Quatorze candidatas ao Senado nas eleições de 2026, de diferentes partidos e estados, se uniram em torno de uma agenda comum de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres. Batizada de Vivas e Livres contra o Feminicídio no Brasil, a iniciativa defende a construção de uma bancada feminina articulada para ampliar políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres.
Entre as participantes estão as petistas Benedita da Silva (RJ), Marília Campos (MG), Eliziane Gama (MA) e Érika Kokay (DF). Também integram a articulação Áurea Carolina (PSOL-MG), Marina Silva (REDE-SP), Manuela d’Ávila (PSOL-RS), Mônica Benício (PSOL-RJ), Marília Arraes (PDT-PE), Anandreia Trovó (PSOL-RO), Gizelle Freitas (PSOL-PA), Isaura Lemos (PSB-GO), Luizianne Lins (REDE-CE) e Sônia Godeiro (PSOL-RN).
Benedita da Silva celebra o movimento e ressalta a importância de mulheres se organizarem em torno de uma pauta comum. Ela ressalta a necessidade de uma bancada no Senado comprometida com o enfrentamento à violência de gênero.
“Considero a articulação Vivas e Livres uma importante iniciativa para fortalecer as ações de enfrentamento à violência contra a mulher, pois precisamos cobrar mais recursos, ampliar delegacias especializadas, casas-abrigo, prevenção e educação”.
A articulação defende, ainda, a ampliação dos investimentos públicos na rede de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas e a adoção de políticas de prevenção. Entre as propostas apresentadas estão a implementação da Lei Maria da Penha nas escolas, o fortalecimento da fiscalização das medidas protetivas de urgência e a responsabilização das plataformas digitais diante da violência praticada contra mulheres na internet.
O movimento também aponta a educação como uma das frentes fundamentais de atuação. A proposta é que o trabalho de prevenção comece ainda na formação de crianças e adolescentes, promovendo relações baseadas no respeito e na igualdade.
Uma das idealizadoras da iniciativa, Áurea Carolina (PSOL-MG), chama atenção para a necessidade de identificar e interromper o ciclo de violência antes que ele resulte no assassinato de uma mulher.
“O feminicídio nunca começa no momento do crime. Ele é o ponto final de uma sequência de violências físicas ou psicológicas, que muitas vezes já eram conhecidas pela família, pelos vizinhos ou pelo próprio Estado.”
Mais mulheres na política
Atualmente, menos de 20% das cadeiras do Senado são ocupadas por mulheres, apesar de elas representarem mais da metade da população brasileira. Ao longo de dois séculos de existência do Senado, menos de 50 mulheres exerceram mandato como senadoras, entre titulares e suplentes. Para as candidatas que integram a campanha, aumentar a presença feminina no parlamento é também ampliar a capacidade de formular e aprovar políticas voltadas à vida das mulheres.
Como parte da mobilização, a campanha Vivas e Livres lançou um abaixo-assinado aberto à participação da população. A iniciativa busca ampliar o compromisso da sociedade com o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres e reunir apoio às propostas defendidas pelas candidatas.
Eleições 2026 e desigualdade
A importância de ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão fica evidente também no perfil das candidaturas registradas para as eleições de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram feitos 20.530 pedidos de registro de candidatura, 8.732 a menos do que no pleito de 2022.
Deste universo, apenas 7.156 (35%) são de mulheres, enquanto 13.374 (65%) são de homens. Os números reforçam o desafio de construir maior equidade na política e ampliar a representação feminina no Congresso Nacional. Entre os registros, estão 315 candidaturas ao Senado, cargo que terá renovação de dois terços das cadeiras nas eleições deste ano.