Brasil amanhã: Chile nas ruas pela volta da previdência pública

País acabou com sistema público de aposentadoria na década de 1980. Agora, população luta para ter aposentadoria pública novamente

Protestos contra sistema de aposentadoria privada. Sociedade Civil/Facebook

Enquanto o governo  golpista tenta destruir o sistema previdenciário brasileiro, a população chilena sai às ruas para pedir a aposentadoria pública de volta. No país sul-americano, a seguridade social pública foi extinta na década de 1980 e substituída por um sistema de previdência completamente privado.

Agora, os primeiros trabalhadores que começam a se aposentar por esse sistema se deparam com aposentadorias menores que o salário mínimo no país. Desde julho do ano passado, manifestações massivas têm pedido o retorno do sistema público, similar ao atual sistema brasileiro. O último protesto foi neste domingo, 26 de março.

No Brasil, o sistema de aposentadoria é solidário. Isso significa que os trabalhadores contribuintes do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) financiam os aposentados. No Chile, esse sistema foi extinto na década de 1980 pelo ditador Augusto Pinochet.

É o mesmo caminho que Michel Temer (PMDB) quer criar com a reforma da aposentadoria. Apesar de não acabar efetivamente com o sistema público, a proposta de Temer o enfraquece, pois inibe a contribuição dos jovens. Além disso, força a migração para o sistema privado, já que vai reduzir a quantidade de pessoas que se aposentará pelo sistema público.

Por fim, o aumento da terceirização e informalidade – previstos na lei da terceirização aprovada na última semana e na reforma trabalhista em tramitação –  também reduz as contribuições. Diversos economistas têm alertado para o risco de quebra do sistema de Previdência pela redução massiva de contribuições – e não pelos motivos que os golpistas alegam.

No Chile, o sistema solidário foi substituído pelas AFPs (Administradoras de Fundos de Pensão). Essas empresas privadas passaram a administrar o dinheiro de cada trabalhador, que o recupera ao fim da vida laboral. Ou seja, o trabalhador deposita parte do seu salário todo mês, e o recupera ao se aposentar. O problema é que esses fundos estão sujeitos às oscilações de mercado e apresentaram perdas expressivas. Como o prejuízo nunca fica com as empresas, ele é revertido para o trabalhador.

Segundo reportagem da revista CartaCapital, um estudo publicado pelo instituto Cenda mostra que o valor das aposentadorias corresponde em média a 30% dos salários dos seus contribuintes, muitas vezes menor que o salário mínimo do país. Segundo a OCDE, esse número é de 36%, enquanto no Brasil é de 82,5%.

“As experiências chilena e mexicana são desastrosas. Hoje a população desses países está nas ruas revertendo esse sistema”, afirmou o ex-ministro da Previdência Social Miguel Rossetto. “São sistemas privados de financiamento privado, de contribuição privada, que se revelaram absolutamente insustentáveis”, diz.

“Por isso o nosso sistema que é de repartição de ciclos, de solidariedade entre as gerações, deve ser mantido porque ele é eficiente, e é financiado num tripé, contribuição direta do trabalhador, com cota patronal e pela sociedade com as contribuições previstas na Constituição”, explica.

Da Redação da Agência PT de Notícias

 

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