Estado quer prestar serviço público de qualidade e eficiente, diz ministra

Esther Dweck rebate críticas de que governo está inchando a máquina e explica que desde 2016 mais de 70 mil pessoas deixaram os cargos

Fabio Rodrigues Pozzebom / AgênciaBrasil

Esther Dweck rebateu as críticas de que há inchaço da máquina pública.

A reestruturação do serviço público federal está focada em prestar políticas públicas de qualidade, após perdas significativas de servidores nos últimos anos. A afirmação foi feita pela ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, durante o programa “Bom dia, Ministra”, da emissora EBC, nesta quinta-feira, 2. Segundo a ministra, a reorganização é feita com responsabilidade fiscal e visa aumentar a eficiência do funcionalismo, trazendo a valorização dos servidores e atualizações tecnológicas para dinamizar o trabalho como foco.

“O que a gente está fazendo é recompondo a capacidade do Estado brasileiro de prestar políticas públicas”, garantiu a ministra, ao rebater a percepção, circulada na grande mídia recentemente, de que o governo estaria “inchando a máquina pública”. Dweck apresentou dados que demonstram uma saída líquida de mais de 70 mil pessoas do serviço público, excluindo instituições federais de ensino, desde 2016. Em contraponto, de janeiro de 2023 a março de 2026, 19 mil servidores entraram e 16 mil saíram, resultando em um saldo líquido de apenas 3 mil novas contratações até o momento.

“De fato,  estamos correndo atrás de um prejuízo para recompor. Já conseguimos fazer isso em áreas importantes, inclusive na área de segurança pública. Tudo isso numa taxa [de recomposição] muito menor do que a saída”, explicou.

Responsabilidade Fiscal e Eficiência

 

Ao abordar a questão do equilíbrio entre a valorização do serviço público e a entrega de maior eficiência ao cidadão, a ministra destacou o compromisso com a responsabilidade fiscal. Ela assegurou que, apesar da reestruturação de carreiras e novas contratações, o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) gasto com pessoal se manterá o mesmo do início do mandato, em torno de 2,6% do todo.

“Fizemos todo esse processo de reestruturação de carreiras, voltado a valorizar os servidores, e vamos entregar no final desse mandato do presidente Lula o mesmo percentual de gastos. Ou seja, não teve uma expansão de gasto pessoal. Ao contrário, a gente manteve [o mesmo valor]”, enfatizou.

O aumento da eficiência, segundo a ministra, passa por ações como a ampliação da digitalização dos serviços públicos – com a estimativa de mais de R$10 bilhões em economia para os setores público e privado. A utilização de Inteligência Artificial (IA) para elevar a produtividade também foi enfatizada pela ministra, que deixou claro que a aproximação do governo com essas tecnologias não irá substituir o trabalho humano. 

A tecnologia ajuda, ela é uma aliada das pessoas, mas a gente não pode ter nada sem supervisão humana.  Não podemos ter nenhuma decisão feita por máquinas. Vamos continuar tendo pessoas, nós precisamos de pessoas”. 

Concursos e diversidade no serviço público

 

Um dos grandes focos de recomposição é por meio dos concursos públicos, como o Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). O chamado Enem dos Concursos, que teve edições em 2024 e 2025, revela uma nova cara para o serviço público dos próximos anos: de acordo com Esther Dweck, na segunda edição, 40,5% das pessoas aprovadas concorreram por cotas e 48% eram mulheres.

“A gente acha que, quanto mais diversidade tiver dentro do serviço público, melhores serão as políticas, porque teremos gente conhecendo a realidade inteira do Brasil”, defendeu a ministra.

A perspectiva de novas convocações é grande para 2026. Dweck prevê a entrada de quase 7.000 pessoas por meio de concursos já autorizados e chamadas de excedentes. As nomeações do CPNU 2, por exemplo, devem começar no início de maio. Órgãos como a Polícia Federal tem chance de convocar cerca de 1.500 aprovados nos concursos ainda neste ano.

A ministra assegurou que o Governo Federal segue monitorando, juntamente com órgãos como a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e a Defesa Civil, no combate a fraudes nos resultados dos concursos. “As pessoas que fizeram corretamente [as provas] podem ficar tranquilas. Buscamos a total capacidade de detectar qualquer tipo de fraude no concurso”.

A reestruturação de carreiras é outro ponto central. O governo tem apostado em carreiras transversais para dar mais flexibilidade à alocação de servidores e adequar a estrutura a um cenário de rápidas transformações tecnológicas. “A nossa tendência é contratar cada vez mais por essas carreiras transversais e menos por carreiras específicas”, disse a ministra, citando a transformação de cargos obsoletos, como datilógrafo, em funções modernas.

Tecnologia e Inovação na Ponta

 

A tecnologia também é utilizada para combater a exclusão digital e melhorar serviços cruciais. A parceria com o Google, para fornecer imagens de alta precisão para o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em estados como Pará, Maranhão, Rondônia e Mato Grosso, por exemplo, é uma das apostas do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos para facilitar a vida dos agricultores e servindo de base para crédito rural.

Para enfrentar a exclusão digital, o Ministério está expandindo o projeto Balcão Gov.br, um espaço físico para que a população possa tirar dúvidas e aprender a usar os serviços digitais. Até o final de 2025, o programa já possuía 120 unidades em 15 estados, alcançando cerca de 33 milhões de pessoas. 

A ministra concluiu a entrevista reforçando o valor da chegada dos novos servidores, que trazem um “gás novo” para um serviço público com idade média avançada devido à ausência de concursos nos últimos anos. “Queremos pessoas com o espírito público e que querem de fato servir a população,” finalizou.

Rede PT de Comunicação.

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