O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira, 8, que a questão climática não é tema de disputa eleitoral, mas de sobrevivência da humanidade. Durante cerimônia no Palácio do Planalto em celebração ao Dia da Amazônia, comemorado em 5 de setembro, ele assinou decretos de criação e ampliação de Unidades de Conservação e anunciou medidas para fortalecer a bioeconomia.
Lula ressaltou que as políticas de proteção ambiental do seu governo levaram anos para ser construídas e alertou para a rapidez com que podem ser destruídas por gestões que não têm compromisso com o meio ambiente.
“Não podemos ter memória curta. Para destruir isso, não precisa ter nenhuma reunião: é só um salafrário qualquer que não gosta da questão ambiental assumir o governo”, ressaltou.
Ao recordar os retrocessos do governo Jair Bolsonaro na área ambiental, o presidente fez referência à política de “passar a boiada”, encampada pelo ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles.
“Há menos de quatro anos, a gente estava chorando, porque o discurso era de ‘vamos quebrar a cerca para passar o gado’”, declarou.
O presidente também destacou que a responsabilidade pela proteção da Amazônia deve ser compartilhada por toda a sociedade brasileira, inclusive por quem vive longe da região.
“Os guardiões da floresta não são os indígenas, os pescadores, os ribeirinhos. São vocês, povo brasileiro, que não moram lá, mas têm a responsabilidade de defender aquilo como o patrimônio mais importante que o ser humano tem”, afirmou.
Ao tratar das oportunidades de desenvolvimento com a floresta em pé, Lula disse que “a preservação ambiental virou uma questão econômica”. Nesse contexto, incentivou os brasileiros de outras regiões a conhecerem a Amazônia e apontou o turismo como uma alternativa de geração de renda associada à conservação.
“No dia que a sociedade brasileira descobrir que fazer turismo em uma área de preservação, com condições de ficar lá, de descansar e de conhecer a nossa riqueza, vai ver que a floresta em pé é mais rentável do que uma floresta derrubada ou queimada.”
Lula também compartilhou o desejo de ver aviões lotados de jovens estudantes do Sul e do Sudeste viajando para conhecer a Amazônia.
Proteção territorial e fomento à bioeconomia
O presidente assinou durante a cerimônia decretos que criam quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas, na região de influência da BR-319, e ampliam o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí. O evento também incluiu a assinatura de contratos de concessão florestal, o início da ativação de seis núcleos de sociobioeconomia e anúncios do BNDES para conservação, restauração ecológica e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
As novas Unidades de Conservação somam cerca de 676 mil hectares. No Amazonas, as reservas Tupana Igapó-Açu I, Tupana Igapó-Açu II, Canaã e Mirari garantem a proteção da biodiversidade no sul do estado e salvaguardam os modos de vida agroextrativistas. Já no Piauí, a ampliação do Parque Nacional de Sete Cidades em mais de 7 mil hectares fortalece a conservação de espécies ameaçadas e estimula o ecoturismo na região.
A agenda ambiental também contou com avanços na gestão de florestas públicas e na economia sustentável. O Serviço Florestal Brasileiro concluiu a concessão de 162,7 mil hectares da Floresta Nacional de Humaitá (AM), garantindo R$ 240 milhões em investimentos privados sob manejo sustentável, além da geração de empregos e recursos para comunidades do entorno.
Também foram destinados mais de R$ 235 milhões via BNDES, contemplando projetos do Fundo Clima, ações do Fundo Amazônia para comunidades quilombolas e a iniciativa Floresta Viva. Outros R$ 70,2 milhões em cooperação internacional vão fomentar núcleos de sociobioeconomia em áreas estratégicas do Pará, Amazonas, Amapá e Acre.
Para o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, os atos voltados à bioeconomia representam uma “política nova e inédita que já está gerando prosperidade para as populações da Amazônia”.
Ao abordar a criação e a ampliação de Unidades de Conservação, o ministro destacou a importância de proteger áreas que ainda mantêm sua vegetação.
“Evitar a degradação significa impedir que o desmatamento avance sobre territórios ainda preservados”, afirmou. “Desde 2023, o Brasil já acrescentou mais de 2,5 milhões de hectares ao seu território protegido por meio da criação e ampliação de 26 Unidades de Conservação federais.”
Segundo Capobianco, essas ações apontam para um modelo de desenvolvimento que concilia conservação e oportunidades para a população.
“Uma Amazônia com uma economia baseada na natureza, capaz de gerar emprego e renda sem destruir as bases que sustentam seu crescimento”, disse.
O ministro também parabenizou Lula por recolocar a Amazônia no centro do projeto de desenvolvimento do Brasil.
Dia da Amazônia
A data foi criada em 2007, durante o segundo mandato de Lula. O dia 5 de setembro foi escolhido em homenagem à criação da Província do Amazonas por Dom Pedro II, em 1850. O objetivo é lembrar a importância da Amazônia, que concentra enorme biodiversidade e tem a maior parte de seu território no Brasil. A região também abriga a maior bacia hidrográfica do mundo.
A Amazônia desempenha papel fundamental no equilíbrio climático do planeta, o que torna sua proteção ainda mais importante à medida que as mudanças climáticas avançam. Além de armazenar grandes quantidades de carbono, a floresta contribui para a formação dos rios voadores, que transportam umidade e ajudam a abastecer de chuvas áreas agrícolas em diversas regiões da América do Sul, contribuindo também para a segurança alimentar.
Um governo que preserva
Os dados do Prodes, sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), referentes ao período entre agosto de 2024 e julho de 2025, mostram que o desmatamento no conjunto dos biomas brasileiros caiu 20,1%, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2016. As maiores reduções ocorreram no Pantanal (65,4%) e na Amazônia (15,8%).
Além disso, os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) apontam uma queda de 36,87% na área sob alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram registrados alertas em 2.874,38 km², a menor área desde 2016.
O Deter emite alertas rápidos para orientar a fiscalização ambiental, enquanto o Prodes realiza o levantamento anual que serve de base para o cálculo da taxa de desmatamento.