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Brasil se destaca entre os 10 países com maior avanço na educação em duas décadas

Avaliação internacional mostra queda em relação a países desenvolvidos em Leitura, Matemática e Ciências; média superou o nível pré-pandemia na área científica

Entre 2006 e 2025, a diferença em relação à média da OCDE diminuiu 44 pontos em Leitura, 39 em Matemática e 36 em CiênciasFoto: Wilson Dias/Agência Brasil

O Brasil está entre os dez países que mais avançaram em educação nas últimas duas décadas, segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, divulgados nesta terça-feira, 8. O levantamento também mostra uma redução da distância entre o desempenho brasileiro e a média dos integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Leitura, Matemática e Ciências.

Entre 2006 e 2025, a diferença em relação à média da OCDE diminuiu 44 pontos em Leitura, 39 em Matemática e 36 em Ciências. O país também superou o desempenho anterior à pandemia em Ciências e registrou perdas menores que a média da organização em Leitura e Matemática, na comparação entre 2018 e 2025.

Na edição de 2025, os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. As notas medem a proficiência, ou seja, o domínio de conhecimentos e a capacidade de aplicá-los em diferentes situações.

Brasil reduz distância para a OCDE

A aproximação em relação à média da OCDE ocorreu nas três áreas avaliadas. Em Leitura, a diferença caiu de 102 para 58 pontos. Em Matemática, passou de 131 para 92 pontos. Já em Ciências, recuou de 113 para 77 pontos.

O Pisa avalia competências que vão além da memorização de conteúdos. Em Leitura, observa a capacidade dos estudantes de compreender, usar e avaliar textos, além de refletir sobre eles. Em Matemática, examina o raciocínio e a aplicação de conhecimentos para resolver problemas.

Em Ciências, a avaliação considera a capacidade de participar de discussões fundamentadas sobre temas científicos, sustentabilidade e tecnologia.

Valorização da escola e restrição aos celulares

Os questionários do Pisa também mostram que os estudantes brasileiros reconhecem a importância da escola. Apenas 16% consideram a instituição uma perda de tempo, percentual inferior aos 24% registrados na média da OCDE.

Essa percepção está associada a melhores resultados. No Brasil, estudantes que rejeitam a ideia de que a escola é uma perda de tempo obtêm, em média, 35 pontos a mais em Ciências do que os colegas que concordam com a afirmação. Na OCDE, essa diferença é de 27 pontos.

Outro destaque é a restrição ao uso de celulares: em 2025, 81% dos estudantes brasileiros estavam em escolas com limitações aos aparelhos, ante 49% na média da organização.

O cenário acompanha uma medida adotada pelo Governo Lula para proteger o ambiente de aprendizagem. Sancionada pelo presidente, a Lei nº 15.100/2025 restringiu o uso de aparelhos eletrônicos pessoais nas escolas de educação básica, preservando o uso pedagógico e as exceções previstas na legislação.

Os questionários também abordaram a disposição dos estudantes para enfrentar dificuldades: 59% dos brasileiros disseram se esforçar diante dos desafios.

Ação coletiva pelo meio ambiente

O engajamento com a sustentabilidade é outro ponto de destaque do Brasil. Os estudantes demonstram confiança na capacidade de contribuir para a proteção ambiental e reconhecem a importância da ação coletiva.

No país, 84% acreditam que podem produzir impactos positivos no meio ambiente, enquanto 87% confiam na força da ação coletiva para enfrentar os desafios ambientais. Outros 77% afirmam saber trabalhar em grupo para promover mudanças positivas. Os três percentuais superam as médias da OCDE.

Esse envolvimento também aparece nas atitudes cotidianas. Segundo o Pisa, 60% dos estudantes brasileiros conversam com familiares e amigos sobre sustentabilidade, e 58% fazem escolhas de consumo com base em critérios ambientais.