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Edinho Silva diz que PT precisa ser enfático na defesa de reforma do Judiciário

Presidente do partido analisa mudança na conjuntura política com a crise do STF e lembra que as reformas são bandeiras petistas. Vazamentos seletivos afetam equidade da disputa, reitera

Foto: Site do PT

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, coordenador político da campanha do presidente Lula, afirmou nesta quinta-feira, 10, que a atual crise envolvendo o Poder Judiciário contribui para ampliar a descrença da sociedade nas instituições e reforçar um sentimento antissistema que pode ter consequências no processo eleitoral. A crise no STF, afirmou, mudou a conjuntura e obviamente isso refletirá em rumos da campanha.

Em conversa com jornalistas após uma reunião da Comissão Executiva Nacional do PT, em Brasília, Edinho avaliou que o cenário político-eleitoral mudou de forma significativa nos últimos dias. “A conjuntura mudou totalmente”, afirmou. “Não adianta a gente ficar com uma campanha pensada numa conjuntura de dez dias atrás.”

Ele também destacou que o momento atual é de maior insatisfação social e institucional. “Essa crise da Suprema Corte agrava, aos olhos da sociedade, e gera uma descrença da nas instituições. Isso é inegável”, afirmou.

Edinho Silva alertou que períodos marcados pela perda de confiança nas instituições historicamente abrem espaço para forças políticas que se aproveitam da instabilidade. “Aí os oportunistas, os salvadores da pátria, os inconsequentes acabam ocupando espaço, capitalizando esse sentimento antissistema”, disse.

“No final, a democracia sai enfraquecida, as instituições destruídas e geralmente a história registra, como eu já disse, tragédia”, disse.

Vazamentos interferem na equidade da disputa eleitoral

Edinho também chamou atenção para os efeitos eleitorais da divulgação seletiva de informações de investigações em curso no Supremo. Ele pontuou que o PT já ingressou no STF com duas ações para pedir o fim do sigilo das investigações sobre o Banco Master, por entender que os vazamentos, da forma como vêm ocorrendo, comprometem a equidade da disputa.

“Da forma como os vazamentos estão sendo feitos eles interferem na disputa eleitoral. Eles ferem o princípio da equidade na disputa eleitoral”, afirmou.

Para Edinho, a divulgação parcial de informações é prejudicial tanto ao processo eleitoral quanto à democracia. “Eu acho que isso é ruim. É ruim para a democracia, é ruim para o processo eleitoral. Por isso nós entramos com a ação pedindo o levantamento de todas as investigações”, disse.

Segundo o presidente do PT, tornar públicas as informações de forma ampla permitiria que a sociedade tivesse conhecimento do conjunto dos fatos, evitando que apenas partes das investigações cheguem ao debate público.

Reforma para fortalecer, não enfraquecer

Ao tratar da crise no Supremo Tribunal Federal, Edinho ressaltou que o PT não pretende explorar o momento para atacar ou enfraquecer o Poder Judiciário. Como relembrou, a defesa de uma reforma de Justiça é uma pauta antiga do partido, anterior à crise atual.

“Nós temos que, primeiro, ser mais enfáticos na questão da reforma do Poder Judiciário, que é uma uma bandeira antiga do PT. Nós temos legitimidade para falar disso, não estamos falando agora porque a Suprema Corte está em crise“, declarou.

Edinho lembrou que a necessidade de mudanças no Judiciário já está prevista nas resoluções do 8º Congresso do PT, ao lado da defesa de uma reforma política e eleitoral. O objetivo, afirmou, é aproximar as instituições da sociedade e fortalecer a democracia.

“Nós não estamos utilizando a crise do Supremo de forma oportunista para enfraquecer o Poder Judiciário. É o contrário. Nós queremos fortalecer o Poder Judiciário”, disse. “Nós sabemos que não há democracia sólida para o Judiciário fraco.”

Para Edinho, a resposta ao atual cenário passa pela recuperação da confiança nas instituições e pelo fortalecimento da democracia. “Nós temos que voltar a ter estabilidade institucional e temos que arrumar saídas para essa crise no campo da democracia, fortalecendo a democracia para que o Brasil não viva nenhuma experiência trágica”, afirmou.