sustentáveis

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, participou do Jornal PT Brasil desta sexta-feira (15) e explicou como vai funcionar o Programa Cisternas na Amazônia, que vai beneficiar mais de 4.600 famílias de baixa renda, em áreas rurais. 

Com recursos do Fundo Amazônia e investimento de mais de R$ 150 milhões, o governo Lula vai investir no programa com tecnologia adaptada para famílias isoladas ou em núcleos comunitários, e para ambiente de várzea e terra firme.

O projeto vai beneficiar as populações das unidades de conservação de uso sustentável, como florestas e reservas extrativistas; além de comunidades remanescentes de quilombos e projetos de assentamento em 16 cidades no Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia. Os beneficiados vão poder armazenar água da chuva, que será filtrada para consumo próprio e usada para produção de alimentos. 

Tereza Campello lembrou que, em 2013, no Segundo Chamado da Floresta, que aconteceu em Marajó (PA), o governo começou a desenvolver uma tecnologia para levar água de qualidade para os povos da floresta. 

“As pessoas ficam sem entender, porque é uma região com o maior acesso à água, a maior fonte de água doce do mundo, diga-se de passagem, mas muitas dessas comunidades não têm acesso à água potável, à água de qualidade. Por quê? Ou porque o rio tem baixa oxigenação, baixa qualidade, ou porque, por falta de saneamento, o rio é contaminado”, detalhou a diretora.

“Então as pessoas bebem a água, que é uma água de baixa qualidade, acabam ficando doentes e geram problema em cima de problema. A gente identificou já naquela ocasião e começou a fazer esse programa”, ressaltou.

Ela explicou que o projeto foi desenvolvido no final do governo da presidenta Dilma Rousseff, e interrompido nos governos Temer e Bolsonaro.

“Ele fazia captação de água da chuva, então nesse sentido ele é um modelo parecido com o do Nordeste, de fato, usa o telhado das casas quando chove, capta a água, vem pela calha e a gente coloca num reservatório”, disse Campello. “Então, na Amazônia, além do reservatório, a gente fazia um chuveiro, fazia um banheiro com chuveiro, com pia, com vaso sanitário. Esse é um modelo que a gente começou a fazer lá e foi interrompido pelo governo Temer e pelo governo Bolsonaro”.

Leia mais: Governo retoma Programa Cisternas para garantir acesso à água para consumo e produção

Proposta diferente

A tecnologia denominada Sistema Pluvial Multiuso conta com modelos adaptados para ambiente de várzea e terra firme, e para famílias isoladas ou em núcleos comunitários. 

A tecnologia prevê o acesso à água de chuva e de fontes superficiais ou subterrâneas, no caso do modelo comunitário, associado a uma instalação sanitária, com chuveiro, pia, vaso sanitário e fossa. 

É uma proposta diferente das tecnologias implementadas no semiárido, segundo Tereza Campello. 

“E agora, ele ganhou novas funções. Tem a captação de água da chuva para botar no reservatório, tem esse modelo de saneamento com pequeno banheiro e com fossa para que não contamine o rio. Além disso, as comunidades têm captação por bomba com energia solar, aí você está articulando energia renovável na floresta, não usando diesel, para bombear a água, ou do rio ou de poço, para também ter mais acesso à água”.

Campello também relata que existe um módulo de inclusão produtiva que leva fomento. “São recursos não reembolsáveis, 4.600 reais, para que essas comunidades possam se desenvolver. Em alguns casos, o pescador precisa de um refrigerador, precisa ter um pequeno módulo para a refrigeração, ou não, para sua roça de mandioca, ou para algum tipo de criação, e assistência técnica. Nós estamos aliando acesso e dignidade para a água, de saneamento com inclusão produtiva”. 

Atenção do governo Lula

A atenção do governo do presidente Lula com a Amazônia também foi destacada por Tereza Campello. Ela contou que o conjunto de ilhas do Marajó tem os piores índices de desenvolvimento humano do Brasil e é o território com menos acesso à água, principalmente nas escolas. Para reverter esse cenário, a diretora Socioambiental do BNDES falou sobre o Fundo Amazônia. 

“A gente também está colocando água nas escolas, com um outro programa que a gente está fazendo, o Fundo Amazônia, o BNDES, junto com o Ministério do Desenvolvimento Social, levando água para as escolas”, afirmou.

“Não tem água, não tem médico, não tem saneamento, então tem índices de não acesso a políticas públicas altíssimo. Garantir a chegada de políticas públicas, estamos levando também água para as escolas, então um conjunto de políticas que está chegando no Arquipélago do Marajó, assim como outros territórios da Amazônia, para garantir acesso, dignidade e cidadania”, assegurou.

Edital Sanear

O edital Sanear Amazônia foi lançado em cerimônia, na segunda-feira (11), na Ilha do Marajó (PA), por representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O Fundo Amazônia é administrado pelo BNDES em coordenação com o MMA.

Ouça o Boletim da Rádio PT:

Programa Cisternas na Amazônia

A tecnologia denominada Sistema Pluvial Multiuso conta com modelos adaptados para ambiente de várzea e terra firme, e para famílias isoladas ou em núcleos comunitários.

É uma proposta diferente das tecnologias implementadas no semiárido, uma vez que foi desenhada para as condições de acesso à água da Amazônia (onde o principal problema é a potabilidade da água de rios e poços).

A tecnologia prevê o acesso à água (de chuva e de fontes superficiais ou subterrâneas, no caso do modelo comunitário), associado a uma instalação sanitária, com chuveiro, pia, vaso sanitário e fossa. O valor unitário varia de R$ 23 mil a R$ 29 mil, dependendo do estado.

Leia mais: Premiado pela ONU, Programa Cisternas levou água a 5 milhões

A tecnologia comunitária é constituída por:

– Um módulo familiar, que inclui componente para captação de água de chuva, dispositivo de tratamento, um reservatório individual de mil litros, um filtro de barro de oito litros, uma instalação sanitária domiciliar e a instalação de quatro pontos de uso, inclusive vaso sanitário; e

– Um módulo complementar, que inclui captação de água de fonte complementar (rios ou poços já perfurados), unidade de tratamento, reservatório de cinco mil litros comunitário e rede de distribuição de água aos módulos familiares.

A tecnologia autônoma ou familiar é constituída por:

– Componente para captação de água de chuva, dispositivo de tratamento, um reservatório de armazenamento de água de 5 mil litros, um reservatório para distribuição de água de mil litros, um filtro de barro de oito litros, uma instalação sanitária domiciliar e a instalação de quatro pontos de uso, inclusive vaso sanitário.

Governos PT

Em 13 anos de governos do PT, o Programa 1 Milhão de Cisternas resultou em 1,3 milhão de reservatórios, com a entrega de 1.257.670 cisternas para consumo; 169.537 cisternas para produção de alimentos e criação animal e mais 6,9 mil cisternas escolares.

Cada cisterna de placa de concreto tem custo aproximado de R$ 3,8 mil e capacidade de armazenar até 16 mil litros de água (da chuva ou de caminhões-pipa).

O governo de Bolsonaro deixou um déficit de 350 mil cisternas. Desde 2017, o programa sofreu uma drástica redução de sua capacidade. Os dois últimos anos foram os de piores execuções da história, com apenas 4,3 mil cisternas entregues em 2021 e 5,9 mil em 2022. Em 2014, por exemplo, foram mais de 149 mil unidades instaladas, enquanto em 2013 foram quase 142 mil.

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Da Redação, com informações do MDS e Agência Brasil

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