A violência contra as mulheres assume muitas formas e romper o ciclo exige ações que garantam respeito e proteção. A secretária de nucleação do PT, Claudinha Lima, adotou um tom confessional ao gravar seu depoimento para a campanha Um Minuto pela Vida das Mulheres.
“Como mulher preta, já passei por diversos tipos de violência, mas eu quero contar uma delas”.
A violência sofrida pela dirigente partidária aconteceu durante as eleições de 2024 e é exemplo de uma dimensão da violência contra as mulheres que pode parecer menos evidente, mas que tem consequências profundas: não ser ouvida, ser deslegitimada e não ter a palavra respeitada também configura violência de gênero
Claudinha conta que se deparou com um grupo fazendo boca de urna de forma irregular e que, ao se posicionar diante da situação e procurar a presidência da mesa, um homem passou a filmá-la, mesmo depois de ela pedir que interrompesse a gravação. Depois do episódio, ela relata que procurou o cartório eleitoral para fazer a denúncia, mas não conseguiu registrar a denúncia porque o caso foi tratado como uma disputa eleitoral.
“Naquele momento eu me senti, mais uma vez, violentada”, desabafa.
Quando a mulher não é ouvida
O silenciamento não acontece de uma hora para outra. Ele pode começar com a interrupção da fala, a desqualificação de uma opinião, a exposição, a tentativa de constranger ou a ideia de que a mulher está exagerando ou criando um problema. Quando essas práticas são naturalizadas, contribuem para um ambiente em que a violência pode avançar.
O feminicídio é a expressão mais extrema de uma cadeia de violências que atravessa a vida das mulheres. Por isso, enfrentar o problema exige atenção também aos primeiros sinais e às formas de violência que antecedem a agressão física. Ouvir as mulheres, respeitar suas denúncias e garantir que sejam acolhidas e protegidas são medidas fundamentais para interromper esse ciclo.
Um minuto para romper o silêncio
Na série Um Minuto pela Vida das Mulheres, campanha que busca sensibilizar toda a sociedade para as diferentes formas de violência de gênero, já foram publicados quatro veideos.
Em depoimentos de um minuto, mulheres que ocupam espaços de liderança compartilham experiências pessoais de violência, mostrando que o problema não está restrito à violência doméstica ou aos casos que chegam às estatísticas de feminicídio. Assédio, perseguição, violência política e violência doméstica fazem parte de uma mesma realidade que precisa ser enfrentada coletivamente.
A série começou com a deputada federal Jack Rocha (PT-ES), coordenadora da Bancada Feminina da Câmara dos Deputados, que compartilhou sua experiência de violência. Na sequência, a ex-ministra da Saúde e ex-presidente da Fiocruz Nísia Trindade relatou situações de desvalorização vividas por ser mulher ao longo de sua trajetória como pesquisadora e gestora.
O terceiro vídeo foi protagonizado por Camila Moreno, secretária nacional adjunta de Comunicação do PT, que contou ter sido perseguida por um homem que não aceitava suas opiniões políticas e precisou recorrer a uma medida protetiva.
A campanha segue aberta à participação de mulheres que ocupam espaços de liderança e desejam compartilhar suas histórias.