Em seu discurso durante o evento de lançamento da campanha à reeleição, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), no último domingo, 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu seis vezes a expressão “isso é pensar no futuro”.
Além de citar avanços importantes e as entregas sociais e econômicas de sua atual gestão, Lula deixou claro que em seu quarto mandato quer a educação como espinha dorsal de um futuro governo: “Que futuro você quer pro povo brasileiro se você não investir em educação? Na saúde? Em casa? No emprego?”
O capítulo 4 do documento, intitulado “Garantir o Direito à Educação para Transformar Vidas e o País”, classifica a educação como “o principal instrumento de transformação social, mobilidade social intergeracional e de construção de um projeto nacional de desenvolvimento democrático, soberano, sustentável e inclusivo”.
Nas últimas semanas, Lula deixou claro qual é o norte do seu projeto para o Brasil: dar um salto de qualidade definitivo. O presidente tem reforçado que, após reconstruir o país, recuperar a renda e combater a fome, é hora de olhar para a frente. E esse caminho passa, obrigatoriamente, pela sala de aula.
“Eu me pergunto toda noite: por que que eu preciso de um quarto mandato? […] Porque eu acho que nós temos que dar um salto de qualidade no Brasil. Eu agora quero levar o Brasil ao padrão dos países altamente desenvolvidos. E começa pela educação”, declarou o presidente em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs na última sexta-feira, 14.
Planejamento de 10 anos
Na convenção nacional do PT que oficializou sua candidatura, duas semanas antes do ato político na Vila Euclides, o presidente já havia dito que busca um quarto mandato para “resolver definitivamente a educação”.
Na ocasião, defendeu que o tema exige um planejamento de longo prazo, blindado das oscilações orçamentárias de curto prazo: “A gente vai ter que aprovar uma coisa especial para garantir que, em dez anos, a gente resolva o problema da educação neste país.”

Da creche à universidade
O Programa de Governo traduz os compromissos de Lula em metas concretas para todas as etapas da vida do estudante:
- Primeira infância e alfabetização: O programa consolida as metas do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada – que já atingiu 66% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2025 – para alcançar 80% no próximo período. Na infraestrutura, a segunda etapa do Novo PAC vai expandir a construção de creches por todo o país;
- Escola em tempo integral: Definida como prioridade absoluta. Lula assumiu o compromisso pessoal de encerrar o próximo mandato com a rede pública universalizada em tempo integral. A modalidade, que já ganhou 1,8 milhão de novas matrículas, passa a contar com financiamento garantido pelo Fundeb a partir de 2026;
- Permanência na escola: O programa garante a continuidade e expansão do Pé-de-Meia, que atende mais de 7 milhões de jovens no ensino médio, evitando a evasão escolar por razões econômicas;
- Ensino técnico e superior: O plano prevê a expansão contínua dos Institutos Federais – que saíram de 140 unidades em 2003 para 606 no atual governo, com meta de alcançar 800 até o fim de 2026. A prioridade será o interior do país e as periferias. O programa fixa ainda a criação da Universidade Indígena, da Universidade do Esporte e a consolidação do novo campus do ITA no Ceará;
- Valorização dos professores: Manutenção rigorosa do Piso Nacional do Magistério e fortalecimento dos programas Pé-de-Meia Licenciatura e Bolsa Mais Professores.
Na Vila Euclides, Lula reiterou a importância de investimentos em educação. Segundo ele, um aluno de universidade federal custa cerca de R$ 20 mil por ano ao Estado, enquanto a manutenção de um preso no sistema penitenciário paulista custa R$ 35 mil por ano. “Investir em educação é muito mais barato”, afirmou o presidente, considerando a importância da formação de crianças e adolescentes inclusive para coibir que se envolvam na criminalidade.

Ciência, tecnologia e soberania
Na entrevista de 14 de agosto, Lula prometeu recriar o programa de intercâmbio acadêmico Ciência sem Fronteiras, criado no governo da ex-presidente Dilma Rousseff e extinto por Michel Temer, com foco estratégico em áreas como inteligência artificial, matemática, engenharia e transição energética.
“Nós precisamos fazer coisas para preparar este país para a revolução tecnológica que nós temos que fazer”, declarou.
A iniciativa se soma ao Programa Conhecimento Brasil, voltado para a atração e fixação de pesquisadores no país.
Essa formação científica de alto nível está diretamente ligada à defesa das riquezas naturais e da soberania do Brasil. Ao citar as reservas de minerais críticos e terras raras, Lula reforça que o país precisa dominar a tecnologia de transformação dessas matérias-primas:
“O que nós queremos é colocar as nossas meninas e os nossos meninos para estudarem como é que a gente vai explorar esse minério, como é que a gente vai produzir os celulares, os chips, as baterias elétricas”, disse o presidente na Vila Euclides.
Reindustrialização e futuro sustentável
O Programa de Governo conecta a agenda educacional a um projeto amplo de reindustrialização do país. Por meio da Nova Indústria Brasil, o governo pretende direcionar investimentos para áreas de ponta, como inteligência artificial, transição energética e a Base Industrial e Tecnológica de Defesa.
Ao disputar o quarto mandato, Lula apresenta mais do que um balanço de conquistas como a saída do Mapa da Fome e a geração recorde de empregos. O presidente apresenta um projeto de futuro para colocar o Brasil definitivamente entre as nações mais desenvolvidas do mundo.