O Brasil precisa estar preparado para defender seu território, suas riquezas naturais e sua soberania. Foi com essa mensagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, nesta sexta-feira, 24, a importância de fortalecer a indústria nacional de defesa durante visita à Avibras Aeroco, em Jacareí (SP). Ao defender investimentos em tecnologia, inovação e capacidade produtiva nacional, o presidente afirmou que um país com as dimensões e os recursos do Brasil não pode abrir mão de uma indústria de defesa forte e estratégica.
“Nós somos uma nação que tem que cuidar da defesa. Esse país é muito poderoso”, afirmou Lula ao lembrar que o Brasil possui mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres, cerca de 8 mil quilômetros de litoral, a maior floresta tropical do planeta, 12% da água doce do mundo e reservas de minerais críticos e terras raras.
“Precisamos levar em conta que a defesa é séria. Eu quero as Forças Armadas bem preparadas, bem treinadas. Quero ela bem preparada do ponto de vista do poderio de armamento e de conhecimento científico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz. Preparada para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”, disse.
Indústria nacional como instrumento de soberania
A visita de Lula ocorre em um momento de retomada da Avibras, uma das principais empresas da Base Industrial de Defesa do país, responsável pelo desenvolvimento de mísseis, foguetes, veículos e lançadores espaciais utilizados pelas Forças Armadas brasileiras e por clientes internacionais. A empresa enfrentava uma grave crise financeira desde 2022, quando entrou em recuperação judicial e, meses depois, viu seus trabalhadores iniciarem uma greve por atraso de salários que se estendeu por cerca de 1.280 dias.
Suas atividades foram retomadas em maio deste ano, após um acordo entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.
Ao celebrar a retomada das atividades da indústria, Lula afirmou que nunca aceitou ver uma empresa estratégica para a segurança nacional permanecer paralisada.
“Não tinha explicação política, econômica, social e nem como nação soberana uma empresa que acumulou tanto conhecimento tecnológico ser destruída”, afirmou.
Segundo ele, recuperar a capacidade industrial brasileira faz parte do processo de reconstrução iniciado pelo governo federal. O presidente lembrou o crescimento recente da indústria automobilística como exemplo da retomada da produção nacional e defendeu que o mesmo caminho seja seguido pelo setor de defesa.
Nova Indústria Brasil impulsiona retomada
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou que a recuperação da Avibras é resultado da política da Nova Indústria Brasil, voltada ao fortalecimento da produção nacional. Segundo ele, a empresa representa uma indústria de alta tecnologia, inovação e capacidade exportadora.
Alckmin destacou ainda que o governo retomou instrumentos de apoio às exportações da Base Industrial de Defesa, permitindo que o setor ampliasse sua presença internacional. As exportações brasileiras da área passaram de cerca de US$600 milhões em para mais de US$ 3,7 bilhões nos últimos três anos.
“O Exército pode ficar cem anos sem ser utilizado, mas o Brasil não pode ficar um minuto sem estar preparado”, afirmou o vice-presidente, ao defender a importância da capacidade de dissuasão para garantir a paz.
Defesa também gera empregos e desenvolvimento
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou que fortalecer a indústria de defesa também significa investir em pesquisa, inovação e geração de empregos. Segundo ele, o governo Lula recolocou a política industrial no centro da estratégia de desenvolvimento do país ao recriar o Ministério da Indústria e lançar a Nova Indústria Brasil.
“Sem política industrial não há desenvolvimento econômico, distribuição de renda nem geração de empregos”, afirmou.
Elias Rosa lembrou que apenas a missão voltada ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa já reúne R$ 112 bilhões em investimentos, impulsionando cadeias produtivas de alta complexidade tecnológica.
Reconhecimento aos trabalhadores
Lula reservou uma parte importante do discurso para homenagear os trabalhadores da Avibras, que permaneceram mobilizados durante anos para preservar a empresa e viabilizar sua retomada. O presidente elogiou o acordo firmado entre o sindicato e a empresa para garantir a volta da produção e o pagamento parcelado das dívidas trabalhistas.
“Vocês [trabalhadores] fizeram um gesto de muita maturidade política. Primeiro, pela compreensão da importância da empresa. Segundo, por entenderem que o mais importante era voltar a trabalhar, voltar a receber o salário e parcelar o atrasado para que a gente pudesse ajudar, encontrar uma solução e garantir que vocês recebessem o que têm direito. Assim, o Brasil fica com a consciência tranquila diante da grandeza de vocês ao fazer esse acordo para recuperar a Avibras”, destacou Lula
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que recuperar a Avibras foi uma das primeiras missões que recebeu do presidente ao assumir a pasta, ainda em 2022. Ele disse que a colaboração do sindicato e dos trabalhadores foi necessária para que essa tarefa fosse concluída.
“Vocês estão de parabéns. Quando eles foram atrás de mim, não foram pedir para pagar os salários atrasados. O pedido principal é que essa empresa não fechasse e que o governo a ajudasse”, relatou.