Em carta aberta, povos indígenas apoiam reeleição de Lula

Documento divulgado no ATL aponta que disputa é entre um “projeto de morte” e continuidade da democracia; demarcação de terras é prioridade

Rafa Neddemeyer/Agência Brasil

Em carta aberta, povos indígenas revelam apoio ao Presidente Lula

Lideranças indígenas reunidas no Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, em Brasília, divulgaram uma carta pública em que manifestam apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, 10. O documento, assinado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e organizações regionais, reconhece a atuação do Governo Lula e alerta que o próximo pleito presidencial representa uma disputa entre “um projeto de morte” e a continuidade de um campo democrático.

“Nós, povos indígenas do Brasil, por meio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e de nossas organizações regionais, reunidos no Acampamento Terra Livre, em Brasília, afirmamos que a eleição de 2026 coloca o país diante de uma disputa direta entre o retorno de um projeto de morte e a continuidade de um campo democrático, onde seguimos organizados para disputar os rumos da sociedade e fortalecer a vida.”, destaca a carta

O avanço de setores da extrema direita no Brasil e o cenário internacional têm colocado em risco direitos territoriais e sociais dos povos indígenas, afirma o texto. As lideranças denunciam, ainda, a atuação de parte do Congresso Nacional na aprovação de medidas consideradas prejudiciais às comunidades tradicionais, além de alertarem para o crescimento de interesses econômicos sobre terras indígenas, especialmente na Amazônia – utilizando como base o relatório “Desmascarando o Lobby Mineral em Terras Indígenas no Brasil”, da APIB, que também foi publicado durante o ATL de 2026.

“Para nós, povos indígenas, soberania é demarcar todas as Terras Indígenas e garantir a proteção física e cultural dos nossos povos. Diante desse cenário, afirmamos nosso apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026”, enfatiza a declaração. 

As lideranças declaram que esse posicionamento não é incondicional. “Nosso apoio não é cego”, diz o documento, ao enfatizar que os povos indígenas seguirão cobrando avanços concretos, especialmente na demarcação de terras e na proteção dos territórios, temas centrais do maior encontro nacional dos povos indígenas do país.

Marcha do ATL 2026 reforça a importância da demarcação territorial 

Trazendo as vozes dos povos indígenas de todo o país, a marcha intitulada “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida” levou até a Esplanada dos Ministérios as demandas dos povos originários nesta quinta-feira, 9. Durante o percurso, o Governo Federal foi representado pela ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Mello.

Os povos originários trouxeram elementos de suas culturas, como cantos, adereços, danças e pinturas corporais para a capital federal. Discursos de encorajamento às lutas e reivindicações pela delimitação e respeito aos territórios indígenas e outras pautas ecoaram pelo plano piloto. 

“Nosso principal marco é a terra, que é a nossa mãe”, afirmou a coordenadora do Setorial Nacional de Assuntos Indígenas, Quenes Payayá. “Não basta estar na terra, é preciso garantir estrutura, segurança, saúde e educação.”

Patrícia Krin Si, liderança indígena do estado da Bahia, destacou  a sua visão sobre o poder da marcha e a expectativa em relação ao governo federal. “Temos uma expectativa muito grande que Lula consiga demarcar o restante das terras indígenas, como prometido. Estamos juntos para dar continuidade a esse trabalho”, concluiu.

Rádio PT de Comunicação.

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