O governo Bolsonaro parece tratar o decreto sobre posse de armas como uma grande brincadeira — que dará lucros altíssimos às empresas que vendem o produto — e ignora de forma categórica os dados sobre o aumento da violência que os armamentos podem, e vão, causar.
Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil e secretário de recuos da gestão, comparou arma de fogo a liquidificador e os aliados de Bolsonaro comemoram a falsa sensação de segurança que revólveres e pistolas trarão.
Um movimento encabeçado pelas mulheres criou a #SeEleEstivesseArmado com relatos de violência de homens e levantam o questionamento sobre quem serão as vítimas do armamento proposto por Bolsonaro.
Para explicar (mapear, desenhar…) o risco de ter uma arma de fogo em casa, separamos relatos reais de pessoas que foram às redes sociais alertar a população sobre o risco de conviver com o “revólver do papai”.
Aqui vai um spoiler, o resultado não vai te deixar nada bem:
Filha de policiais
A Bianca Andrade é filha de policiais e narrou, em uma thread do Twitter, a sensação de insegurança que era ter duas armas de fogo em casa. Ela conta ainda que dois revólveres de seus pais foram parar no mercado ilegal.
https://twitter.com/biancandrade/status/1085578440873525248
Aumento nos casos de suicídio
Em uma thread perturbadora e urgente, James Cimino fala sobre o suicídio de sua mãe. Atenção, se você não estiver preparado, não leia!
https://twitter.com/rei_da_selfie/status/1085524606058930176
Armas traz também problemas burocráticos
Pelo Twitter, este usuário trouxe um outro problema de se ter uma arma. A responsabilidade. Ele conta que um amigo que tinha uma arma legalizada foi assaltado e chamado para um crime cometido (adivinhe?) cometido com seu revólver.
https://twitter.com/pac_man/status/1085241404278956034
De quem era a arma que o matou?
Este usuário contou como seu pai foi assassinado por um ladrão que entrou em sua casa.
https://twitter.com/EuSouEueVcQuemE/status/1085220116856479746
Risco para a família
E o Sidney Costa e Silva narrou uma cena tristíssima envolvendo seu irmão.
Meu pai tinha um local seguro p/ guardar as três pistolas, mesmo assim meu irmão de 16 anos usou uma delas p/ atirar em seu próprio peito em 25 de junho de 1975.
— 𝓢𝓲𝓵𝓷𝓮𝔂 𝓒𝓸𝓼𝓽𝓪 𝓮 𝓢𝓲𝓵𝓿𝓪 (@silneyart) January 15, 2019
Impotência
A Suzana Jardim, pelo Facebook, conta de uma invasão a sua casa por ladrões e que a arma (que estava escondida) não interferiu na insegurança.
https://www.facebook.com/suzane.jardim.54/posts/1318241605007893
Arma e depressão
A Daniela Gebenlian conta, também pelo Facebook, do caso de uma adolescente depressiva que ela conheceu e que se matou com a arma que o pai tinha em casa.
https://www.facebook.com/dgebenlian/posts/10216971745942531
Não terminou em morte, mas…
A história do Acácio Augusto poderia ter terminado em tragédia também. Ele relata como sua mãe era ameaçada por seu pai, que tinha uma arma na cintura (e muitas vezes nas mãos).
Meu pai tinha uma .765 totalmente legal. Ele saiu de casa quando eu tinha 12 anos. Nesse tempo deu para vê-lo fazendo várias paraquadas, qualquer coisa ele sacava. Chegou a aponta-la para minha mãe mais de uma vez. Ele não era um homem mal, mas comum. O ferro meche com o cabra.
— acácio augusto (@acacio1871) January 15, 2019
Vamos botar a mão na consciência?
A Juh Ruiz trouxe uma reportagem da Revista Fórum com um caso de um homem que matou a companheira a tiros em um shopping no Ceará um dia depois do decreto assinado por Bolsonaro.
https://www.facebook.com/juliana.ruiz.94695/posts/2223616197850097?__tn__=-R
E tá errado?
E para finalizar, o Alexandre Andrada faz uma reflexão sobre como é pensada a política pública no governo Bolsonaro.
https://twitter.com/AFS_Andrada/status/1085240092141199361
Da Redação da Agência PT de notícias