O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 13, que o Brasil “não vai ser mais exportador de matéria-prima” e defendeu a soberania do país sobre seu território e seus recursos naturais.
“Este país não vai parar. […] Agora, quem quiser explorar minerais críticos e terras raras, vai ter que fazer aqui dentro”, declarou durante visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP), para conhecer o projeto da primeira turbina a gás para geração de energia elétrica movida a etanol.
O discurso foi feito no campus do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), responsável pelas pesquisas e desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais da Força Aérea Brasileira (FAB). O IAE é subordinado ao DCTA, ligado diretamente à Aeronáutica.
Com esse projeto, o Brasil torna-se o sexto país do mundo a produzir turbinas aeronáuticas a jato e o primeiro a fabricar uma 100% movida a etanol. Segundo o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, a tecnologia, desenvolvida integralmente no Brasil com capacidade de gerar mil quilowatts de potência, visa a:
- Proporcionar transporte mais rápido, instalação e operação em localidades remotas e em cenários de calamidade;
- Viabilizar o fornecimento de energia elétrica para populações ribeirinhas;
- Apoiar ações de resposta a emergências;
- Atender ao agronegócio;
- Suprir regiões distantes dos grandes centros urbanos;
- Impulsionar o desenvolvimento de sistemas propulsivos para aviões, drones e outras plataformas aeroespaciais civis e militares de interesse estratégico para o Estado brasileiro;
- Ampliar as capacidades de defesa da soberania nacional.
O presidente Lula afirmou estar muito orgulhoso com o fato de o Brasil ser o sexto país do mundo a produzir uma turbina, “e não uma qualquer, mas uma turbina movida a etanol, para um país que é o rei dos combustíveis renováveis, de que tanto o mundo precisa”.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o projeto pode reduzir significativamente as emissões de carbono do Brasil e “descarbonizar” a Amazônia.
Lula destacou esse papel sustentável da iniciativa:
“Se o mundo quiser ser descarbonizado, ninguém precisa inventar mais nada: venha trabalhar com o Brasil que a gente pode mostrar como é que o mundo vai se descarbonizar”.
O investimento total no projeto foi de R$ 134 milhões, disponibilizados pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), como parte de um conjunto de iniciativas que totalizam R$ 300 milhões em investimentos no 3º mandato de Lula, segundo o secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luiz Fernandes, ministro substituto.
O presidente afirmou que percebeu a fragilidade da indústria de defesa do Brasil desde o primeiro mandato. “Como é que a gente pode se pensar sério se a gente não cuida daquilo que é essencial para nossa sobrevivência enquanto nação soberana?”, perguntou.
Segundo ele, ter uma indústria de defesa altamente preparada serve para dar às Forças Armadas a capacidade de “garantir a soberania territorial” e “defender o nosso povo”. Disse que “não faz sentido um país do tamanho do Brasil não ter o suporte de ser dono do seu nariz”.
“Se a gente não se cuida, quem vai cuidar de nós? […] Quem vai tomar conta da riqueza que a gente ainda nem sabe que tem no fundo do mar, da riqueza que representam as nossas terras raras e os nossos minerais críticos? A gente só vê o mundo falar disso. E nós?”, questionou Lula.