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Carta de Flávio Bolsonaro confirma submissão aos Estados Unidos

Em artigo, deputado Reimont critica atitude entreguista da extrema direita, que não defende interesses do povo brasileiro

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Por Reimont (*)

Há uma semana escrevi que a correspondência de Flavio Bolsonaro com os Estados Unidos escancaram subserviência, entreguismo e alta traição ao Brasil e que, assim, entrarão para a História. Pois a carta mais recente do candidato, dirigida ao escritório de Comércio dos Estados Unidos, confirma o que escrevi e deixa evidente que Flávio elege o país norte-americano como principal palco da sua campanha; é lá que o seu projeto ganha forma e conteúdo.

Em um texto anunciado por ele como uma negociação sobre as novas tarifas para produtos brasileiros, Flávio expõe que a verdadeira intenção não é impedir as taxações, mas pedir (talvez, suplicar) para que sejam adiadas até após as eleições.

Em um sincericídio humilhante, ele apela para que o aumento da taxação não ocorra agora, porque (reproduzo a carta sabuja) “as pesquisas de opinião pública brasileiras mostram que a posição eleitoral do governo em exercício se fortaleceu precisamente nos períodos em que a pressão tarifária dos EUA esteve mais saliente. O levantamento nacional publicado mais recente coloca o atual governante com 39% contra 29% do comentador (ele, Flávio) em uma simulação de primeiro turno, com a aprovação do governo subindo desde abril de 2026 e sua vantagem no segundo turno aumentando (…) um instrumento destinado a pressionar o governo em exercício está, de forma mensurável, fortalecendo-o”.

Na carta, o filho mais velho de Bolsonaro diz ter tratado do assunto recentemente com Donald Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, e afirma que a nova taxação fortaleceria o presidente Lula e uma campanha em defesa da soberania nacional, o que o prejudicaria (imaginem, a defesa da nossa soberania é uma fraquejada pra ele!).

Flavio ainda argumenta que “os custos recairiam sobre a economia americana e sobre os brasileiros (e americanos que investem no Brasil) mais comprometidos com um relacionamento construtivo e mutuamente benéfico com os Estados Unidos”.

Não há nem uma linha em defesa da economia brasileira, nem um parágrafo em defesa do nosso país. Ao contrário, ele se compromete a negociar sobre o Pix, regulação de plataformas digitais, propriedade intelectual e submissão ao dólar como moeda única de comércio internacional. Sempre de acordo com os interesses estadunidenses.

A família Bolsonaro confirma ser, ela própria, uma afronta à Soberania Nacional. Não podemos esquecer que, no ano passado, quando Trump impôs uma taxa de 50% sobre as exportações do Brasil, o fugitivo Eduardo agradeceu publicamente ao norte-americano e comemorou o tarifaço com a frase “Se houver o cenário de terra arrasada, pelo menos eu estarei vingado”.

Esse é o projeto bolsonarista: entregar o nosso país para salvar a própria família. Serão derrotados nas urnas, mas precisam ser punidos por traição ao Brasil.

(*) Deputado federal (PT-RJ)