Terras raras: petistas denunciam ‘entreguismo’ de Flávio Bolsonaro aos EUA
Parlamentares apontam tentativa de subordinar riquezas estratégicas brasileiras a interesses estrangeiros, uma ameaça grave à soberania e ao desenvolvimento nacional
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A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos escancarou, mais uma vez, o projeto do bolsonarismo para o país: subserviência externa e entrega das riquezas nacionais. Em discurso na CPAC, evento da extrema-direita norte-americana, o parlamentar afirmou que “o Brasil será o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será disputado” e que o Brasil é a “solução dos América [Estados Unidos]” para reduzir a dependência de minerais estratégicos controlados pela China. O bolsonarista ofereceu os recursos naturais brasileiros como instrumento para sustentar interesses geopolíticos estrangeiros.
A fala gerou forte reação entre as lideranças petistas. O líder do Governo Lula na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), não escondeu a revolta com a postura entreguista do senador. “Flávio Bolsonaro não será candidato a presidente da República, mas candidato a gerente de negócios dos bilionários dos Estados Unidos no Brasil”, afirmou.
O senador Humberto Costa (PT-PE), secretário nacional de Relações Internacionais do PT, foi contundente: “O candidato do bolsonarismo mostra, mais uma vez, seu ‘projeto’ para o Brasil: entregar nosso país para ser saqueado por nações estrangeiras. Uma vergonha, mais um crime de lesa-pátria!”.
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O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou o caráter entreguista de Flávio Bolsonaro: “Ele vai lá fora, diante de uma plateia estrangeira, para atacar a nossa soberania e se colocar numa posição de submissão total. Ele diz textualmente que o Brasil vai ser a ‘solução’ para eles, para os americanos”. E completou: “É a mentalidade de quem não tem projeto de nação, só tem projeto de entrega […] o cúmulo do vira-latismo”.
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), afirmou que a família Bolsonaro tem vendido tudo no Brasil e vai continuar: “Tal pai, tal filho, assim como Bolsonaro vendeu refinarias e a BR distribuidora BR, contribuindo para aumentar o preço dos combustíveis, Flávio falou com todas as letras que, caso seja eleito, vai entregar nossas riquezas para os Estados Unidos”, criticou.
Na mesma linha, o deputado Rogério Correia (PT-MG) acusou Flávio Bolsonaro de atravessar a fronteiras para atacar o próprio país e se alinhar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Não representa o Brasil, representa interesses de fora. Coloca Amazônia, minerais e riquezas nacionais na prateleira dos estrangeiros e age como peça de um projeto de submissão. Esse é o bolsonarismo na prática: servil, entreguista e sem compromisso com a soberania. Quem age assim trabalha contra o Brasil”, protestou.
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Terras raras: o que está em jogo
O pano de fundo da declaração de Flávio Bolsonaro é ainda mais grave quando se entende o que está em jogo. As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos estratégicos para a economia e a transição energética. Elas estão presentes em indústrias de tecnologias de ponta, como fabricação de celulares, computadores, carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas militares avançados. Embora não sejam propriamente escassas, sua exploração e, principalmente, seu processamento são altamente concentrados, hoje dominados pela China. Isso faz desses minerais peças-chave na disputa global por poder tecnológico e militar.
Estudos do Serviço Geológico do Brasil e do Ministério indicam que o Brasil tem volume significativo de recursos: relatórios oficiais apontam reservas importantes (estatísticas citam cerca de 21 milhões de toneladas de ETR contido, colocando o Brasil entre os países com grandes reservas). Esses minerais são estratégicos para a transição energética (veículos elétricos, energia eólica, eletrônica).
Projeto em votação
O Projeto de Lei 2780/24, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, visa a estruturar uma cadeia sustentável que vai da pesquisa geológica à transformação industrial de minérios essenciais para a transição energética e a inovação tecnológica. O texto estabelece diretrizes para garantir o suprimento de materiais como lítio, cobre e terras raras, buscando atrair investimentos e consolidar o Brasil como um player estratégico no cenário global de descarbonização antes da realização da COP 30.
Atualmente, a proposta tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados, após a aprovação do Requerimento 3764/2025. Com a designação do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) como relator, o projeto está pronto para a pauta do plenário, podendo ser votado diretamente pelos parlamentares para acelerar sua conversão em lei e a implementação dos incentivos previstos para o setor mineral.
Rede PT de Comunicação.