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‘Vamos desocupar o território’: Lula acompanha ação integrada contra o crime no Rio

Presidente defende integração policial no Rio de Janeiro como modelo nacional: “Se der certo aqui, vai dar certo no Brasil”

Lula enfatiza a importância de União, estado e município atuarem em conjunto. Ações integradas mostram resultados concretos.Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou nesta sexta-feira, 18, as Ações Integradas para o Enfrentamento ao Crime Organizado, no Complexo da Polícia Rodoviária Federal no Rio de Janeiro. A atuação é coordenada entre União, estado e município para cortar a logística do crime, cercar as rotas interestaduais das facções, retomar territórios e fortalecer as cidades. “Não tem sentido um bandido mandar numa favela. Não tem sentido o bandido tomar conta do clube do bairro”, declarou o presidente.

Ao lado do governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, do prefeito Eduardo Cavaliere e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, Lula afirmou que o Estado “precisa ganhar do crime organizado”.

Sufocar a logística e retomar o território

Lula detalhou os três passos do seu Pacto da Segurança: sufocar a logística e a mobilidade do crime, retomar os territórios dominados pelas facções e fortalecer o papel e a capacidade dos municípios na segurança pública. “Vamos desocupar o território. É um compromisso nosso deixar o Rio de Janeiro livre da bandidagem para a sociedade poder se movimentar com tranquilidade”, declarou.

A estratégia se organiza em três frentes, todas em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública: a Proteção Integrada dos Corredores Logísticos e a Política Estadual de Reocupação Territorial, ambas com o estado, e a Capacidade Municipal de Segurança, com os municípios.

Nas divisas com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo e nas principais vias da Região Metropolitana, como Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e os acessos ao porto e aos aeroportos, as forças de segurança atuam com inteligência, investigação e tecnologia para dificultar a circulação e o abastecimento das organizações criminosas.

Os números já aparecem. Entre janeiro e setembro, as 16 operações integradas coordenadas pela Senasp no estado resultaram em 3.363 pessoas presas, 56 armas e mais de 1,1 tonelada de drogas apreendidas. Só a Operação Protetor das Divisas, entre 1º e 11 de setembro, abordou 7.995 pessoas e 5.746 veículos, com 281 bloqueios, barreiras ou blitz.

“Nós estamos tendo um novo começo para a gente criar um novo padrão de segurança pública neste país. E que Deus queira que a gente comece pelo Rio de Janeiro, porque se der certo no Rio, vai dar certo em nível nacional”, declarou Lula.

Presidente cumprimenta profissionais da Polícia Rodoviária Federal e diz ter confiança na integração das forças de segurança.Foto: Ricardo Stuckert

“O dono do garimpo nunca está lá”

O presidente afirmou que seu compromisso é mirar os magnatas do crime, aqueles que comandam o tráfico e as milícias dos condomínios de luxo, e não das favelas: “Isso é que nem garimpo: nós nunca conseguimos pegar o dono. […] Da mesma forma é o chefe do crime organizado. Ele nunca conhece a favela, ele está no apartamento de cobertura, ele está morando num condomínio. Ele não tem que sujar as mãos; alguém tem que sujar as mãos por ele. E se tiver proteção pública, melhor ainda”.

O ministro Wellington César Lima reforçou que “se o crime se pretende organizado, o Estado tem que ser muito mais organizado”. Segundo ele, este é “o momento mais fecundo” dos três mandatos de Lula em matéria de segurança pública.

Corrigir o erro de 1988

Lula, que foi deputado constituinte, disse que seu objetivo com a PEC da Segurança Pública, que está em análise no Senado, é corrigir um erro da Constituição, que deu responsabilidade quase exclusiva para os estados no que diz respeito à segurança pública. “Alguns trabalharam e deu certo, mas a maioria não deu certo”, afirmou. “A polícia trabalha com base nos manuais, obedecendo regras. E o crime organizado não.”

“Se preparem, porque a hora em que for aprovada a Emenda Constitucional, eu vou criar o Ministério da Segurança Pública”, voltou a prometer o presidente.

Lula também defendeu o fortalecimento das guardas municipais: “Uma prefeitura do tamanho da cidade do Rio de Janeiro […] não pode ficar sem ter uma polícia dela com direito de andar armada”. O prefeito Eduardo Cavaliere destacou que a guarda treinada com PRF e Ministério da Justiça já fez “mais de 1.200 prisões sem efetuar nenhum disparo”, e que a meta é “tornar a circulação na região metropolitana pior para o criminoso […] e melhor para o cidadão”.

Terror de facções é diferente de terrorismo de Estado

Lula rejeitou a tese de que as facções sejam organizações “terroristas”, como propõe o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado; ele fala da briga pelo poder. E era isso o Bolsonaro tentando dar o golpe dia 8 de Janeiro: isso é terrorismo”, declarou.

O presidente explicou que as facções promovem outra forma de terror: “Esse terrorismo faz viver todo mundo assustado”.