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Lula recebe pastores e diz que não faz política em igreja por respeito à fé das pessoas

Evento no Planalto reuniu líderes religiosos do Brasil e dos EUA. Presidente disse que vai à ONU e cobrará nações contra conflitos armados. Ele também defendeu as urnas eletrônicas

"Se eu quiser fazer política, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço", afirmou o presidente, enfatizando que cada um tem seu momento de conversa direta com Deus nas igrejas.Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quarta-feira, 16, pastores evangélicos do Brasil e dos Estados Unidos, além de uma representante de Cuba, em um encontro no Palácio da Alvorada. Faltando 19 dias para o primeiro turno das eleições, Lula aproveitou a ocasião para defender a integridade do sistema eleitoral brasileiro e anunciar uma nova política de cuidado à população idosa.

Lula reafirmou que não faz política dentro de igrejas, por respeito à fé de cada pessoa: “Se eu quiser fazer política, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço, em nenhuma igreja, porque eu acho que cada ser humano tem que ter o seu momento de paz para conversar com Deus.” Também defendeu a igualdade de gênero dentro das instituições religiosas, destacando o crescimento das igrejas evangélicas no país.

“A religião para mim é uma coisa sagrada. E eu respeito as pessoas que acreditam na religião que quiserem acreditar. Ninguém precisa prestar contas para mim nem para ninguém: você e Deus são únicos e não precisa ninguém saber o que você fala, o que você faz”, declarou.

“Não se meta nas eleições brasileiras”

Lula afirmou ter dito diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para não interferir no pleito brasileiro: “Não se meta nas eleições brasileiras, porque as eleições brasileiras são um problema do povo brasileiro. E não duvide das urnas brasileiras!”

O presidente também rebateu discursos que colocam em xeque a confiabilidade da urna eletrônica. Ele citou sua própria trajetória em disputas presidenciais ao longo de mais de três décadas como prova da lisura do sistema. Disse que, “se ela pudesse roubar, o Lula não teria chegado à Presidência três vezes”.

Também criticou adversários que negaram o resultado das urnas e hoje respondem por tentativa de golpe de Estado. “São os que negam a urna, os que negam a democracia […] que estavam no poder. E agora estão na cadeia porque tentaram dar um golpe de Estado”, declarou.

Segundo Lula, o Brasil decidirá em 19 dias “que tipo de regime ele quer, que tipo de governo ele quer, que tipo de democracia nós queremos”.

Discurso na ONU e crítica à ordem mundial

Lula afirmou que usará seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro, para cobrar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — pela escalada de conflitos armados no mundo. Lembrou que o planeta vive hoje a maior quantidade de conflitos armados depois da Segunda Guerra Mundial e que o gasto militar global se aproxima de US$ 3 trilhões por ano.

O presidente disse ter conversado por telefone, nos últimos dias, além de Trump, com o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin, pedindo que os líderes busquem uma solução negociada para os conflitos em curso, como a guerra na Ucrânia e a situação na Faixa de Gaza.

Política de cuidado para os idosos

Lula anunciou que criará, em seu quarto mandato, uma política nacional de cuidado voltada à população idosa, com foco no combate ao isolamento social de pessoas mais velhas e na ampliação do atendimento domiciliar a quem está doente.

O presidente também destacou conquistas do seu terceiro mandato, como a retirada do país do mapa da fome pela segunda vez – situação que havia voltado durante o governo de Jair Bolsonaro, quando 33 milhões de brasileiros voltaram para a insegurança alimentar.

Ao final do encontro, o presidente agradeceu a presença dos convidados e reafirmou a luta contra a desigualdade como a “causa primária” de seus mandatos.